11 dezembro 2011

Quadrado

Quadrado
O Quadrado é um espaço alternativo para os fins de semana nesta cidade que não tem muitas alternativas. Quando nada mais há a ser feito, partimos par o Quadrado.


O Quadrado é um ancoradouro de barcos localizado no bairro das Doquinhas, junto ao Porto de Pelotas.
Foi, e é, um local de pesca localizado quase no centro da cidade.


Por muito, até ainda um pouco, abandonado, servia de encontro para tribos variadas.


Local de descanso e namoro.


Mais fotos no Flickr/camafunga


"Ta dominado..."

Agora este espaço tem nome.
Pelo número de acessos e pelas facilidades do Google o diário passa a ter domínio próprio. www.diariodecanto.com

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Café da manhã
Mesmo sem ter dormido, depois de uma noite de trabalho, ainda com dor no corpo pela pasta encurvado, arrastado pelo trajeto aprecio o o início deste novo dia. Um pouco nublado, ora chuvisco, cheiro de terra molhada. Deixei minha carga na portaria e segui apenas com  o telefone e um cartão de banco. Lixos de resto de noitadas, os boêmios retornando, reflexo de mim nas pequenas poças, e, mesmo sem ter dormido, com o corpo todo moído, aproveito com com certo espanto, por estar feliz mesmo sendo  domingo.

O café foi o final do caminho, e me custou, além dele, uma rifa, mas valeu a pena...

A lua

Todos eles estão errados...

10 dezembro 2011

Comida

Nem Quadrado nem Laranjal : Lanche no Aquário.

Cristina comenta que nossas fotos de encontros são sempre em volta com comida. O comensal e a comilança são inerentes das relações sociais e as fortalece. Sobre isso encontrei uma ótima referência:

O simpósio, o banquete e o festim crismam-se como instituições sociais. E vinculam-se a todos os gêneros literários. O calor e as emoções do convívio abrangem inúmeros registros: da conversa amena à sátira mordaz, dos propos de table  à oratória, dos almoços de negócios aos jantares diplomáticos e às ceias fúnebres. Embora dissimulada, a pretexto de mais nobres objetivos, a sensibilidade gustativa se faz aí representar: é em torno da mesa, sob a inspiração de um cardápio, no horário costumeiro das refeições, que os comensais se reunem. E o gosto fatalmente se insinua. A consequencia dessa ambiguidade? A metáfora do saber e do sabor: a língua que sabe é a língua que saboreia, que degusta.
QUEIROZ, Maria José de. A literatura e o gozo impuro da comida Rio de Janeiro: Topbooks, 1994. p. 20.
Fonte: Refeição e convívio 

Passeio


Hoje é sábado e embora tenha que trabalhar a noite estou pensando em juntar a gurizada pra dar uma volta.
O dia já fez suas caretas, ora parece que vai cair água, ora o sol chama para a sombra. O pessoal de casa esta espalhado, até o filho foi contratado para um trabalho temporário (só esta tarde).

Aproveito para pensar em um itinerário típico destes dias:



Coluna Social

Dois eventos movimentaram a noite desta sexta-feira, primeiro a festa de fim-de-ano do Hospital Miguel Piltcher e depois o churrasco na casa de Daniel e Ettiene.
Agora o fato visto pelo olhar de nosso cronista social de plantão.

Camafunga, Nat Redu, Etti Mattos -anfitriã da noite - e Caetano em open house  gaúcho.

Colegas em movimentado evento de final de ano do HMP.

Galinha
A agitada comemoração de final de ano do HMP contou com a  nata da saúde da cidade.
Entre médicos e colaboradores a presença de representantes de outros importantes setores de nossa sociedade. O ecônomo do Clube de Subtenentes e Sargentos encantou a todos pela temperatura dos refrigerantes. No cardápio, além do buffet de saladas tropicais a delícia das  galinhas do Luciano. No evento a merecida homenagem a funcionária Rosinha (centro da foto) pelos seus 75 anos de serviços, sem ter quebrado um ovo nem ter posto atestado.

Vaca e Ovelha
Em encontro petit comite estiveram reunidos para despedida de solteiro no maravilhoso apartamento de Etti e Dani: Camafunga Soares, Nat Redu entre outros. O churrasco (com um tom de barbecue)  elaborado pelo dono da casa, foi de rês e ovelha acentuadas no sabor pelo uso de poivre de Cayenne - original da França onde moraram por alguns meses. Mas como ninguém é cordeiro a língua correu solta.

Cachorro
Lisa, a Boston Terrier e Donna, a black Pug premiada,  foram vistas em passeio diário com seu "personal dog" durante a tarde de ontem. Ambas preparam-se com condicionamento físico para procedimentos plásticos com renomado cirurgião veterinário; a primeira uma correção no abdomem (hérnia) a segunda uma rinoplastia para melhorar o aspecto, a respiração e diminuir o ronco.

09 dezembro 2011

Um dia especial


Por mais importante que pareça, perda de sono ou ansiedade que carreguem, o tempo destrói os encantos mudando de vez  gostos e realidade.

Maria Cristina acordou cedo depois de uma noite nem dormida; passara sonhando com o momento de usar o "coutil branco" que prometia deixa-la  com cinturinha de marimbondo. A mãe, vindo do Rio, trouxe um lindo chapéu de feltro, debruado em tufos de tafetá presos por um discreto broche de penas pretas. Hoje ela fará 15 anos - única das filhas a chegar a tanto: Maria Eugênia morrera pela espanhola e Maria Eudóxia por uma febre intermitente. Eram muitos os presentes a esperar nos pés da cama:  vestido de veludo bege, colete de piqué claro e botas com botões de pelica, tantos que na emoção  nem percebera... o calor que prometia. A festa começará cedo, quem sabe ali um pretendente - a mãe queria um moço simples, o pai o  filho do intendente. Passara bem no curso  de asseio,  das flores  os mais belos arranjos. Júlia Lopes lhe ensinara os caldos, que deixava para o irmão quando voltava dos Correios. Chove tanto em Porto Alegre que talvez alguns se atrasem, outros provável não cheguem, muitos, nesta enchente, nem venham.
Psicografado por Guaraúna.

Parentes

No verso dos retratos...

Família

Amandio Nunes
A foto faz parte do acervo que recebi ontem de presente do meu tio com mais de 100 fotos antigas de família. Entre elas, preciosidades de caras, poses e cenários de estúdio, até onde a prata conseguiu manter-se e  fixar-se. São Soares, Nunes, Ferreiras e Carricondes em imagens que vão de 1882 até 1924.

Esta retrata o "Velho"Amandio, avô do meu avô, combatente da Guerra do Paraguai, homem polêmico e rígido, fez história em Arroio Grande, seu filho, que tem o mesmo nome de meu pai - João Félix Soares - foi intendente por anos nesta cidade, mas aí é outra história.

08 dezembro 2011

Mangá


Viagem próxima


As imagens acima fiz na última viagem a Buenos Aires no início deste ano.
Tudo pronto para a próxima: roteiro, passagens e passeios. O destino não revelo ainda, mas se tudo correr como esperado teremos novas e interessantes imagens.

Plantão


Três horas da manha e nada de conseguir dormir:  "a noite passada até morreu gente" -  disse a Ettiene, em uma mensagem feita como esta na madrugada. O Jô anda sem graça,  e começa  cada dia mais tarde. Em  casa não ouço mosquito, aqui eles "mordem".  Meu pescoço tem alergia a aparelho de barba, ontem cheguei sangrando à Receita, hoje, festejam os insetos. Pode ser que daqui a pouco acalme; tenho fome, mas faltam horas para abrir a padaria, agora só tenho um resto de Schweppes - Citrus, mas beber não me animo, tenho medo acordar outra  azia. Adoro pão prensado com presunto, mas o dali venho associando a cansaço. Parei com a mania de fazer fotos de xícaras, algumas que ganhei pelo hábito, sequer no album estrelaram - sobrou, entre elas, a que late e outra, com o Gardel estampado,  que imita um tango quando aquecida. Como som não aparece na imagem deixei-as para outros dias.
As janelas,  por economia, acompanham a luz desde o nascer do dia, em breve vai  brilhar este quarto - são altas  e não existem cortinas. O ar deixou o ambiente gelado, padeço como em câmera fria. São três horas da manha e nada de dormir, não consigo. Esqueci até a hora em que fico, nem se volto, se tenho ou não outro compromisso. Os medos, como pesadelos vivos me assolam, nesta hora não sou crítico. Não sei se sou de fato inocente ou será que pratiquei algum  delito? Só preciso acomodar o travesseiro, usar um spray para mosquitos. A luz, que ora me acalma, é tênue, a luz é o que sai deste micro.

