AS RUAS
José Carlos Soares
As ruas eu as vejo,
retas, povoadas, novas,
arcaicas, com pedras nuas e calçadas mortas.
Mortas e pisoteadas.
Aquelas tristes e esquecidas,
dos velhos bordéis na beira do cais.
Casas com paredes mofadas.
Mulheres encostadas
em portas podres.
Velhas meretrizes, janelas sem
vidraças num cinzento entardecer.
As ruas, eu as vejo,
quietas, contemplando a vida,
adormecidas na manhã, com pedras
sonolentas, e calçadas vivas.
Estas, alegres e poéticas,
dos casarios sorridentes rodeando a praça.
Nervosas, borbulhando sons.
Cansadas e distraídas, ao anoitecer.
As ruas, eu as vejo,
agitadas, portas qual bocas
gritando sons, num burburinho
inquietante.
Cães e meninos no
mesmo chão. Calor.
Enfeitam–se de néons e cantos
escuros.
Passam na minha inércia,
inconstantes, vivas.
Dançamos em espiral,
interagimos, pois,
amantes somos....
30 julho 2007
Convidado
28 julho 2007
Frio

Frio, originally uploaded by Camafunga.
Se me perguntarem se esta foto foi originalmente alterada, afirmo que não, pelo contrário, as cores vivas, o brilho inadequado do sol, as nuvens que não interessavam, talvez um edifício inconveniente ao fundo, fios elétricos que dividiam o céu desnecessários, ramas menores de pouca sombra e alguns outros elementos não estavam na minha visão, nem no sentimento do primeiro olhar, ainda bem que as vezes é possível ajustar estas coisas. Salve a computação gráfica!
26 julho 2007
Tédio
Esta estátua de um famoso médico pelotense, humanista ao seu tempo, dedicado e querido agora assiste, há pelo menos 10 anos, esta obra inacabada e abandonada.
Caminhada
Não havia quase ninguém, não sei se pelo horário, pelo abandono ou ambos. Fica perto, pelo menos na memória, minha primeira namorada, os passeios pela calçadas dos galpões abandonados. Lembro de uma fuligem que não existe mais, de alguns vizinhos sentados na frente das casas, alguns moleques jogando bola. Eu dirigia, meu carro e minha vida, talvez me percebesse mais independente do que realmente fosse ou do que atualmente me sinta, mas era um tempo de maior acesso, menos guardas, grades e telas. O pouco que tinha transferiram a atividade e agora tem mais prédios com janelas emparedadas do que com velhas dependuradas.
21 julho 2007
Solidariedade
Passando, uma bela manhã de sol, onde todos, como eu, aproveitariam para uma boa caminhada.
20 julho 2007
18 julho 2007
Solitude
15 julho 2007
Arte de Rua
Algo mudou dentro de mim, para melhor, não vejo só tristeza nas paredes rabiscadas de prédios semi-abandonados em pleno domingo, pelo contrário, consigo ler estes apelos e traduzir melhor estas mensagens e até achar bonito
11 julho 2007
Versão
Procuro ver de mais de uma forma cada situação. Geralmente prevalece a que ameniza, pois não quero adicionar desafeto ou falta de caráter aos já tão contaminados convívios. Mas, quando percebo que não há segunda versão para maus enredos, prefiro me afastar, mesmo quando os personagens estão muito próximos e tão íntimos, que não facilitam em ser ignorados.
Deste sempre houve uma grande disputa, de uma via, já que na maioria das vezes só fiz querer somar ou, pelo bem, ser notado. Mesmo com todo reconhecimento, com a faca e o queijo na mão, afora a realidade do momento e os laços que nos envolvem, vale mais o egoísmo e as frágeis vitórias, geralmente associadas a um poder discutível, mais retido do que merecido. No fundo, tenho pena, porque, pelo menos matematicamente, e embora não queira perceber, seus dias estão contados. Que aproveite enquanto é tempo, e que eu sobreviva para poder mais aliviado não precisar reescrever tantas histórias, a bem da verdade, talvez seja isso que me faça produzir tanto.
10 julho 2007
Noutro mundo
03 julho 2007
Ressaca
Não fosse a cabeça e suas idéias absurdas e nauseabundas como uma crise de labirinto.
Acordei como se fosse ontem, ou anteontem, pior, como em qualquer mal dia do passado. Pensei em ficar na cama e cabular o trabalho, mas teria que ter ânimo para tomar decisões e não estava pronto para encaminhar nada. Caminho até o banheiro pensando no frio da água, mas um banho poderia ser a terapia de choque que me falta. Na rua, deve estar uns quatro graus, no quarto não passa de dez, por dentro um efeito estufa, o cérebro queima o peito congela.
Sei que tinha mais coisa que devia ser determinada, mas isso foi ontem, ou anteontem, pior, foi em qualquer outro mal dia do passado.
Já dormi de roupa e de sapatos, graças que isso foi a tempos, hoje me cubro de panos quentes e acolchoados, mesmo assim, por vezes meu corpo treme. Não passo mais as noites ao léu ou acordado, mas atiço em meus sonhos os mesmos pesadelos. Preciso de uma xícara de chá, prefiro leite, vou enfrentar meu banho, meu corpo ainda é dormente, mas a cabeça trabalha, e trabalha insistentemente, vira os pensamentos que não descansam...a girar... que maravilha, a girar...