18 dezembro 2011
Sobre ontem a noite...
Inauguração da panela de yakisoba comprada semana passada no Engenho São Paulo. Aprovada, receita, companhia e tempero.
16 dezembro 2011
Quarto
Querido diário, tomei uma atitude.
Noites de insônia até a primeira providência: trocar o colchão! Também, depois de quatro casamentos, e histórias sobre "vudus" de ex incorporados... comprei um novo e taquei fogo no antigo.
Depois, foi virar os móveis. Comprei um livro de "feng shui" no sebo do mercado, e por horas de atenção sobre o sentido do vento, orientei a cama para o noroeste -um pouco mais a esquerda - bem longe das janelas. A estrutura de madeira, que é neutra, evita acúmulo de energias e sobre ela pendem agora: um filtro de sonhos - para os pesadelos mais pesados; e um cristal multifacetado (já que não havia espaço para um biombo) para manter os fluidos leves antes de fugirem pela porta do banheiro.
Adoro gatos, mas pela lógica de melhor companhia troquei a raça. Difícil foi encontrar o tal do Korat Tailandês que dizem atrair mais sorte, e sinceramente, não pude deixar de perceber o olhar de tristeza do meu velho persa pelo vidro da Kombi, pendurado entre o criado-mudo e a penteadeira, todos doados para a tia Ana Maria, que tem uma casa grande mas que vive sozinha.
Apesar de pequeno, um tapete oriental com arabescos ao lado do cama para descarregar a primeira e última pisada do dia.
Para a iluminação, uma cortina de luz com a temperatura adequada para o equilíbrio e bem estar, fraca, mas que em alguns dias devo me acostumar, ou seguirei a tropeçar no gato ou derramar leite no soalho. Telas trazem irradiação então aboli televisão e monitores.
Enfim, paz, silêncio e calma.
E dois lexotans, porque ...
15 dezembro 2011
14 dezembro 2011
Dias mais tranquilos
Desde cedo vinha com dor de cabeça, mas aquele devia ser um dia mais tranquilo.
O carteiro esqueceu meu endereço, ou estou mais organizado do que antes. A única missiva foi o aviso de que havia uma encomenda na posta restante. A esta altura nem lembro mais onde fica a sede do correio, mas não lembro também nem o que almocei a pouco, e isto me incomoda, assim como não conseguir evocar o nome de alguns amigos não tão distantes, mas necessários em horas importantes. Volto a cefaléia, ou será que não falei nela?
"Começou como uma fisgada no lado direito depois passeou sobre os olhos até o outro, alojando-se por fim fixamente na mandíbula, atrapalhando raciocínio e senso."
Por isso esqueci e tornei a atender todos os telefonemas como intransferíveis.
Meu cachorro tem cara de leitão, e não entende porque não brinco com ele, retribui meu raro afago com careta e só não lhe boto a língua porque, mesmo só, sentiria-me ridículo.
As ligações são de banco oferecendo cartão sem limite, quando deveria ser sem crédito; uma moça, perguntando se eu não tinha emprego para lhe oferecer - oferecida - diz que podia ser desde babá a faxineira, talvez meu filho, adolescente, até gostasse, mas estou de cara com seu rendimento e tantas saidas sem volta pelas madrugadas, que dispensei a coitada. Entre outros, ela...
Ela, sempre ela, a insistir preocupada, não sem antes reclamar do porquê em demorar para atender o telefone. Queria saber se havíamos ficado bem na outra noite. Quis ser grosseiro, mas, como sem óculos não identifico chamadas, atendi na simpatia. Era para inventar uma desculpa para a rápida despedida, ou ter citado alguém para alimentar o imaginário doentio e ciumento -mas sou péssimo para nomes nesta hora. Bem, que cada um passe por seu momento, no de hoje sou um telefonista portador de enxaqueca, e me rendo.
O vinho - foi ele a unir as duas passagens. De baixa qualidade, e doce, não foi suficiente para aquecer o ambiente, nem as velas - nanicas - que apagaram-se nos preâmbulos.
Ela, sempre ela, falando sem parar de seus problemas cotidianos, constante até que minhas veias passassem a pulsar mais do que pelo efeito do álcool ou pelo cheiro da benzina que, enganado, usei para tirar o resto de parafina.
O telefone toca, novamente, o tinido repercute no cérebro que não quer mais discutir a relação, nem os fatos ou o sistema.
O que foi mesmo que encomedei pelo correio? Tomara fosse uma nova cabeça. Não... foram velas - místicas e milagrosas.
Na posta, a aposta tardia, de distantes dias mais tranquilos.
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Parente da Lisa - Boston Terrier
Para a Donna não deixar de ser homenageada:
via the internet pug database
13 dezembro 2011
O Muro
Primeira terça de folga sem os assombros das últimas semanas. Correndo tudo bem, sexta-feira ja tenho a sentença que comprova a parcela da pensão para a malha fina. Depois de tandos anos e todas as reviravoltas, só a Receita Federal para não respeitar nossas conquistas, mas que seja, a esta altura, já intimado, prefiro pagar o que for autuado a ter que ficar correndo atras de documentos.