07 dezembro 2011

Fim-de-tarde


Praça Pedro Osório

Depois de aproximadamente sete anos de publicação do Diário da MOrsa e do Blog do Camafunga mudamos o endereço e formato.
Buscando uma relação mais direta com as redes sociais - e direcionado para para este tipo de público- o conteúdo, antes publicado no primeiro, passa a ser atualizado aqui: no Diario de Canto.
"De canto" não é alusão a música ou algo que a valha, se isso fosse talvez iniciássemos desafinando, mas sim, por uma conotação mais privada e para conhecidos.
De resto, para os que já nos acompanhavam, fiquem a vontade para curtir, comentar ou divulgar o que possa aparecer de interesse.

Imagem

Mauro no Ponto Chique.

Nos dois últimos dias, disponibilidade -ele de férias e eu trabalhando só a noite- oportunizaram  passar as tardes com meu irmão. Entre engenhos, médicos e advogados, panelas, cafés e judiciário, conversamos talvez mais do que nos últimos três ou quatro meses, e embora o curto tempo para repouso- e raro - valeram as horas de tanto papo.

06 dezembro 2011

Amelianas


Do tempo em que era usuário mais presente do Flickr criei um álbum referência a imagens com a atmosfera do filme Amelie Poulain de Jean-Pierre Jeunet.  Confira:




05 dezembro 2011

Atemporal



Bastou entrar para identificar: "Madeiras do  Oriente"- o perfume que usava minha avó durante sempre;  daí nada mais seria   necessário para que uma viagem nostálgica tivesse prosseguimento. No entanto, de um canto do pequeno quarto, levando distante a  voz da senhora que me chamara, e  em favor do apelo das imagens,  gritavam-me objetos esquecidos pelo tempo. Onde, além daquele cheiro, encontraria um antigo ventilador em aço,  em  tão bom estado, capaz de espalhar ares e aromas para envolver-me em velhas  memórias, ou, por quanto me aguardava num bule  aquecido, café, que  antes fingia não gostar, mas  que agora aprecio? Desprezo da mesa apenas os pequenos comprimidos coloridos que insinuam alguma doença - talvez o verdadeiro motivo para estar ali tão próximo - mas  preferi me deter em  lembranças saudáveis: nas tardes de trocas de afeição e companhia, nos momentos de  entendimento mútuo e dos conflitos segredados entre eu e outros deles.
Como na literatura, entendo que nasci um velho que precisou aprender, que apesar de complexa e  finita,  a vida é uma chance fugaz de aprendizado e rejuvenescimento. É na saudade de algo nem vivido, no olhar e na história de quem já passou por tanto,  que busco  sentir-me esperançoso. Depois, coberto de compreensão e em qualquer tempo, antes que esta situação se inverta,  faço o que ainda pode ser feito: escutar como um menino.

04 dezembro 2011

Adjetivando




Mas que nada.
Depois de alguns dias para lá de reflexivos, agradeço a força de não sucumbir ao cortar dos pulsos ou ter que recorrer a pesados antidepressivos. Agora, no "Jazz Medley" - pela exótica e maravilhosa "Webradio Jazz de Varginha" - escuto Sarah Vaughan acolchoada por rico coral ao estilo "pano-de-fundo Broadwayano". Tomo coragem, abro a mão e tiro o lacre da Marula fruit and cream  (Amarula), comprada por uma pechincha aqui  em Rio Branco, só lamento não ser chegado ao tabaco para tornar mais melancólica a construída cena. Como diria o meu filósofo preferido - Cid Renê (ou teria sido o JC Cavalheiro?): "o que não tem como ser resolvido, estragado fica...",   então, até que surja a solução ou um braço amigo, sigo sozinho, curtindo leve algo como  as cenas descoloridas de um filme antigo.

03 dezembro 2011

Fim - de - Semana

Café Aquário a tarde.
Praça Pedro Osório
Janta em casa
As companhias se renovam ou acrescem.
Gente nova, gente antiga, a revesar nas horas do fim-de-semana.
Bem vindos Paulo e Pedro, Letícia e seus penduricalhos.

A janta da Vera custou a compra de uma panela de paella no Engenho São Paulo; a Vera custou a compra de uma mesa do Brique que nem foi pago; as fotos custaram o encontro de outros amigos para o dia seguinte; o encontro  custou uma sessão de cinema com pipoca; a sessão custou a percepção da Donna ofegante que custou uma ida ao veterinário, uma indisposição familiar e a falta da mesma para a primeira aula de adestramento. O adestramento custou uma fofoca sobre o profissional e o veterinário, mas aí já é outra história e seguir não custa nada.

02 dezembro 2011

Perdi


Perdi a linha, perdi o risco
Perdi o senso do bom-termo
Perdi a hora e a condição

Queria  perdir um tempo

Quem sabe a paz...
 das tuas mãos?

Camafunga

27 novembro 2011

Passado


Ontem foi o lançamento em Arroio Grande -  na Praça Zeca Maciel-   do livro "Na palma da  mão" de João Félix Soares Neto.
A memória garantia que naquela praça há longínquos anos - do hábito de passar  parte das férias de verão com o nossos avós-  a primeira foto havia sido tirada. Tanto tempo, e guiados pela lembrança, resolvemos repetir a cena. Problemas de volume, espaço, área e peso, marcaram a dificuldade técnica deste simples ato, e rapidamente, antes que um "guarda Belo", do brinquedo nos retirasse (sob risco de quebra ou desabamento) posamos para  um momento de comparação e eternidade.
Agora, avaliando os detalhes, percebo o quanto esta memória é falha e, sem dificuldades, consigo identificar algumas semelhanças e erros:
  • Estamos invertidos, talvez pela  mania de achar que na infância, por ser mais velho, eu  estaria sempre à frente.
  • Continuamos nos vestindo como gêmeos.
  • Quando criança a cabeça pareça maior em relação ao corpo.
  • Os óculos, em ambos, sugerem a genética da visão cansada.
  • O primeiro escorregador é mais seguro.
  • Fotografia em preto e branco é sempre mais nostálgica.

01 novembro 2011

Momento de Luz


O brilhar da primeira pedra, cristais espalhados pela casa.

Na maratona mística ceguei-me com as luzes da cromoterapia e quase tropecei em um par de pirâmides mal posicionadas. 

Algo pende da porta do banheiro - depositário de más energias - e distribui o ódio como prisma, até onde deveria reinar a harmonia.

No tempo do" não parecer válido", o meu desprezo a alquimia. 

Ignorância não desperta angústia; medo, glória ou alegria. 

Acato o achado Divino  que vem da culpa e do proibido; fujo de ser mais claro evitando ser  objetivo; viro o que nem sou, ou prego, e  fica nisso o que acredito.

Tanta gente em minha volta, seja em carne, osso ou em espírito, que qualquer probabilidade de encontro reflete o apelo ao desconhecido.

Fujo de ágapes e confrarias; discussões em sindicatos; longas conclusões vazias; odeio  idéias surgidas sob o claustro -porta fechada é fobia.

Perguntas a que me refiro? Ter fé num paraíso?
A contração ao absoluto é  a ceder a um único destino.

Não - mais uma vez -  resumindo: 
Por favor, quero  ficar só...
Só no sonho, quieto
com meus cristais... iludido.

26 junho 2011

Frio 2


##, originally uploaded by Camafunga.

11 janeiro 2010

Companheiros


Companheiros, originally uploaded by Camafunga.

