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30 abril 2012
29 abril 2012
Sobre voltar a leitura
Nada me dá mais prazer do que perceber que existe um outro, mais rico e sapiente do que o "eu" do dia-a-dia e que, por vezes, como um espírito, manifesta-se em pensamento, texto ou fotografia.
Houve um tempo, dentro da minha rígida concepção de finitude, que releguei o hábito dos livros. Os traços de compulsão e obsessividade confundiam meu desejo dizendo: "se um dia tudo se apaga, vale a pena gastar exíguo espaço em tema único ?"... seja pela morte, pela senilidade ou por Alzheimer, certamente um dia serei zerado. Não sei se acredito em vida após a vida, mas vi tanta mente brilhante diminuir a chama a ponto de não mais reconhecer os filhos, não entender em que mundo vive ou até qual o caminho do banheiro, que desconfio, e sei que mesmo pulsando um coração pode dissociar-se da mente.
Escrever é diferente, mesmo dizendo bobagens, deixa marcas e imortaliza -atualmente até que o servidor da web seja desligado- mas são os textos milenares, embora as vezes mentirosos e falsos, que orientam muitos dos costumes, hábitos, nossas escolhas, amores e crenças. Escrever pode nos manter além da memória e da carne, mesmo que não mais nos olhem.
Então por que voltei a ler?
Talvez pela nova dosagem da paroxetina; por conseguir enfrentar os medos; por perceber que embora curto ainda há tempo, ou, e é mais provável, por poder associar o prazer da vivência alheia e do imaginário e, sem perceber, poder roubar elementos para o que ainda resta.
Nada me dá mais prazer do que perceber que existem outros, mais ricos e sapientes dentro do o "eu" do dia-a-dia...
28 abril 2012
26 abril 2012
25 abril 2012
24 abril 2012
23 abril 2012
Festival das Flores
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Representante Peruano abraçado pelo Lama Padma Samten |
Fonte: Informativo Hanamatsuri Porto Alegre 2012
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20 abril 2012
19 abril 2012
18 abril 2012
Vídeo Clipe
Este vídeo é para fazer fundo ao livro que estou lendo: "A história perdida de Eva Braun" por Angela Lambert.
17 abril 2012
16 abril 2012
15 abril 2012
Cartoon
Dieta
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Imagem do Velhote Sacudido |
Churrasco de fogo-de-chão, dependendo do ângulo, é até bonito, embora, na minha urbanidade preferiria não ter visto aqueles bichos quase inteiros pingando gordura, espetados. Me fiz de gaúcho e saudável e ingeri o que foi servido, mesmo sabendo que depois seria preciso um litro de detergente para limpar o trato gástrico.
Matheus ganhou entre 400 possibilidades - estando em difícil, necessária e rígida dieta, e por apenas um número comprado - uma cesta de Páscoa gigante. Preocupado, tratei de ajuda-lo na perigosa tarefa de pulverizar as calorias entre os demais membros da casa e, se possível, os vizinhos; mas eramos poucos, e nesta conta energética negativa coube-me bem mais do que o razoável.
A mãe liga cedo com um convite para uma macarronada de domingo, isso não é comum, e fico constrangido em nega-lo. Não sei se estou preparado, até porque em nossa receita familiar italiana acompanham "brajolas" - carne enrolada com toucinho e tempero verde cozida por horas em um molho de tomate bem temperado...
A tarde por falta de opção deve rolar algum piquenique, o último foi com duzias de pão de queijo e coca-cola, ai só no chimarrão não basta e mais tarde um chá -com bolo- para desmanchar a graxa saturada. Saturado? Nem tanto, porque é comum acabar a semana com um lanche na rua, afinal, o tempo esta propício, ou qualquer outra desculpa que possa ser dada.
14 abril 2012
12 abril 2012
11 abril 2012
10 abril 2012
08 abril 2012
04 abril 2012
02 abril 2012
Pedras
Nesta cidade sobraram poucas pedras que não foram asfixiadas pelo asfalto. Tenho sorte de morar perto de uma rua esquecida ou propositalmente preservada e, então, poder, sobre seus reflexos, retomar antigas madrugadas .
Vejo quando usei o macacão de operário em brim azul e índigo, comprado para o carnaval e sentindo-me na importância de vestir como um adulto. A festa era ali onde os moradores acompanhavam das janelas e onde colocavam cadeiras quando era possível separa-las apenas por cordas frouxas amarradas pelos postes.
Meu melhor amigo era cego; a ele emprestava meus olhos em troca de sua alegria, superação e vivências. Caminhávamos em profundas conversas até a luz do dia indicar a mim que amanhecia, e para ele o calor e a percepção afinada de escutar um improvável som do primeiro ônibus que despontava ao longe para nossa despedida.
Havia um clube, o nome do português que fez o convite esqueci, mas não do baile e da cerveja, nem de sua prima desconhecida que pisava em meus pés, e depois da dor dos sapatos apertados até chegar em casa.
Outra, mais tarde, ofereceu-me a mão para que a levasse, corrigindo que eu não sabia como segura-la apertou-me os dedos, mas, porém, cedeu ao beijo, deu-me filhos e fez com que meus pais fossem a delegacia, afinal, não percebemos... mas novo dia amanhecia.
Das novas fases a terminar no bar da sopa onde a música e a companhia, de tardia boemia, fez-me conhecer solitários pelo nome, suas histórias e desapontamentos.
Hoje carrego o necessário fardo do trabalho sem preocupar-me com o horário ou turno e sempre que posso cruzo por estes paralelepípedos.
Espero que continuem ali, descobertos, brilhantes como espelhos da memória.
Vejo quando usei o macacão de operário em brim azul e índigo, comprado para o carnaval e sentindo-me na importância de vestir como um adulto. A festa era ali onde os moradores acompanhavam das janelas e onde colocavam cadeiras quando era possível separa-las apenas por cordas frouxas amarradas pelos postes.
Meu melhor amigo era cego; a ele emprestava meus olhos em troca de sua alegria, superação e vivências. Caminhávamos em profundas conversas até a luz do dia indicar a mim que amanhecia, e para ele o calor e a percepção afinada de escutar um improvável som do primeiro ônibus que despontava ao longe para nossa despedida.
Havia um clube, o nome do português que fez o convite esqueci, mas não do baile e da cerveja, nem de sua prima desconhecida que pisava em meus pés, e depois da dor dos sapatos apertados até chegar em casa.
Outra, mais tarde, ofereceu-me a mão para que a levasse, corrigindo que eu não sabia como segura-la apertou-me os dedos, mas, porém, cedeu ao beijo, deu-me filhos e fez com que meus pais fossem a delegacia, afinal, não percebemos... mas novo dia amanhecia.
Das novas fases a terminar no bar da sopa onde a música e a companhia, de tardia boemia, fez-me conhecer solitários pelo nome, suas histórias e desapontamentos.
Hoje carrego o necessário fardo do trabalho sem preocupar-me com o horário ou turno e sempre que posso cruzo por estes paralelepípedos.
Espero que continuem ali, descobertos, brilhantes como espelhos da memória.
01 abril 2012
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