Hoje deu tempo para café, conversa com circunstantes, um momento de terapia, e muito contato com os filhos. O almoço foi "almodovariano" com ex-esposa, filhos, amigos, primos, atuais e desconhecidos.
A foto do muro de engradados é uma homenagem ao Roberto, Daniel e Matheus.
12 dezembro 2011
Inadequado
| Simples |
Por isso quase visto umas bermudas, inadequadas para uma segunda-feira, mas que, não por acaso, estão ali na cadeira porque comprei-as no domingo, final de tarde, com o comércio aberto, e cheio, devido as festas natalinas.
Se disser que odeio, não é para tanto, mas, não me sinto muito a vontade nesta época. Começa pelos primeiros dias de calor - insuportáveis- depois, as correiras: filas de bancos; povo demais nas ruas; gente de menos para ajudar no trabalho.
O pensamento de muitos esta na possibilidade de fuga -isso para quem tem férias, ou para quem pensa que pode. No trabalho a briga pelas escalas, afinal todos tem crianças em escola, ou querem pegar uma praia, ou simplesmente ferrar o colega só estava "preso" no ano passado... Aos separados a pergunta: "este ano no Natal, com quem ficam mesmo os filhos?". Os homens preferem a virada, os amigos também. Estes tentam forçadamente um encontro - depois da ceia da família; depois de meio embriagado; depois que o trânsito estiver calamitoso... - estresse e dor de cabeça.
O calor...não há roupa com ar refrigerado, nem pele que não transpire mesmo embaixo d'água. Não sei se vou ter folga nem onde vou passar os feriados (?) mas hoje, acordei virado e por pouco não vou trabalhar de calças curtas.
11 dezembro 2011
Quadrado
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| Quadrado |
O Quadrado é um ancoradouro de barcos localizado no bairro das Doquinhas, junto ao Porto de Pelotas.
Foi, e é, um local de pesca localizado quase no centro da cidade.
Mais fotos no Flickr/camafunga
"Ta dominado..."
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| Café da manhã |
O café foi o final do caminho, e me custou, além dele, uma rifa, mas valeu a pena...
10 dezembro 2011
Comida
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| Nem Quadrado nem Laranjal : Lanche no Aquário. |
O simpósio, o banquete e o festim crismam-se como instituições sociais. E vinculam-se a todos os gêneros literários. O calor e as emoções do convívio abrangem inúmeros registros: da conversa amena à sátira mordaz, dos propos de table à oratória, dos almoços de negócios aos jantares diplomáticos e às ceias fúnebres. Embora dissimulada, a pretexto de mais nobres objetivos, a sensibilidade gustativa se faz aí representar: é em torno da mesa, sob a inspiração de um cardápio, no horário costumeiro das refeições, que os comensais se reunem. E o gosto fatalmente se insinua. A consequencia dessa ambiguidade? A metáfora do saber e do sabor: a língua que sabe é a língua que saboreia, que degusta.Fonte: Refeição e convívio
QUEIROZ, Maria José de. A literatura e o gozo impuro da comida Rio de Janeiro: Topbooks, 1994. p. 20.
Passeio
Hoje é sábado e embora tenha que trabalhar a noite estou pensando em juntar a gurizada pra dar uma volta.
O dia já fez suas caretas, ora parece que vai cair água, ora o sol chama para a sombra. O pessoal de casa esta espalhado, até o filho foi contratado para um trabalho temporário (só esta tarde).
Aproveito para pensar em um itinerário típico destes dias:
Coluna Social
Agora o fato visto pelo olhar de nosso cronista social de plantão.
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| Camafunga, Nat Redu, Etti Mattos -anfitriã da noite - e Caetano em open house gaúcho. |
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| Colegas em movimentado evento de final de ano do HMP. |
Galinha
A agitada comemoração de final de ano do HMP contou com a nata da saúde da cidade.
Entre médicos e colaboradores a presença de representantes de outros importantes setores de nossa sociedade. O ecônomo do Clube de Subtenentes e Sargentos encantou a todos pela temperatura dos refrigerantes. No cardápio, além do buffet de saladas tropicais a delícia das galinhas do Luciano. No evento a merecida homenagem a funcionária Rosinha (centro da foto) pelos seus 75 anos de serviços, sem ter quebrado um ovo nem ter posto atestado.
Vaca e Ovelha
Em encontro petit comite estiveram reunidos para despedida de solteiro no maravilhoso apartamento de Etti e Dani: Camafunga Soares, Nat Redu entre outros. O churrasco (com um tom de barbecue) elaborado pelo dono da casa, foi de rês e ovelha acentuadas no sabor pelo uso de poivre de Cayenne - original da França onde moraram por alguns meses. Mas como ninguém é cordeiro a língua correu solta.