14 setembro 2009

Segunda

Então, ou caminho sem rumo, ou fecho as janelas e esqueço que é dia. Síndrome de segunda-feira e nada como um iniciar de semana atrás do outro para perceber que a vida é um ciclo, melhor, um círculo, que se repete e não se fecha.

Acho graça das pessoas que vestem a primeira coisa que vem pela frente, mas, de onde sairam aqueles sapatos de cor lilás? Nada parecia combinar naquela composição de rua, e prendo o olhar em detalhes como as meias claras salientando o mau gosto dos passantes e dos calçados. Quando estou assim, tenho atração ao feio. Da menina pendurada, mais do que o carinho da mãe que corre atrasada, da roupa que sufoca de tão apertada, me chama o ranho, seco e pendurado, como cascas de falta de higiene dizendo: sou mal cuidada. Até os cães me aborrecem, passam a noite ao relento e no fundo, bem no fundo, acho que merecem. O mesmo pensar dos pedintes, dos jornaleiros que estão desde cedo acordados, dos que não despertaram por ressaca, os soltos e desamparados.

Hoje é segunda-feira, não há poesia fora do inusitado.

O sol não combina. Como, sob o calor, vestir um casaco. Mas vagueio mais um pouco, a busca do que não sera encontrado.

08 agosto 2009

Jardim de Inverno

Quando não havia maiores perigos...

Deixei a porta aberta.

Adoro o muro vazado que permite que o vento assovie enquanto consigo ver quem passa e se aproxima. A grama neste jardim tem cheiro de tempero e a terra escura a textura de um carinho. O espaço é pequeno mas cabe boa parte do meu imenso mundo, cavo um buraco para esconder o meu futuro. Umas moedas, uma foto com minha família, um recorte de jornal e um frasco de remédio. Forro com a relva recortada em bloco esperando que as raizes envolvam e preservem para muito este tempo.

Que entre, apenas quem me interessa.

O sorriso de minha mãe é terno e verdadeiro, mais sincero que a memória distraida, o cuidado dos meus fizeram que eu chegasse até aqui, com todas as qualidades e angustias que moldaram minha vida. Tenho irmãos e agradeço por isso. Um, pelo menos, dividirá este pensamento. Não voltei ao jardim nem descobri meus preservados. As moedas foram poucas e não vingaram em frondosa arvore da fortuna, o remédio no entanto é desnecessário, e as noticias são efêmeras como a importância de datas. O muro deixa que passe a noção de tempo e sibila a nostalgia pemitindo que veja quem me precede.

Quando não havia maiores perigos, deixei a porta aberta, para que entrasse, apenas quem me interessa.

28 janeiro 2009

Inconciente

Prefiro não comentar meus pequenos enganos, nem os maiores, mas eles estão ai, por todos os lados.

Nem todos que me escutam são interlocutores do que chamo: pensamentos soltos, mas sofro pela crítica de um comportamento livre, como se fosse dissociado do que eles mesmos, de mim, esperam. Fazer o que? Aceitar que penso mais rápido do que atuo ou devo partir para o enfrentamento do que não me aceitam? Quem sabe, apenas não dar atenção, deixar que o tempo cumpra seu destino, porque vai ser assim, gasta-lo para questões maiores como... Sobrevivência.

Ainda sobre enganos. Cometi vários. Desde o nascimento, quando esperavam um choro breve, mas não me joguei de cabeça, e entalei na vagina parideira até que me tirassem a fórceps para ver o que me esperava. Depois, fui o único com olhos sensíveis a luminosidade intensa, e passei a enxergar franzido. Acho, também, que por isso, ficar entocado observando a tudo pelas frestas e janelas, era mais confortável, assim, conheci as coisas e as pessoas, sempre pelos pedaços, desviei meu desejo aos entrecortados, incompletos e mal iluminados. Fiz de riscos meus primeiros amigos, dos mais íntimos até os amores. Levei tempo para conseguir juntar pedaços como traços de hachuras, a definir mais claro o que seria luz, meio tom ou sombras.

Houve época de gritar, mesmo sem para onde. Quem por paredes grossas de ensinamento rígido escutaria além do som das palavras mais audazes que retornavam como velhos e fracos sentidos. O diálogo no rochedo é monótono e repetitivo. Mas soltei a voz no vazio da volta, inútil volta.

Entre o erro e o diálogo, escolho o silêncio da escrita, esta, que, a menos que não seja lida, chega certo apenas a quem importa, sem eco ou traços incompletos que o inconsciente trata de reunir e dar sentido.

14 janeiro 2009

Psicoanalise

Uma das sugestões foi de desmontar um elevador, não entendi, mas junto havia a possibilidade de fotografar, fazer um boa comida, voltar a academia. Qualquer coisa para ocupar a cabeça e afastar os pensamentos repetitivos, repetitivos, repetitivos. Agora tenho dois comprimidinhos que me acompanham, um branco e outro roseado. O primeiro agita, o segundo acalma, e assim pretendo ter a paciencia necessária para suportar a espera. Pelo menos, o dia não me parece cinza, nem escuto réquiem em meu mp4, mas ta custando a ter um sol que dure mais do que poucos minutos. Daí este guarda-chuva estranho.

Sentei de pernas abertas, da forma que seria imprópria pelos costumes que fui moldado. Não sei se seria melhor estar ou não de olhos congestos, poderia passar idéia de tranquilidade, e afinal estava esperando para ser consolado, mas se notasse tamanho sofrimento poderia magoar a quem consola em tantos anos de entendimento. 

Fui em dois, meio esquisofrênico, e não sei se meu lado melhor foi o que se manifestou o foi o que ficou de companheiro. Consegui resumir os fatos, estava com problemas que iam desde o sono atrasado até o plexo corióide. Cansado de sonhar queria poder dormir, cheio de tentar queria finalmente agir. 

E agi. Antes procurei a mãe amada na figura da esposa perdida, nas recompensas da memória alterada pelas mais recentes instabilidades, virei santo, excluido o celibato, virei um pai, modelo, pobre, mas  dedicado.
Revirei os estandartes sem achar a  beatice, exonerando os diabos com seus pactos e artífices.

Há um tempo, quando propuseram alta, ouvi um coro de dúvidas e indignidades, era como uma mãe a abandonar o filho, um espelho a proibir imagem. Gostei da piada fora de hora, da fala perdida e da risada. Gostei de ter sido comparado a um mito e mesmo de pernas inadequadas manter-me em equilíbrio.

Complexo como a ilusão da morte, sigo buscando o caminho e a saída. Falo, e me repito, repito, repito e me repito, até um dia poder, por mim, ser entendido.

27 dezembro 2008

Tchau

Ao sair, já tarde, comentou... voltaria.

Afeito a carregar brinquedos, cada vez mais sofisticados, empurrou o que podia no fundo dos bolsos e com os fios sobrando por fora das calças correu para o destino que o esperava. Contava com os poucos trocos que foram acumulados, quase nada perto de tudo que havia custado ter chegado vivo até ali, mas o suficiente para sobrepor os inconclusivos compromissos.

Sabia que alguém poderia ter ficado triste, talvez até chorassem, ou não, quem sabe o amor fosse tanto que fizesse compreender de forma menos egoísta, dos outros, as necessidades suas. Mas não seria assim, do contrário, o anúncio da volta talvez tivesse sido verdadeiro. E não sentia, de forma alguma, um aviso cínico ou dissimulado, alivio foi o modo determinante, aliviado, e despretensioso, para abrir-lhe o caminho.

Ao sair, já tarde, determinou... não havia volta.

26 dezembro 2008

Arte

Antes que seguisse,  esticou-lhe os braços e entregou-lhe uma caneta. Espaço. Com ela, mesmo que não  percebesse, rabiscou em cada dia o pano de fundo, os caminhos e as possibilidades várias de um trajeto. 


Traços simples, riscos toscos, linhas imcompletas, mesmo que tentasse, e fora dele, somente a alguma distância seria possível atribuir-se um sentido.

Mas algo mais é impreterível, o entendimento do realizado.  Tento dar-lhe um lenitivo, quem sabe um  número pela esperança e assim também firma-lo como idade? Mas artista não mensura, nem atitude, nem comportamento, então ofereço algo entre o nascimento e a morte. 

