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| Quadrado |
O Quadrado é um ancoradouro de barcos localizado no bairro das Doquinhas, junto ao Porto de Pelotas.
Foi, e é, um local de pesca localizado quase no centro da cidade.
Mais fotos no Flickr/camafunga
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| Quadrado |
| Café da manhã |
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| Nem Quadrado nem Laranjal : Lanche no Aquário. |
O simpósio, o banquete e o festim crismam-se como instituições sociais. E vinculam-se a todos os gêneros literários. O calor e as emoções do convívio abrangem inúmeros registros: da conversa amena à sátira mordaz, dos propos de table à oratória, dos almoços de negócios aos jantares diplomáticos e às ceias fúnebres. Embora dissimulada, a pretexto de mais nobres objetivos, a sensibilidade gustativa se faz aí representar: é em torno da mesa, sob a inspiração de um cardápio, no horário costumeiro das refeições, que os comensais se reunem. E o gosto fatalmente se insinua. A consequencia dessa ambiguidade? A metáfora do saber e do sabor: a língua que sabe é a língua que saboreia, que degusta.Fonte: Refeição e convívio
QUEIROZ, Maria José de. A literatura e o gozo impuro da comida Rio de Janeiro: Topbooks, 1994. p. 20.
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| Camafunga, Nat Redu, Etti Mattos -anfitriã da noite - e Caetano em open house gaúcho. |
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| Colegas em movimentado evento de final de ano do HMP. |
Galinha
A agitada comemoração de final de ano do HMP contou com a nata da saúde da cidade.
Entre médicos e colaboradores a presença de representantes de outros importantes setores de nossa sociedade. O ecônomo do Clube de Subtenentes e Sargentos encantou a todos pela temperatura dos refrigerantes. No cardápio, além do buffet de saladas tropicais a delícia das galinhas do Luciano. No evento a merecida homenagem a funcionária Rosinha (centro da foto) pelos seus 75 anos de serviços, sem ter quebrado um ovo nem ter posto atestado.
Vaca e Ovelha
Em encontro petit comite estiveram reunidos para despedida de solteiro no maravilhoso apartamento de Etti e Dani: Camafunga Soares, Nat Redu entre outros. O churrasco (com um tom de barbecue) elaborado pelo dono da casa, foi de rês e ovelha acentuadas no sabor pelo uso de poivre de Cayenne - original da França onde moraram por alguns meses. Mas como ninguém é cordeiro a língua correu solta.
Cachorro
Lisa, a Boston Terrier e Donna, a black Pug premiada, foram vistas em passeio diário com seu "personal dog" durante a tarde de ontem. Ambas preparam-se com condicionamento físico para procedimentos plásticos com renomado cirurgião veterinário; a primeira uma correção no abdomem (hérnia) a segunda uma rinoplastia para melhorar o aspecto, a respiração e diminuir o ronco.
Maria Cristina acordou cedo depois de uma noite nem dormida; passara sonhando com o momento de usar o "coutil branco" que prometia deixa-la com cinturinha de marimbondo. A mãe, vindo do Rio, trouxe um lindo chapéu de feltro, debruado em tufos de tafetá presos por um discreto broche de penas pretas. Hoje ela fará 15 anos - única das filhas a chegar a tanto: Maria Eugênia morrera pela espanhola e Maria Eudóxia por uma febre intermitente. Eram muitos os presentes a esperar nos pés da cama: vestido de veludo bege, colete de piqué claro e botas com botões de pelica, tantos que na emoção nem percebera... o calor que prometia. A festa começará cedo, quem sabe ali um pretendente - a mãe queria um moço simples, o pai o filho do intendente. Passara bem no curso de asseio, das flores os mais belos arranjos. Júlia Lopes lhe ensinara os caldos, que deixava para o irmão quando voltava dos Correios. Chove tanto em Porto Alegre que talvez alguns se atrasem, outros provável não cheguem, muitos, nesta enchente, nem venham.
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| Amandio Nunes |
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| Praça Pedro Osório |
| Mauro no Ponto Chique. |
| Café Aquário a tarde. |
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| Praça Pedro Osório |
| Janta em casa |
Antes que seguisse, esticou-lhe os braços e entregou-lhe uma caneta. Espaço. Com ela, mesmo que não percebesse, rabiscou em cada dia o pano de fundo, os caminhos e as possibilidades várias de um trajeto.
Corro contra o tempo. Muitas vezes o recurso esta a mão. Me dá na veneta acreditar que existam portas internas que levem à aquietação e ao acolhimento, e basta o uso de chaves certas para chegar ao aprofundar-se.
Adoro caminhar, adoro música, e no encontro destes feitiços viajo além do que vejo. Ruas, antes tristes de minha infância, viram belas referências, espelhos mágicos como de Lewis Carrol. Vou ao socorro, para ver se me acho, e transformo cada imagem em um sentimento que me compreenda. Manso, retomo de outra forma o que me incomoda, troco as cores por outras mais vivas e regresso esperançoso, como a criança de minhas ruas, como se o tempo não tivesse tanta importância.
Estou cansado de escrever, ou sem vontade. Hoje quis sol, dias nublados de outono, salas fechadas de trabalho. Espero os dias com a esperança de folga e luz.
Meu amigo se ilumina como criança e fala um tempo que não acompanha a idade, observo calado e recolho a observação para no momento certo revela-la como conhecimento e sabedoria. A cada dia aprendo mais no que acumulo. Pena, estou cansado para escrever, e por fim não dou espaço para abrir os minhas caixinhas, tampouco organiza-las. Acho que ja tive idéias com estas devo ter recantos que se sobrepõem sem chegar a nenhuma novidade. Deus me livre da demência seria como embaralhar todas estas informações de tal forma a nunca aproveita-las, nem difundi-las, nem ensina-las.
Também quero fugir das salas fechadas, nem que seja por momentos, meus ossos pedem o sol como catalizador de vitaminas, meus olhos para tirar o mofo das retinas, minha mente para localizar melhor tais pensamentos.
Pena que estou cansado, ou sem vontade de escrever o que me invade, o sol invade, a tarde, dias nublados de outono me esperam, espaço, luz e oportunidade.
Hoje me permito um devaneio maior, uma imagem que não é minha, num pais que nem havia sonhado, mas que tem a ver com ter ouvido a alguns dias um pedido para não ser esquecido. Viajo em pensamento pela ausência da voz desafinada embora de pronuncia e idéias corretas. Um promessa maluca tão louca mas não inviável.
Este é Antenor Castro, mais de noventa anos, o "pai do Camafunga". Foi este senhor, amigo do meu pai, que há muitos anos deu este apelido, sei la de onde e sei lá porque. Nunca mais, por muito tempo, e muito mesmo, o havia visto, mas lembrava do rosto e fisionomia, confundindo um pouco com outros tantos senhores daquela época. Ele não imaginava que o nome seria personagem e que um dia ganharia vida. De qualquer modo, mesmo que agora nem se lembre, obrigado!
ensolarado casarão de antigamente
que doura a tarde
e espalha reflexos nas manhãs
quantos passantes forjaram suas calçadas
quantos amantes suas camas festejaram
e a infinidade de enredos que abrigou
agora jaz sob um sol preguiçoso
enclausurado no crepúsculo
seu visitante solitário
lembra ali sentado
da sua própria sorte
ou quem sabe a sorte do sobrado
e seu olhar perdido
alcança na linha do horizonte
alguma coisa do futuro
se contrapondo a uma
infinidade do passado...
Luiz Tarciso Souza