Cachorro
Lisa, a Boston Terrier e Donna, a black Pug premiada, foram vistas em passeio diário com seu "personal dog" durante a tarde de ontem. Ambas preparam-se com condicionamento físico para procedimentos plásticos com renomado cirurgião veterinário; a primeira uma correção no abdomem (hérnia) a segunda uma rinoplastia para melhorar o aspecto, a respiração e diminuir o ronco.
09 dezembro 2011
Um dia especial
Por mais importante que pareça, perda de sono ou ansiedade que carreguem, o tempo destrói os encantos mudando de vez gostos e realidade.
Maria Cristina acordou cedo depois de uma noite nem dormida; passara sonhando com o momento de usar o "coutil branco" que prometia deixa-la com cinturinha de marimbondo. A mãe, vindo do Rio, trouxe um lindo chapéu de feltro, debruado em tufos de tafetá presos por um discreto broche de penas pretas. Hoje ela fará 15 anos - única das filhas a chegar a tanto: Maria Eugênia morrera pela espanhola e Maria Eudóxia por uma febre intermitente. Eram muitos os presentes a esperar nos pés da cama: vestido de veludo bege, colete de piqué claro e botas com botões de pelica, tantos que na emoção nem percebera... o calor que prometia. A festa começará cedo, quem sabe ali um pretendente - a mãe queria um moço simples, o pai o filho do intendente. Passara bem no curso de asseio, das flores os mais belos arranjos. Júlia Lopes lhe ensinara os caldos, que deixava para o irmão quando voltava dos Correios. Chove tanto em Porto Alegre que talvez alguns se atrasem, outros provável não cheguem, muitos, nesta enchente, nem venham.
Família
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| Amandio Nunes |
Esta retrata o "Velho"Amandio, avô do meu avô, combatente da Guerra do Paraguai, homem polêmico e rígido, fez história em Arroio Grande, seu filho, que tem o mesmo nome de meu pai - João Félix Soares - foi intendente por anos nesta cidade, mas aí é outra história.
08 dezembro 2011
Viagem próxima
As imagens acima fiz na última viagem a Buenos Aires no início deste ano.
Tudo pronto para a próxima: roteiro, passagens e passeios. O destino não revelo ainda, mas se tudo correr como esperado teremos novas e interessantes imagens.
Plantão
Três horas da manha e nada de conseguir dormir: "a noite passada até morreu gente" - disse a Ettiene, em uma mensagem feita como esta na madrugada. O Jô anda sem graça, e começa cada dia mais tarde. Em casa não ouço mosquito, aqui eles "mordem". Meu pescoço tem alergia a aparelho de barba, ontem cheguei sangrando à Receita, hoje, festejam os insetos. Pode ser que daqui a pouco acalme; tenho fome, mas faltam horas para abrir a padaria, agora só tenho um resto de Schweppes - Citrus, mas beber não me animo, tenho medo acordar outra azia. Adoro pão prensado com presunto, mas o dali venho associando a cansaço. Parei com a mania de fazer fotos de xícaras, algumas que ganhei pelo hábito, sequer no album estrelaram - sobrou, entre elas, a que late e outra, com o Gardel estampado, que imita um tango quando aquecida. Como som não aparece na imagem deixei-as para outros dias.
As janelas, por economia, acompanham a luz desde o nascer do dia, em breve vai brilhar este quarto - são altas e não existem cortinas. O ar deixou o ambiente gelado, padeço como em câmera fria. São três horas da manha e nada de dormir, não consigo. Esqueci até a hora em que fico, nem se volto, se tenho ou não outro compromisso. Os medos, como pesadelos vivos me assolam, nesta hora não sou crítico. Não sei se sou de fato inocente ou será que pratiquei algum delito? Só preciso acomodar o travesseiro, usar um spray para mosquitos. A luz, que ora me acalma, é tênue, a luz é o que sai deste micro.
07 dezembro 2011
Fim-de-tarde
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| Praça Pedro Osório |
Buscando uma relação mais direta com as redes sociais - e direcionado para para este tipo de público- o conteúdo, antes publicado no primeiro, passa a ser atualizado aqui: no Diario de Canto.
"De canto" não é alusão a música ou algo que a valha, se isso fosse talvez iniciássemos desafinando, mas sim, por uma conotação mais privada e para conhecidos.
De resto, para os que já nos acompanhavam, fiquem a vontade para curtir, comentar ou divulgar o que possa aparecer de interesse.
Imagem
| Mauro no Ponto Chique. |
06 dezembro 2011
Amelianas
05 dezembro 2011
Atemporal
Como na literatura, entendo que nasci um velho que precisou aprender, que apesar de complexa e finita, a vida é uma chance fugaz de aprendizado e rejuvenescimento. É na saudade de algo nem vivido, no olhar e na história de quem já passou por tanto, que busco sentir-me esperançoso. Depois, coberto de compreensão e em qualquer tempo, antes que esta situação se inverta, faço o que ainda pode ser feito: escutar como um menino.