Angustia a falta de prazo. Infinita é a tinta e a vontade.

Para o passo, que incita, iniciativa é a intenção da vida,  o desafio entre o desejo e o tempo. Para a obra e celebração de término, para o júbilo, aprazimento e gáudio, a compreenção madura de que o que importa não é a obra, mas sua essência.

12 novembro 2008

Leitura


Leitura, originally uploaded by Camafunga.

18 outubro 2008

Fresta

Quantos tempo sem abrir as janelas?
O suficiente para esquecer da vista, por isso, me surpreendi com o que vi. Não faz sol nem chuva nesta casa, mas, lá fora, o clima muda de tal modo que fica difícil definir estações e clima.
Meus pais saíram cedo o que confunde a noção de horas, eles trocam de atividade e emprego como eu de humor, tanto, que não sei qual deles me sustenta ou se me falta. 

Sempre quis um animal doméstico, agora teria a quem dedicar afago, mas sobram papéis com notas e roupas, jogados pela casa. Bagunça dedicada. Em meio, leves só os tecidos que mantém-se perfumados para sustemtar nostalgias, seletivo, recordo um período mais antigo onde o que era novo é o que  hoje me traz enfado.

Abro de canto até que a luz incomode e irrite, desvio o rosto com desconfiança do que resta desta via. Custo, mas consigo acostumar-me ao claro apelo de sair a busca, até as roupas aproveitam roubando novas cores para se  mostrarem vivas, eu, renitente, permaneço sem camisa. 
Nú em esperanças penso se retornam, ou terei que enfrentar o tudo sozinho? 

Os textos são de contas e cobranças, alertas para que não caiam no esquecimento, projetos não cumpridos associados a  tarefas de longo prazo. 

Opto por fechar, de leve, como se apagasse um curto filme, tão curto como o tempo e esta escrita,  que me restam para colocar  a casa em ordem.

18 setembro 2008

Relação


XX-X, originally uploaded by Camafunga.

13 setembro 2008

Âncora


Âncora, originally uploaded by Camafunga.

Reflito nas cores que o sol descobre, modulo como as ondas que embalam a vontade de calmaria, fixo minhas idéias até que alguém também embarque.

18 agosto 2008

Segunda -feira

Afasto as meias do teclado para ver se acho as letras. Tem mais de um copo aqui do lado, café e refrigerante, restos de um domingo de chuva assim como os farelos de bolachinha que jurei nunca mais comer junto ao computador. Olho de esquina para a cama desfeita há dois dias e desvio para a TV que não cobra, mas, não me diz nada. Sinto falta de algum dos felinos que ja tive e que fariam festa em tanta roupa espalhada. Se o círculo esta assim, quem dirá minha cabeça que insiste em se expressar.

Arredo os medos dos hormônios para ver se organizo meus pensamentos. Há vários sentidos tomando forma, pedaços de um dia mal aproveitado, borras de incongruências e bolhas de intenções não realizadas, que acreditei ter deixado de elevar junto a vida prática. Reflito por flagrante no leito desfeito e a vejo junto aos gatos como um delírio de instante. Se minha alma não se veste, por que me atrapalham os panos? Volto ao entorno e me reencontro.

Acolho um som que vem da rua, sirenes afastam o passado, enfim, hoje é segunda, mais do que eu, um dia prático. Por que dispensei a faxineira? Não vou seguir de carro! Gritos para que eu levante e arrume o corpo, considerar também os membros, enrijecer o tronco. Músculos mal aproveitados, olhos projetados por um sono sequelado. Bate o coração como bomba a espalhar apenas resultados. Contas, horas e trabalho, horas, roupas e retalhos. Invejo aqueles que se ajustam. Outra vez panos e gatos.

Não sei qual melhor argumento, o caos interno ou o intento? Lembro tanto de meus bichos que dispenso todos ritos. Mesmo assim vou-me embora, sem retorno mas com demora. Preferia o domingo mesmo com toda madorna.

16 agosto 2008

Arte

Em meio a tantos se aproxima. Passa entre, e chega até a parede branca, muito branca. Observa a tela de cimento e cal e lamenta não trazer seus instrumentos. Alheio ao povo que esbarra e segue, vaza o que o cândido vazio impulsa. Lateja uma vontade imensa, mas, sem grafite, grafita na idéia o que gravita além do que é possível ser percebido. Invade sentimentos vários, corre a mão no imaginário, traços e cores em especial agito. Aves encontram seus ares e seres mergulham em pura liberdade, treme em euforia solitária, perfeição de formas e juízo, nem abstrato nem definido, apenas sentido. Evitam, sem desculpas, passantes e corridos, entre as personas se afasta, falta público para egoísta arte, fica apenas a parede branca e a lamentável perca de uma oportunidade.

01 agosto 2008

Pelotas


Pelotas, originally uploaded by Camafunga.

Há mais de uma forma de enganar-se. Não sei se prefiro a rama ou o calcário, não defino quem chegou primeiro nem quem vai morrer a frente. 
Há mais de uma forma de assitir o mesmo evento, as ideias voam em perdidos entendimentos, ora gosta, ora repulsa. Aceito que devo me curvar as horas, mas não sei se sou de pedra ou sentimento. 

31 julho 2008

Passeio


Crianças, upload feito originalmente por Camafunga.

Corro contra o tempo. Muitas vezes o recurso esta a mão. Me dá na veneta acreditar que existam portas internas que levem à aquietação e ao acolhimento, e basta o uso de chaves certas para chegar ao aprofundar-se.

Adoro caminhar, adoro música, e no encontro destes feitiços viajo além do que vejo. Ruas, antes tristes de minha infância, viram belas referências, espelhos mágicos como de Lewis Carrol. Vou ao socorro, para ver se me acho, e transformo cada imagem em um sentimento que me compreenda. Manso, retomo de outra forma o que me incomoda, troco as cores por outras mais vivas e regresso esperançoso, como a criança de minhas ruas, como se o tempo não tivesse tanta importância.

09 julho 2008

Idéia

Perdi um post e com ele um pensamento. Tudo porque fui dar razão a quem me criticou. Devia ter sido mais seguro e ter deixado a declaração que havia ali, um recado importante com endereço e remetente, uma verdade disfarçada por metáforas. Meus conceitos são translados, como meus dias e meus afagos, nada é como se apresenta e é isso que traz apuro. Quando lamento, vibro, se acredito, choro. Não há um caminho único para o fim que desconheço, nem uma evidência que me torne inteiramente claro. Aqui, como de resto, não passo de uma metonímia, portanto continuarei escrevendo. Serei melancólico, mesmo estando vivo, e quem sabe com graça redija de outra forma uma tristeza. Perdi um post mas não perdi a idéia, esta volta nova em outro texto.

30 junho 2008

Momento

Achei o local que queria. Não por muito tempo, pois minha inquietação não vai permitir que fique aqui por perto. Abstraio por hora qualquer solicitação e deixo que a única demanda seja o silêncio e, quanto muito, o som distante das ruas.
Dia nublado é o melhor para cabular aula, dia de sol, para conversar com as paredes, de preferência de casas alheias. Se tivesse mais claro sairia para trocar idéias e, quem sabe, acatar conselhos, concretos, como dos antigos e vividos prédios.
Tenho um livro em minhas mãos, suas páginas me confortam, o título instiga pensamentos e me vejo em outro texto sem que ler seja preceito. De esguelha, e a minha maneira, espio a vida que passa, mas a vida que a vista atravessa é apenas a vida sem pressa, idéias mal concebidas, além do que perceba, mexem o olhar de fora para o que tenho por dentro. Meu mentor é também tormento, o mesmo clamor que induz á calma depois atiça e desperta. Achei o local que queria, mas meu mundo é turbulento, achei o tempo certo, este tempo é o momento.