04 dezembro 2011
Adjetivando
Mas que nada.
Depois de alguns dias para lá de reflexivos, agradeço a força de não sucumbir ao cortar dos pulsos ou ter que recorrer a pesados antidepressivos. Agora, no "Jazz Medley" - pela exótica e maravilhosa "Webradio Jazz de Varginha" - escuto Sarah Vaughan acolchoada por rico coral ao estilo "pano-de-fundo Broadwayano". Tomo coragem, abro a mão e tiro o lacre da Marula fruit and cream (Amarula), comprada por uma pechincha aqui em Rio Branco, só lamento não ser chegado ao tabaco para tornar mais melancólica a construída cena. Como diria o meu filósofo preferido - Cid Renê (ou teria sido o JC Cavalheiro?): "o que não tem como ser resolvido, estragado fica...", então, até que surja a solução ou um braço amigo, sigo sozinho, curtindo leve algo como as cenas descoloridas de um filme antigo.
03 dezembro 2011
Fim - de - Semana
| Café Aquário a tarde. |
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| Praça Pedro Osório |
| Janta em casa |
Gente nova, gente antiga, a revesar nas horas do fim-de-semana.
Bem vindos Paulo e Pedro, Letícia e seus penduricalhos.
A janta da Vera custou a compra de uma panela de paella no Engenho São Paulo; a Vera custou a compra de uma mesa do Brique que nem foi pago; as fotos custaram o encontro de outros amigos para o dia seguinte; o encontro custou uma sessão de cinema com pipoca; a sessão custou a percepção da Donna ofegante que custou uma ida ao veterinário, uma indisposição familiar e a falta da mesma para a primeira aula de adestramento. O adestramento custou uma fofoca sobre o profissional e o veterinário, mas aí já é outra história e seguir não custa nada.
02 dezembro 2011
Perdi
Perdi a linha, perdi o risco
Perdi o senso do bom-termo
Perdi a hora e a condição
Queria perdir um tempo
Quem sabe a paz...
das tuas mãos?
Camafunga
27 novembro 2011
Passado
Ontem foi o lançamento em Arroio Grande - na Praça Zeca Maciel- do livro "Na palma da mão" de João Félix Soares Neto.
A memória garantia que naquela praça há longínquos anos - do hábito de passar parte das férias de verão com o nossos avós- a primeira foto havia sido tirada. Tanto tempo, e guiados pela lembrança, resolvemos repetir a cena. Problemas de volume, espaço, área e peso, marcaram a dificuldade técnica deste simples ato, e rapidamente, antes que um "guarda Belo", do brinquedo nos retirasse (sob risco de quebra ou desabamento) posamos para um momento de comparação e eternidade.
Agora, avaliando os detalhes, percebo o quanto esta memória é falha e, sem dificuldades, consigo identificar algumas semelhanças e erros:
- Estamos invertidos, talvez pela mania de achar que na infância, por ser mais velho, eu estaria sempre à frente.
- Continuamos nos vestindo como gêmeos.
- Quando criança a cabeça pareça maior em relação ao corpo.
- Os óculos, em ambos, sugerem a genética da visão cansada.
- O primeiro escorregador é mais seguro.
- Fotografia em preto e branco é sempre mais nostálgica.
01 novembro 2011
Momento de Luz
26 junho 2011
11 janeiro 2010
14 setembro 2009
Segunda
Acho graça das pessoas que vestem a primeira coisa que vem pela frente, mas, de onde sairam aqueles sapatos de cor lilás? Nada parecia combinar naquela composição de rua, e prendo o olhar em detalhes como as meias claras salientando o mau gosto dos passantes e dos calçados. Quando estou assim, tenho atração ao feio. Da menina pendurada, mais do que o carinho da mãe que corre atrasada, da roupa que sufoca de tão apertada, me chama o ranho, seco e pendurado, como cascas de falta de higiene dizendo: sou mal cuidada. Até os cães me aborrecem, passam a noite ao relento e no fundo, bem no fundo, acho que merecem. O mesmo pensar dos pedintes, dos jornaleiros que estão desde cedo acordados, dos que não despertaram por ressaca, os soltos e desamparados.
Hoje é segunda-feira, não há poesia fora do inusitado.
O sol não combina. Como, sob o calor, vestir um casaco. Mas vagueio mais um pouco, a busca do que não sera encontrado.
08 agosto 2009
Jardim de Inverno
Deixei a porta aberta.
Adoro o muro vazado que permite que o vento assovie enquanto consigo ver quem passa e se aproxima. A grama neste jardim tem cheiro de tempero e a terra escura a textura de um carinho. O espaço é pequeno mas cabe boa parte do meu imenso mundo, cavo um buraco para esconder o meu futuro. Umas moedas, uma foto com minha família, um recorte de jornal e um frasco de remédio. Forro com a relva recortada em bloco esperando que as raizes envolvam e preservem para muito este tempo.
Que entre, apenas quem me interessa.
O sorriso de minha mãe é terno e verdadeiro, mais sincero que a memória distraida, o cuidado dos meus fizeram que eu chegasse até aqui, com todas as qualidades e angustias que moldaram minha vida. Tenho irmãos e agradeço por isso. Um, pelo menos, dividirá este pensamento. Não voltei ao jardim nem descobri meus preservados. As moedas foram poucas e não vingaram em frondosa arvore da fortuna, o remédio no entanto é desnecessário, e as noticias são efêmeras como a importância de datas. O muro deixa que passe a noção de tempo e sibila a nostalgia pemitindo que veja quem me precede.
Quando não havia maiores perigos, deixei a porta aberta, para que entrasse, apenas quem me interessa.
28 janeiro 2009
Inconciente
Nem todos que me escutam são interlocutores do que chamo: pensamentos soltos, mas sofro pela crítica de um comportamento livre, como se fosse dissociado do que eles mesmos, de mim, esperam. Fazer o que? Aceitar que penso mais rápido do que atuo ou devo partir para o enfrentamento do que não me aceitam? Quem sabe, apenas não dar atenção, deixar que o tempo cumpra seu destino, porque vai ser assim, gasta-lo para questões maiores como... Sobrevivência.
Ainda sobre enganos. Cometi vários. Desde o nascimento, quando esperavam um choro breve, mas não me joguei de cabeça, e entalei na vagina parideira até que me tirassem a fórceps para ver o que me esperava. Depois, fui o único com olhos sensíveis a luminosidade intensa, e passei a enxergar franzido. Acho, também, que por isso, ficar entocado observando a tudo pelas frestas e janelas, era mais confortável, assim, conheci as coisas e as pessoas, sempre pelos pedaços, desviei meu desejo aos entrecortados, incompletos e mal iluminados. Fiz de riscos meus primeiros amigos, dos mais íntimos até os amores. Levei tempo para conseguir juntar pedaços como traços de hachuras, a definir mais claro o que seria luz, meio tom ou sombras.
Houve época de gritar, mesmo sem para onde. Quem por paredes grossas de ensinamento rígido escutaria além do som das palavras mais audazes que retornavam como velhos e fracos sentidos. O diálogo no rochedo é monótono e repetitivo. Mas soltei a voz no vazio da volta, inútil volta.
Entre o erro e o diálogo, escolho o silêncio da escrita, esta, que, a menos que não seja lida, chega certo apenas a quem importa, sem eco ou traços incompletos que o inconsciente trata de reunir e dar sentido.
14 janeiro 2009
Psicoanalise
27 dezembro 2008
Tchau
Afeito a carregar brinquedos, cada vez mais sofisticados, empurrou o que podia no fundo dos bolsos e com os fios sobrando por fora das calças correu para o destino que o esperava. Contava com os poucos trocos que foram acumulados, quase nada perto de tudo que havia custado ter chegado vivo até ali, mas o suficiente para sobrepor os inconclusivos compromissos.
Sabia que alguém poderia ter ficado triste, talvez até chorassem, ou não, quem sabe o amor fosse tanto que fizesse compreender de forma menos egoísta, dos outros, as necessidades suas. Mas não seria assim, do contrário, o anúncio da volta talvez tivesse sido verdadeiro. E não sentia, de forma alguma, um aviso cínico ou dissimulado, alivio foi o modo determinante, aliviado, e despretensioso, para abrir-lhe o caminho.
Ao sair, já tarde, determinou... não havia volta.
26 dezembro 2008
Arte
Antes que seguisse, esticou-lhe os braços e entregou-lhe uma caneta. Espaço. Com ela, mesmo que não percebesse, rabiscou em cada dia o pano de fundo, os caminhos e as possibilidades várias de um trajeto.
12 novembro 2008
18 outubro 2008
Fresta
Meus pais saíram cedo o que confunde a noção de horas, eles trocam de atividade e emprego como eu de humor, tanto, que não sei qual deles me sustenta ou se me falta.
Abro de canto até que a luz incomode e irrite, desvio o rosto com desconfiança do que resta desta via. Custo, mas consigo acostumar-me ao claro apelo de sair a busca, até as roupas aproveitam roubando novas cores para se mostrarem vivas, eu, renitente, permaneço sem camisa.
18 setembro 2008
13 setembro 2008
Âncora
18 agosto 2008
Segunda -feira
Arredo os medos dos hormônios para ver se organizo meus pensamentos. Há vários sentidos tomando forma, pedaços de um dia mal aproveitado, borras de incongruências e bolhas de intenções não realizadas, que acreditei ter deixado de elevar junto a vida prática. Reflito por flagrante no leito desfeito e a vejo junto aos gatos como um delírio de instante. Se minha alma não se veste, por que me atrapalham os panos? Volto ao entorno e me reencontro.