28 maio 2008

Idade

Sinto nas primeiras letras que vou tropeçar nas idéias, sinto, na rapidez do pensamento, e pela forma que meu coração responde, que não vou conseguir fechar uma delas. Estou aberto, como ao me emocionar por uma música, cuja letra não entendo sequer o idioma, estou só pela entonação e pelo propício do clima. Abro, mais uma vez e ao acaso, o velho livro de meus dias e chego sempre nas mesmas páginas viciadas, nem adiante nem no início, quando ainda havia fôlego para enfrentar o que viesse. Conheço cada linha e todas frases, expio pelo que já deveria ter sido elaborado e condeno todas atitudes como se fossem apenas minhas, mas não são e então me acalmo. Aperta, pela falta de dias mais completos e esqueço o que de fato poderia. Sou a redenção de minhas idéias, daí não consigo evitar o ritmo, por isso em cada pausa um trote e em cada frase um recomeço, como os dias que não acompanham o pensamento.

26 maio 2008

Volta

Não é sensação nova, contrario, há algo que quero dizer mas não consigo. Fica piscando aquela luz do messenger chamando, antes seria o telefone ou qualquer outro meio anárquico de comunicação. Tenho vontade de sair caminhando pela rua, sei que não são mais as mesmas ruas mas me engano com a memória e com as falsas companhias, são as solidões, no entanto, que instigam e atraem os mesmos desamparos, e com isto, esqueço dos riscos de sair porta a fora para voltar, sabe-se lá quando, de um mesmo ou pior estado.
Fui despertado, sempre haverá algo para trazer estes momentos, mesmo que mudem os personagens, incomoda esta crescente intensidade. Eu disse, pior que não ter, é ter, mas somente a esperança, mas, ela não me ouve, permanece melindrosa a todas as dúvidas, só e suscetível. Esta frase me muda de lado, mas seria apenas um exercício, sou eu quem tem dúvidas, sustento, alimento e me abrigo em inseguranças, mas não desisto, também sou eu quem volto mesmo quando acho que é hora de partida.

11 maio 2008

Energia


Pracinha, originally uploaded by Camafunga.

Estou cansado de escrever, ou sem vontade. Hoje quis sol, dias nublados de outono, salas fechadas de trabalho. Espero os dias com a esperança de folga e luz.

Meu amigo se ilumina como criança e fala um tempo que não acompanha a idade, observo calado e recolho a observação para no momento certo revela-la como conhecimento e sabedoria. A cada dia aprendo mais no que acumulo. Pena, estou cansado para escrever, e por fim não dou espaço para abrir os minhas caixinhas, tampouco organiza-las. Acho que ja tive idéias com estas devo ter recantos que se sobrepõem sem chegar a nenhuma novidade. Deus me livre da demência seria como embaralhar todas estas informações de tal forma a nunca aproveita-las, nem difundi-las, nem ensina-las.

Também quero fugir das salas fechadas, nem que seja por momentos, meus ossos pedem o sol como catalizador de vitaminas, meus olhos para tirar o mofo das retinas, minha mente para localizar melhor tais pensamentos.

Pena que estou cansado, ou sem vontade de escrever o que me invade, o sol invade, a tarde, dias nublados de outono me esperam, espaço, luz e oportunidade.

05 maio 2008

Despertador

Acorda, é hora!

Meu relógio tem defeito,
sem sentido, roda, roda, rola.
Ao chão.
A cama atiça e o corpo rola, rola, rola, roda.

Enjôo, não!

Volto ao tempo sem motivo,
antes tarde do que sempre,
nunca, é nunca como agora, é hora, hora, ora!
Sente.

Minhas roupas estão desfeitas,
Uma pende ao colarinho,
teu vestido, lá, sozinho,
pede, pelo avesso,
mofa e repete,
amarrota,
torce e despede
de meu amarrotado carinho.

Vejo o dia no aguardo
Uma mesa me espera
o café esta passado, nada mais é o que era.
O amargo
vem do hábito,
O gosto
vem do hálito,
Mas a cama, ainda morna,
esta ora, rola, roda e verte.

Meu desejo era ver-te
mas não sei mais a que hora
meu relógio tem defeito
tem o tempo sem sentido
o sentido sem ter tempo
rola, rola, rola e rola.

preciso tratar da vida,
preciso despertar,
embora,
precise encontrar motivo
por isso...

Acorda, agora!

01 abril 2008

Despertar

Morri sem perceber.
Penso em abrir os olhos para confirmar, mas tenho dúvida. Visões antecedem o despertar, e confundo o frio intenso com o calor das últimos horas, terei que decidir desde a roupa que ora me abandona até se usarei meus óculos. Será que ainda enxergo ou somente sonho estas imagens que aguardo? Quero tocar de leve, e sentir, há um corpo aqui ao lado ou apenas um revirado? Invade um aroma sutil e agradável, agora até o eter quer reter na mistura sentido e matéria. Vou permanecer, mais um tempo, imóvel, afinal percebo-me inerte, rijo, embora leve. Meus pés se depositam sobre algo, os lábios que de sede salgo, a saliva do que me parece gosto alheio, é puro e pulsa coração e veia, mas se estou morto lateja apenas um desejado devaneio.
Morri sem perceber, e posso não estar só nesta passagem, será que devo liberar a vista? Flutuo numa conquistada realidade, liberto, caso fique confirmado o medo é falso e maltratado. Hesito, prefiro é acreditar nisso mas posso precisar morrer para permanecer vivo.

23 março 2008

Páscoa


Diário da MOrsa

20 março 2008

Tempo

Quem me conhece, e sabe destes dias, deve estar esperando algo maravilhoso por aqui, mas, eu ja disse a quem me acompanha, este espaço é atemporal, e nem sempre corresponde aos sentidos e, tampouco, acompanha os momentos, sejam bons ou ruins. Aqui posso me surpreender se o homem chegou ou não a lua, porque prefiro imagens vindas das poesias, das letras de músicas, de satélites imaginários e brilhos cor de prata, e nem importa os grandes avanços da tecnologia, porque posso ainda ficar ansioso por não receber uma mera carta, porque meus desenhos sairam tremidos, ou se meus textos não são correspondidos. Que sintonia, se aqui pode ser ontem ou algo nunca vivido? A criança espera que o dia não passe e que a noite seja breve, se vivo um novo dia, e é bom, ótimo, mas ainda assim vou me recolher aos quartos quando escurece e olhar para as janelas que protegem dos pensamentos mal compreendidos. Mas, se querem que eu diga, estou feliz, mais leve e iluminado, embora, na mesma dimensão de minha sensibilidade, por isso não mudo, mesmo que nunca fique calado.

10 março 2008

Ultímos passos..

Não é ainda o momento, é só o passo, mais um, ou menos.
Luto é rever a perda como irreversil, o inverso do parto como diz Chico Buarque, mas não deixa de ser uma gestação para nova vida, o meu esta no fim, como as horas que mantém a escuridão da noite e vulgariza seus mistérios depois que surge a luz do dia.
Queria que o tempo revertesse algumas perdas como se nunca tivessem existido, mas ai não teria jamais do que sentir saudade, mesmo a má nostalgia é um recorte da vida e no mínimo um aprendizado, até a dor é prazerosa depois que passa, nada é em vão, mas não é ainda o momento para despejar uma crônica que nasce pronta e cujo título me persegue por tantos anos.
Os passos foram dados, cada dia mais um, ou menos.