Acolho um som que vem da rua, sirenes afastam o passado, enfim, hoje é segunda, mais do que eu, um dia prático. Por que dispensei a faxineira? Não vou seguir de carro! Gritos para que eu levante e arrume o corpo, considerar também os membros, enrijecer o tronco. Músculos mal aproveitados, olhos projetados por um sono sequelado. Bate o coração como bomba a espalhar apenas resultados. Contas, horas e trabalho, horas, roupas e retalhos. Invejo aqueles que se ajustam. Outra vez panos e gatos.
Não sei qual melhor argumento, o caos interno ou o intento? Lembro tanto de meus bichos que dispenso todos ritos. Mesmo assim vou-me embora, sem retorno mas com demora. Preferia o domingo mesmo com toda madorna.
16 agosto 2008
Arte
01 agosto 2008
Pelotas
31 julho 2008
Passeio
Corro contra o tempo. Muitas vezes o recurso esta a mão. Me dá na veneta acreditar que existam portas internas que levem à aquietação e ao acolhimento, e basta o uso de chaves certas para chegar ao aprofundar-se.
Adoro caminhar, adoro música, e no encontro destes feitiços viajo além do que vejo. Ruas, antes tristes de minha infância, viram belas referências, espelhos mágicos como de Lewis Carrol. Vou ao socorro, para ver se me acho, e transformo cada imagem em um sentimento que me compreenda. Manso, retomo de outra forma o que me incomoda, troco as cores por outras mais vivas e regresso esperançoso, como a criança de minhas ruas, como se o tempo não tivesse tanta importância.
09 julho 2008
Idéia
30 junho 2008
Momento
Dia nublado é o melhor para cabular aula, dia de sol, para conversar com as paredes, de preferência de casas alheias. Se tivesse mais claro sairia para trocar idéias e, quem sabe, acatar conselhos, concretos, como dos antigos e vividos prédios.
Tenho um livro em minhas mãos, suas páginas me confortam, o título instiga pensamentos e me vejo em outro texto sem que ler seja preceito. De esguelha, e a minha maneira, espio a vida que passa, mas a vida que a vista atravessa é apenas a vida sem pressa, idéias mal concebidas, além do que perceba, mexem o olhar de fora para o que tenho por dentro. Meu mentor é também tormento, o mesmo clamor que induz á calma depois atiça e desperta. Achei o local que queria, mas meu mundo é turbulento, achei o tempo certo, este tempo é o momento.
28 maio 2008
Idade
26 maio 2008
Volta
Fui despertado, sempre haverá algo para trazer estes momentos, mesmo que mudem os personagens, incomoda esta crescente intensidade. Eu disse, pior que não ter, é ter, mas somente a esperança, mas, ela não me ouve, permanece melindrosa a todas as dúvidas, só e suscetível. Esta frase me muda de lado, mas seria apenas um exercício, sou eu quem tem dúvidas, sustento, alimento e me abrigo em inseguranças, mas não desisto, também sou eu quem volto mesmo quando acho que é hora de partida.
11 maio 2008
Energia
Estou cansado de escrever, ou sem vontade. Hoje quis sol, dias nublados de outono, salas fechadas de trabalho. Espero os dias com a esperança de folga e luz.
Meu amigo se ilumina como criança e fala um tempo que não acompanha a idade, observo calado e recolho a observação para no momento certo revela-la como conhecimento e sabedoria. A cada dia aprendo mais no que acumulo. Pena, estou cansado para escrever, e por fim não dou espaço para abrir os minhas caixinhas, tampouco organiza-las. Acho que ja tive idéias com estas devo ter recantos que se sobrepõem sem chegar a nenhuma novidade. Deus me livre da demência seria como embaralhar todas estas informações de tal forma a nunca aproveita-las, nem difundi-las, nem ensina-las.
Também quero fugir das salas fechadas, nem que seja por momentos, meus ossos pedem o sol como catalizador de vitaminas, meus olhos para tirar o mofo das retinas, minha mente para localizar melhor tais pensamentos.
Pena que estou cansado, ou sem vontade de escrever o que me invade, o sol invade, a tarde, dias nublados de outono me esperam, espaço, luz e oportunidade.
05 maio 2008
Despertador
Meu relógio tem defeito,
sem sentido, roda, roda, rola.
Ao chão.
A cama atiça e o corpo rola, rola, rola, roda.
Enjôo, não!
Volto ao tempo sem motivo,
antes tarde do que sempre,
nunca, é nunca como agora, é hora, hora, ora!
Sente.
Minhas roupas estão desfeitas,
Uma pende ao colarinho,
teu vestido, lá, sozinho,
pede, pelo avesso,
mofa e repete,
amarrota,
torce e despede
de meu amarrotado carinho.