08 março 2008

Amigos

06 março 2008

Metropole Relativa

Agora percebo até onde seria possível, muito antes de ser o que vim a ser, descobri como terapia o desbravar de uma cidade maior e de sua nova e estranha cultura. Os meios justificavam os caminhos e cada fim-de-semana era como uma terapia completa, e foi assim que me encontrei estando perdido num mundo que parecia tão grande e tão mais completo, um mundo cheio de possibilidades e enfrentamentos, onde só fugi das regras e cresci vencendo as impossibilidades, os preconceitos, as normas e a moral que pareciam ir se perdendo na estrada. Foram anos de ruas e esquinas, todas com nomes difíceis e que trocam de repente quando nos acostumamos, metrópole ao mesmo tempo suburbana em sua vida alternativa e louca, coisas que só poderiam ser apreciadas se desacompanhado, meio bandeirante em estado alheio, atrás das minas dos sentidos, dos desejos e da juventude em idade. Porém a mesma estrada jogava as conquistas na volta por tanto tempo perdidas até entender, pelo amadurecimento, que a riqueza estava dentro do personagem e não no cenário, até descobrir que o potencial era da comunicação e sensibilidade que permitia compreender os sinais que poderiam estar ali ou em qualquer parte do mundo. Então, aos poucos, fui construindo aquela metropole dentro de minha realidade cotidiana, transgredi em minha casa, dei a curva em minha vida, vivi a própria cidade imaginada e esqueci, por não ter necessidade, de voltar a visita-la.
Retorno agora num momento de reavaliação e comprovo, não existe outro, consigo carregar aquele mundo e seu potencial onde, ou com quem, quer que esteja. Muito bom saber disso, meu caminho sera ao mesmo tempo mais longo e mais próximo, pois optei por fugir de estradas e falsos atalhos a me construir internamente e hoje percebo não sou o mesmo, nem minha relação com estas imagens. Porém, aproveito e digo, que ninguém tem o direito, nem a menor capacidade, por ser interior, por necessitar de cultura apurada, vivência, percepçao e sensibilidade, de furtar esta conquista. Mesmo que tentem, já é minha.

17 fevereiro 2008

Sem fotos

Gostaria em primeiro lugar de agradecer a todos que me visitaram como enfermo no dia de ontem, pena que minha imobilidade não tenha permitido fotografar a festa que foi a casa. Meu pós-operatório foi bem mais agradável do que a cirurgia em si, com direto a carinhos especiais de todos os lados já que anestesia foi econômica, como se tivessem arrancado um siso apenas com pomada de xilocaína. Estiveram aqui o Roberto, o Célio, a Celeste, a Ana Paula, a Vera, pai, mãe, filhos e espírito santo, Felipe, Charles, fora os telefonemas do Joel, da Cristina, da Rô e companhia.
Tem um hematoma enorme na minha virilha mas meu filho disse que minha vida sexual sera recuperada sem aquele adorno sobre o púbis, palavra de adolescente.

Segue a novela e e-mails piratas e orkutes falsos, só posso agradecer estar fora de tudo isso, é a minha mensagem no msn atualmente. Fico com dó da vítima embora concorde com as palavras de um amigo...

13 fevereiro 2008

Por todas as mídias.

Antes seriam livros jogados por gavetas e prateleiras, ou bolachões, igualmente empoeirados a lembrar tempos congelados, mas, nesta tecnologia de sons puros e objetos binários, sobram mesmo são discos metalizados e textos condensados em arquivos limpos e organizados. Não carregam ácaros, nem outras sujeiras, mas mantém, pelo menos, a clareza e o brilho da memória. E eu vivi estes dois tempos, da lembrança física de encontrar uma foto perdida entre as páginas, um recado, uma dedicatória ou um grifo de caneta bic, e outro, este, que só agora descompacto desde bits a velhos sentidos, e percebo, que mesmo sem saber, era moderno, bem antes de ser simples.

Encontrei, talvez, os amigos certos, e as melhores companhias, encontrei o fio perdido, a linha que une a cultura ao sentimento escondido, e volto a me emocionar além da dor, também com a mente. Sou papel e tecnologia, mas não deixo de ser quem sempre fui, eu mesmo frente a tudo que me foi dado e adquirido, séculos de outros pensamentos, anos de uma criação sem desvio. No entanto, este eu virou, um tempo, personagem a esconder como as notas e imagens, poesia e sensibilidade.

Viva o mp3, mas salve o LP, resgate a escrita e o que se lê, traços ou vetores, sejam quais forem os fatores, em qualquer ordem sou o produto destes momentos bem mais do que aquilo que determinei como tempo.

05 fevereiro 2008

De Drummond a Anjos

A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora...

Poucos percebem, alguns ignoram, será necessário um Sarau profano e definitivo para que acordem, ou quem sabe isso nem seja relevante. Tanto que tinha para ser dito ficou por muito diluído entre páginas e diários, aqui mesmo, muitos "e agora..." contra poucos até quando. Mas há mais o que me prenda, mais que a Augusto dos Anjos seus Eus e outras intimidades, há uma outra e possível realidade a que dá força e reinventa a realidade.

18 janeiro 2008

Letras fugidias

As letras aparecem e desaparecem da tela como se tivesse testando o teclado. As idéias vem projetadas em frases disfarçadas, sempre camufladas para que cínicamente sejam descobertas sem que seja explicitadas. O comentário era de que meu português era estranho, estranho é minha fala e meu pensamento, estranho é ainda ter que ficar sussurrando o que há muito já devia ter sido um grito. Então, preso em alguma parte, minha, mas que nem reconheço, me calo a espera de novo ouvinte, leitor, terapeuta ou técnico em criptografia. As letras somem e reaparecem em outra ordem, eu só mantenho o que sinto e tento inventar caminhos diferentes para a expressão de um único e profundo sentimento. Tento. Vem a mente as idéias puras transformadas em imagens abstratas que nem sempre mantém a dureza da realidade. É, as letras somem, as imagens se confundem, assim fica certas vezes minha escrita, na linha entre o retido e o declarado. Melhor junta-las a tirar da voz do que deve ser falado, ou desistir e de dar razão ao que não mais será resgatado.

04 janeiro 2008

Ando

Ando cansado. Não cansado pelo físico que ora melhor do que nunca me fortalece, nem pelo espírito que me acode e no momento necessário vem a mim e restabelece. Ando cansado pela vida, pelo que busco ou que tenho por convívio, pela falta de respostas aos mais simples, comuns e delicados dos princípios. Ando cansado, mas ando, e neste caminho me abalo, passo por trajetos nunca novos, quase sempre, conhecidos, são cenários mal cuidados, percebo que as vezes ando em círculos, ou são todos tão iguais que não divulgo, mas de qualquer forma vou e sigo. Tenho mais gás do que pensava, há reserva em combustível, meu solado é de borracha, chuto pedras no caminho, tem mais gente que acompanha, alguns buscam a mesma sorte, outros passam sem esforço, mas preferem seus enganos. Estou cansado mas não paro, nem que seja até outra vida, nem que me encontre em outro plano.

31 dezembro 2007

Mensagem

Quem acompanha esta atemporal trajetória do Camafunga percebe nas nuancias da escrita as mudanças nos dias de quem publica. Mas é um ir e vir nas datas como um relógio de ponteiros loucos e sem direção ou ritmo, ora criança amadurecida, ora um adulto mal preparado e assustado, que precisar momentos fica mais do que desnecessário, é inutil e sem sentido. No entanto, chegado o último dia deste inusitado ano, regozijo com quem me fez mais jovem, agradeço as conquistas divididas com os verdadeiros amigos, lamento as perdas sacrificadas para tudo isso, e comemoro a possibilidade de morrer para logo ali voltar a vida.

Feliz 2008!

20 dezembro 2007

Valores

Vivo a reciclar valores, sempre, não me prendo a griffes e marcas, embora minhas calças novas, só por acaso, tenha nome e sobrenome.Tiro fotos perfeitas e mensagens multimídia em meu novo celular, que também é telefone, gosto de mostrar a falta que sinto, da presença mais constante dos amigos, meu micro então é o máximo, por ele posso receber convites extravagantes como comemorar o sol em seu ponto alto, de postar sempre minhas novidades, receber críticas e agradecer aos pequenos elogios, de mostrar minhas imagens, são flagrantes ou montagens, são momentos da passagem.
Continuo a reciclar valores, agradeço ao novo brilho destes olhos, a visão que aos poucos se concerta, aos passos certos destas pernas, aos braços que permitem abraços mais fortes, o afeto por remédio.

Os raros e dolorosos encontros eram um reforço a indiferença, um esforço a entender onde ficaram a similaridades, onde estava eu este tempo todo. Cada recado não compreendido soa como uma profecia não interpretada, agora o passado ainda fala, mas depois por certo não sobrara mais nada.

19 dezembro 2007

Diálogo

Quase uma hora da manhã, a digestão está difícil. Como destas idiossincrasias mal passadas e depois arroto um misto de anseio e má vontade. Mantenho o hálito acre de desejos não correspondidos e sinto a lingua áspera pelo que não pode ser completamente dito. Queima o esôfago pelo excesso de palavras doces, e ainda arde a cabeça agora cheia de idéias não conjuminadas, álcool e enxaqueca, pulsa o coração em lugar errado, nada alivia pelo que não é encontrado, preciso de um sal de frases, urgente, como um copo de materno leite. Náusea sobe por sentir culpado, me resumo em espasmos de repente texto, gases, o fim, na busca de interesses.

16 dezembro 2007

Paris

Hoje me permito um devaneio maior, uma imagem que não é minha, num pais que nem havia sonhado, mas que tem a ver com ter ouvido a alguns dias um pedido para não ser esquecido. Viajo em pensamento pela ausência da voz desafinada embora de pronuncia e idéias corretas. Um promessa maluca tão louca mas não inviável.

10 dezembro 2007

Busca


Procuro algo que me defina. De sobressalto, mais uma vez, sinto o coração forte e disparado, estou no meio de um caminho que não reconheço, sou um rio acima do curso invadido permanentemente por mar louco e bravo, minha imagem não cabe em cartão nem em fotografia, preciso de todos os cantos e espaços, por menos, não sou compreendido, por mais, tento, mas não me permito ser interpretado. Conheço pessoas por quem me encanto e choro, preencho esperanças em expectativas alheias e, então, me desconsolo. Sigo, embora não avalie em quanto.
Procuro algo que me redefina sempre, uma paisagem limpa, agua mais tranqüila. Paz para que meu peito entre em compasso certo, e eu por perto para que mais tempo viva, vivo a busca do tudo e claro, preciso de um caminho simples onde hoje só conheço atalho.

25 novembro 2007

Em frente...

Pelo silêncio e sensibilidade logo pensei que não fosse real. Pela beleza e superação de preconceitos reafirmei que poderia ser mesmo um sonho. Pela impossibilidade, despedida pelo provável, acreditei apenas na mensagem.

Hoje foi um dia especial, ao lado oposto a todos os sentimentos perdidos incluo chances e conquistas fortes, desejos nunca antes exercitados, simples como as horas que passam bem porque estão preenchidas, depois descanso melhor porque sei que a vida continua após o que possa ser um sonho.

15 novembro 2007

Espelho Mágico

Escondidos ambos os lados, motivos diferentes, sentidos alterados
o ângulo engana e exagera a única identificação provável.
Minha luz é razoável
lucidez inevitável

Descobertos, incide a dúvida do que é reflexo ou que é imagem
sob a luz o mesmo ato, revela outras vontades
uma a angústia da perda
alíviada pelo enfrentamento e pela coragem
o outro busca nenhuma
vitória da insanidade.

Espelho de dupla face,
sempre à mão,
mas ainda sei onde me acho,
na solidão
resto de nossa identidade

10 novembro 2007

Teatro

A cena improvisada sugere uma tragédia.
No primeiro ato o personagem reclama do esquecimento voluntário e expõe a mentira nas desculpas não justificadas. É noite, embora o brilho do piso faça pensar que tenha chovido reforçando mágoa e abandono.
Segundo, a cena da cozinha. A fome supera as tristezas que a esta hora se dissipam pela rica narrativa de uma história complexa, mas o protagonista esta só, o interlocutor não aparece, apenas seu prato, um copo de cerveja já pela metade e uma leve fumaça que invade o ambiente como se alguém ali fumasse. Ambos são perdoados, embora não se enxerguem nem se entendam neste encontro. A obra é um monólogo. Há apenas uma sombra, até que o palco todo se ilumine transfigurando de sala a quarto. Surge da luz uma cama, imensa e impecável de arrumada. O personagem deita de botas, as calças ainda estão molhadas. Silêncio põe fim ao texto. A peça esta acabada.

07 novembro 2007

Reflexão

Tenho evitado ser claro, mas também não me visto do breu que a situação exige, fico nas meias palavras forçando futuras conquistas, ou nas vitórias verdadeiras arrastadas em linhas que estão presentes, mas que não se assumem. Há um tom que é um misto, do cinza a um leve azul, colorido, da luz que oferece matiz mas que nega a cor o seu brilho. Assim tem sido meus textos, também meu diálogo, e meu rito, porque perdi interesses, mas a comunicação permanece e é meu grito. Alô! Que me ouçam, estou vivo, repito como aviso: quero reencontrar minha vida seguindo o mesmo e um novo caminho. Se faço isso na tela, no texto ou num plano de vídeo não vou além do que posso, mas vou até onde é possível. Não fico no tempo de ontem, não choro todo o tempo perdido, mas lamento que poderia ser claro, que havia outra luz e um sol, até então mais bonitos.

05 novembro 2007

Visual

Pedi um cabelo simples. Ja estava acostumado a acordar pronto e penteado. Mas insisti numa nova face, ganhei foi um corte arrojado, mas não me poupado de trabalho.
Quis mudar o guarda roupa, camisas moravam nas calças. As golas sempre fechadas, em cores que não dizem nada. A moça da loja entende, atende com panos quentes, eu saio remodelado, leve, mas quase pelado, ela diz que fiquei bem, que pareço mais atraente que serie também mais notado.
Me aperta o calçado, não costumo usar tênis, me incomodam os cadarços, caminho, o trajeto ainda é longo, mas sigo de vez em frente. Fico no meio do caminho, mas apenas no modelo, um "pisante" confortável, um pouco mais arejado, um sapato maleavel para um pé mais resistente.

Chega a hora do espelho, pior é que me reconheço. Não mudou tempo ou idade, não estou tão alterado, apenas a mesma pessoa que estava esquecida, por si, deixada de lado.

03 novembro 2007

Razões

Nunca achei que fosse perfeito. Minhas reações ficam apenas na medida do que o sentimento e a razão se permitem. Mas esta guerra é insana e as vezes a gente atende ao que o coração chama.
Não vou mentir que fiquei, como nas letras de música, feliz em saber que sofria, que a mesa de bar é pequena e nem todo álcool sacia. Toco desde então os meus dias, amplio a voz na escrita, incorporo a música melodias, me exponho, enfrentando desejos, e erro, porque faz parte da vida.

02 novembro 2007

Revelação

Parece que não despertei, mesmo escrevendo com a luz do monitor nos olhos e o reflexo de um sol forte, passam imagens turvas misturadas de outros dias, de outras vidas, de outros tempos.
Alguém me disse que acordado redijo como se estivesse em transe, e em transe não sei o que registro, por isso se seguir serei mais desconexo, ainda menos preciso, ou, ao contrário, talvez imprima a verdade que fica sempre escondida entre minhas letras. Será?
É um risco. Por isso prefiro parar no próximo ponto, antes que se esgote o sentido para os próximos textos.

28 outubro 2007

Culinária

Come-se a sopa pelas bordas.
A vingança é um prato que se come frio, como uma sopa.

Minha mãe tinha uma receita ótima, que como mãe, acabou não ensinando. Era para que a gente voltasse mesmo depois de saido debaixo de seu colo para provar e dizer que estava ótimo. Eu gostava de "canja de guampa" como ela denominava o prato a base de rês mas feito a semelhança de um caldo de galinha. Ali ia massa, verduras e tantos temperos que misturados a gordura da carne previamente frita na mesma panela, davam gosto de tudo, menos canja. Um dia, por me ver mais deprimido, ela me deu a receita, mas, mesmo com todo ensinamento, saiu apenas um arremedo. Naquele tempo eu tinha com quem dividir o prato e o gosto, mas não o significado.

As vezes esqueço detalhes como este, outras penso que não tive estes tipos de carinhos. Uma sopa e tantos sentidos, e nem era este que eu pensei em ser anunciado.

Acontece que o prato ainda esta quente e tenho medo de queimar os lábios, vejo mais o que esta no centro sem perceber o que já é possível pelos lados. Preciso ter um pouco mais de paciência. Minha mãe até deu a receita, mas não ensinou como se dá o deleite.