Vejo o dia no aguardo
Uma mesa me espera
o café esta passado, nada mais é o que era.
O amargo
vem do hábito,
O gosto
vem do hálito,
Mas a cama, ainda morna,
esta ora, rola, roda e verte.
Meu desejo era ver-te
mas não sei mais a que hora
meu relógio tem defeito
tem o tempo sem sentido
o sentido sem ter tempo
rola, rola, rola e rola.
preciso tratar da vida,
preciso despertar,
embora,
precise encontrar motivo
por isso...
Acorda, agora!
01 abril 2008
Despertar
Penso em abrir os olhos para confirmar, mas tenho dúvida. Visões antecedem o despertar, e confundo o frio intenso com o calor das últimos horas, terei que decidir desde a roupa que ora me abandona até se usarei meus óculos. Será que ainda enxergo ou somente sonho estas imagens que aguardo? Quero tocar de leve, e sentir, há um corpo aqui ao lado ou apenas um revirado? Invade um aroma sutil e agradável, agora até o eter quer reter na mistura sentido e matéria. Vou permanecer, mais um tempo, imóvel, afinal percebo-me inerte, rijo, embora leve. Meus pés se depositam sobre algo, os lábios que de sede salgo, a saliva do que me parece gosto alheio, é puro e pulsa coração e veia, mas se estou morto lateja apenas um desejado devaneio.
Morri sem perceber, e posso não estar só nesta passagem, será que devo liberar a vista? Flutuo numa conquistada realidade, liberto, caso fique confirmado o medo é falso e maltratado. Hesito, prefiro é acreditar nisso mas posso precisar morrer para permanecer vivo.
23 março 2008
20 março 2008
Tempo
10 março 2008
Ultímos passos..
Luto é rever a perda como irreversil, o inverso do parto como diz Chico Buarque, mas não deixa de ser uma gestação para nova vida, o meu esta no fim, como as horas que mantém a escuridão da noite e vulgariza seus mistérios depois que surge a luz do dia.
Queria que o tempo revertesse algumas perdas como se nunca tivessem existido, mas ai não teria jamais do que sentir saudade, mesmo a má nostalgia é um recorte da vida e no mínimo um aprendizado, até a dor é prazerosa depois que passa, nada é em vão, mas não é ainda o momento para despejar uma crônica que nasce pronta e cujo título me persegue por tantos anos.
Os passos foram dados, cada dia mais um, ou menos.
08 março 2008
06 março 2008
Metropole Relativa
Retorno agora num momento de reavaliação e comprovo, não existe outro, consigo carregar aquele mundo e seu potencial onde, ou com quem, quer que esteja. Muito bom saber disso, meu caminho sera ao mesmo tempo mais longo e mais próximo, pois optei por fugir de estradas e falsos atalhos a me construir internamente e hoje percebo não sou o mesmo, nem minha relação com estas imagens. Porém, aproveito e digo, que ninguém tem o direito, nem a menor capacidade, por ser interior, por necessitar de cultura apurada, vivência, percepçao e sensibilidade, de furtar esta conquista. Mesmo que tentem, já é minha.
17 fevereiro 2008
Sem fotos
Tem um hematoma enorme na minha virilha mas meu filho disse que minha vida sexual sera recuperada sem aquele adorno sobre o púbis, palavra de adolescente.
Segue a novela e e-mails piratas e orkutes falsos, só posso agradecer estar fora de tudo isso, é a minha mensagem no msn atualmente. Fico com dó da vítima embora concorde com as palavras de um amigo...
13 fevereiro 2008
Por todas as mídias.
Encontrei, talvez, os amigos certos, e as melhores companhias, encontrei o fio perdido, a linha que une a cultura ao sentimento escondido, e volto a me emocionar além da dor, também com a mente. Sou papel e tecnologia, mas não deixo de ser quem sempre fui, eu mesmo frente a tudo que me foi dado e adquirido, séculos de outros pensamentos, anos de uma criação sem desvio. No entanto, este eu virou, um tempo, personagem a esconder como as notas e imagens, poesia e sensibilidade.
Viva o mp3, mas salve o LP, resgate a escrita e o que se lê, traços ou vetores, sejam quais forem os fatores, em qualquer ordem sou o produto destes momentos bem mais do que aquilo que determinei como tempo.
05 fevereiro 2008
De Drummond a Anjos
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora...
Poucos percebem, alguns ignoram, será necessário um Sarau profano e definitivo para que acordem, ou quem sabe isso nem seja relevante. Tanto que tinha para ser dito ficou por muito diluído entre páginas e diários, aqui mesmo, muitos "e agora..." contra poucos até quando. Mas há mais o que me prenda, mais que a Augusto dos Anjos seus Eus e outras intimidades, há uma outra e possível realidade a que dá força e reinventa a realidade.
18 janeiro 2008
Letras fugidias
04 janeiro 2008
Ando
31 dezembro 2007
Mensagem
Feliz 2008!