Camafunga

Este é Antenor Castro, mais de noventa anos, o "pai do Camafunga". Foi este senhor, amigo do meu pai, que há muitos anos deu este apelido, sei la de onde e sei lá porque. Nunca mais, por muito tempo, e muito mesmo, o havia visto, mas lembrava do rosto e fisionomia, confundindo um pouco com outros tantos senhores daquela época. Ele não imaginava que o nome seria personagem e que um dia ganharia vida. De qualquer modo, mesmo que agora nem se lembre, obrigado!

27 outubro 2007

Visão

Vi quando passou, era como se esperasse. Dificil digerir, mas não impossível.
O peito aperta pela imagem que se associa mas não mais o que devia.
Tinha opção e escolha, mas não maiores alternativas, alterno entre a certeza e a dúvida, entre a realidade e o que queria. Mesmo distante existe uma proximidade interna que não se desfaz tão fácil.
Tantas coisas neste meio, "Over, somewhere...", volta na praça, qualquer companhia pode ter seu preço. O meu é alto, mais do que mereço. Mesmo assim caminho e repito as voltas, as vezes me levam a calma, as vezes não levam a nada. Foi-se o tempo dos automóveis, meus pés estão ligeiros, as luzes ofuscam mas não adiantam, escondo a face no travesseiro. Portas fechadas, todo silêncio, a noite é longa para quem chegar primeiro.
Vi quando passou, imagem, não sou mais eu neste espelho!

23 outubro 2007

Nota da Madrugada 02

Sei que a cara deveria ser melhor, também a postura e a atitude.
Sei que o momento deveria ser mais pleno, como o tempo que não muda o rumo.
Sei que nem toda fala corresponde escuta e que o silêncio pode ser pior do que o grito.
Sei que o fim será pior para os mais fracos, menos equilibrados ou os mais aturdidos.
Sei que para tanto, quanto mais aos exageros, é preciso ter recursos, e recursos serão findos.
Sei que mesmo sem direcionamento a mim e a todos terá atingido.
Se sei tudo porque ainda penso, não havia conclusão prévia nem mensagem póstuma que avise?
Preciso melhorar a cara, a postura e a atitude.

17 outubro 2007

Sobre perdas...

Apenas o título.

12 outubro 2007

Para bom entendedor...meia pataca!

Chega o frescor do amanhecer e nem um traço de sono foi tirado, mesmo em casa com todos os ventos e chuvas que castigam, vem, por uma indiscreta janela, a frescura de uma juventude que se manifesta plena, plena de mim em todas trocas e indiscutíveis possibilidades, expontanea e leve sem o rancor das mágoas. Enquanto isso, só em sua fantasia pobre, Quixote dorme a postos com suas enfeitadas e inúteis armas. Assim será mais fácil, em breve, liquidarei sozinho meus próprios medo.

24 setembro 2007

A parte

Sem dor, pelo momento, não me reconheço no que foi perdido.

Hei de entender na dimensão do tempo, pela riqueza dos fatos e detalhes que nos diferenciam, que deveria estar aqui pela lamúria de uma triste descoberta, da traição composta pelo peso destes anos, o que devia ser chamado assim: por uma vida inteira!
Além, ou mais, sem desespero agudo, me apresento nú apenas sentimento, mesmo que leve, sinto um alívio próximo, até hesitante acato o esperado. Então, troco a conquista do que não foi possível para ir além do que imaginado, um respirar mais puro a inspirar sentidos, um olhar maduro mais valorizado. Reconheço, embora sofra, com sobrado medo, o que foi forjado pela mentira, e mantida vivo em cínico segredo, em troca, me solto livre do amargo gosto da bebida alheia, do desagradável tabaco, mesmo que não fume, do feliz adeus ao corpo, muitas vezes rígido, dos atos falhos que não se permitem retribuir afagos, por fim, é o fim da inconstância das opiniões reversas, de caras as avessas e de retaguardas, dos receios constantes agora fundamentados, do desconfiar correto que não foi tratado.

Sem dor, pelo momento, feliz me compreendo. E esta é só a primeira parte.

17 setembro 2007

Convidado: Solitude


Sol itude, originally uploaded by Camafunga.


ensolarado casarão de antigamente
que doura a tarde
e espalha reflexos nas manhãs
quantos passantes forjaram suas calçadas
quantos amantes suas camas festejaram
e a infinidade de enredos que abrigou
agora jaz sob um sol preguiçoso
enclausurado no crepúsculo
seu visitante solitário
lembra ali sentado
da sua própria sorte
ou quem sabe a sorte do sobrado
e seu olhar perdido
alcança na linha do horizonte
alguma coisa do futuro
se contrapondo a uma
infinidade do passado...

Luiz Tarciso Souza

12 setembro 2007

Entre bules e crenças


Bules, originally uploaded by Camafunga.

09 setembro 2007

História


Eu não creio em bruxas mas conheci uma outro dia.

Uma situação real há poucos dias vivida, fez-me lembrar o teatro. Não creio em fadas ou monstros, mas, desde o primeiro contato, tive certeza, estava diante de um caso. Um pouco, influenciado por suas histórias, de sovinice e alardeadas maldades, embora da, agora, defunta, bem além do preconceito, bastou sua mão semi-estendida, os dedos frios e curvados, a falta deles um aperto, para que eu recuasse assustado. No entanto, por consideração a filha minha amiga, o genro e um cunhado, acompanhei-a até o buraco.

Odeio, de qualquer forma, velórios, mas dos poucos que não puderam ser evitados, este foi o mais diferente, quem sabe dos mais bizarros. Além do público pequeno, da falta de um choro motivado, a aura que estava presente era mesmo de alívio, um alívio generalizado. A entrada uma coleção de fotos, de filhos, netos e enteados, todos sorrindo e vivos, num mural improvisado. Tinha mais foto que gente, poucos de corpo presente, a minoria amigos, mas também não pareciam sofrentes. Os diálogos em volta da tia eram sobre o clima e o dia, que não fora de nada apropriado, pois tivesse escolhido uma segunda, estava frio para sair tão cedo de casa, e afinal, aquele era feriado. Alguém fez um comentário breve, mais pessoal sobre a falecida, que era viciada em compras, em bingo e artesanato, mas nada mais interessante, afetivo, triste ou engraçado. Dado o rito por findo, o mortório encerrado, o defunto despedido, definitivamente encaixotado, foram todos para as casas aproveitar o tempo que restara. Antes porém um cuidado, algo que aos estranhos fez chocado, as filhas colocaram com jeito, leve, sobre o travesseiro da ida, sob a cabeça mais rígida a tal coleção de retratos. Todos sorriam apertados, e para sempre seriam lembrados.

Do que soube no dia seguinte, ou nem dois dias passados, que já haviam dividido a mobilia, as louças, as bebidas e os trapos, da casa grande vazia não ficara mais nem um sapato. Avareza será hereditária, ou foi mal criada esta gente? A verdade é quem nem fria as paredes, a casa estava alugada.

Fui visitar minha amiga, mas por outros e amenos motivos. Notei um entulho de sobras, peças por todos os lados. Quadros demais nas paredes, louças saindo do armário. Um piano que era tão fino parecia ali só jogado. Ainda era inverno este dia, mas eu estava atrasado. Pouco aproveitei da lareira e parti impressionado. Não era a mesma casa que conheci, a atmosfera cheirava a passado. Julguei estar exagerando, talvez mal impressionado, afinal eram as coisas da morta, não enfeites programados.

Menos de duas semanas passadas recebo um telefonema, era minha amiga de voz ainda mais embargada, em meio a um pranto cortado, pensei que era caso de morte, a mãe eu ja tinha enterrado, quem seria agora, alguém mais foi premiado? Não era material o sofrimento, notei pelo choro emocionado, era a casa que havia queimado, não sobrava dela mais nada. Mobilia, casacos e cacos, nem louças ou sequer sapatos, ficaram apenas umas fotos em um canto preservado. Eram fotos da cuca, bruaca. E eu, confirmei o antecipado, não creio em bruxas mas conheci uma delas outro dia.

07 setembro 2007

Quarar


Salve o sol!, originally uploaded by Camafunga.

E saiu o sol.

03 setembro 2007

Brincadeira de Criança


Estilingue, originally uploaded by Camafunga.