20 dezembro 2007
Valores
Continuo a reciclar valores, agradeço ao novo brilho destes olhos, a visão que aos poucos se concerta, aos passos certos destas pernas, aos braços que permitem abraços mais fortes, o afeto por remédio.
Os raros e dolorosos encontros eram um reforço a indiferença, um esforço a entender onde ficaram a similaridades, onde estava eu este tempo todo. Cada recado não compreendido soa como uma profecia não interpretada, agora o passado ainda fala, mas depois por certo não sobrara mais nada.
19 dezembro 2007
Diálogo
16 dezembro 2007
Paris
Hoje me permito um devaneio maior, uma imagem que não é minha, num pais que nem havia sonhado, mas que tem a ver com ter ouvido a alguns dias um pedido para não ser esquecido. Viajo em pensamento pela ausência da voz desafinada embora de pronuncia e idéias corretas. Um promessa maluca tão louca mas não inviável.
10 dezembro 2007
Busca
Procuro algo que me defina. De sobressalto, mais uma vez, sinto o coração forte e disparado, estou no meio de um caminho que não reconheço, sou um rio acima do curso invadido permanentemente por mar louco e bravo, minha imagem não cabe em cartão nem em fotografia, preciso de todos os cantos e espaços, por menos, não sou compreendido, por mais, tento, mas não me permito ser interpretado. Conheço pessoas por quem me encanto e choro, preencho esperanças em expectativas alheias e, então, me desconsolo. Sigo, embora não avalie em quanto.
Procuro algo que me redefina sempre, uma paisagem limpa, agua mais tranqüila. Paz para que meu peito entre em compasso certo, e eu por perto para que mais tempo viva, vivo a busca do tudo e claro, preciso de um caminho simples onde hoje só conheço atalho.
25 novembro 2007
Em frente...
Hoje foi um dia especial, ao lado oposto a todos os sentimentos perdidos incluo chances e conquistas fortes, desejos nunca antes exercitados, simples como as horas que passam bem porque estão preenchidas, depois descanso melhor porque sei que a vida continua após o que possa ser um sonho.
15 novembro 2007
Espelho Mágico
o ângulo engana e exagera a única identificação provável.
Minha luz é razoável
lucidez inevitável
Descobertos, incide a dúvida do que é reflexo ou que é imagem
sob a luz o mesmo ato, revela outras vontades
uma a angústia da perda
alíviada pelo enfrentamento e pela coragem
o outro busca nenhuma
vitória da insanidade.
Espelho de dupla face,
sempre à mão,
mas ainda sei onde me acho,
na solidão
resto de nossa identidade
10 novembro 2007
Teatro
No primeiro ato o personagem reclama do esquecimento voluntário e expõe a mentira nas desculpas não justificadas. É noite, embora o brilho do piso faça pensar que tenha chovido reforçando mágoa e abandono.
Segundo, a cena da cozinha. A fome supera as tristezas que a esta hora se dissipam pela rica narrativa de uma história complexa, mas o protagonista esta só, o interlocutor não aparece, apenas seu prato, um copo de cerveja já pela metade e uma leve fumaça que invade o ambiente como se alguém ali fumasse. Ambos são perdoados, embora não se enxerguem nem se entendam neste encontro. A obra é um monólogo. Há apenas uma sombra, até que o palco todo se ilumine transfigurando de sala a quarto. Surge da luz uma cama, imensa e impecável de arrumada. O personagem deita de botas, as calças ainda estão molhadas. Silêncio põe fim ao texto. A peça esta acabada.
07 novembro 2007
Reflexão
05 novembro 2007
Visual
Quis mudar o guarda roupa, camisas moravam nas calças. As golas sempre fechadas, em cores que não dizem nada. A moça da loja entende, atende com panos quentes, eu saio remodelado, leve, mas quase pelado, ela diz que fiquei bem, que pareço mais atraente que serie também mais notado.
Me aperta o calçado, não costumo usar tênis, me incomodam os cadarços, caminho, o trajeto ainda é longo, mas sigo de vez em frente. Fico no meio do caminho, mas apenas no modelo, um "pisante" confortável, um pouco mais arejado, um sapato maleavel para um pé mais resistente.
Chega a hora do espelho, pior é que me reconheço. Não mudou tempo ou idade, não estou tão alterado, apenas a mesma pessoa que estava esquecida, por si, deixada de lado.
03 novembro 2007
Razões
Não vou mentir que fiquei, como nas letras de música, feliz em saber que sofria, que a mesa de bar é pequena e nem todo álcool sacia. Toco desde então os meus dias, amplio a voz na escrita, incorporo a música melodias, me exponho, enfrentando desejos, e erro, porque faz parte da vida.
02 novembro 2007
Revelação
Alguém me disse que acordado redijo como se estivesse em transe, e em transe não sei o que registro, por isso se seguir serei mais desconexo, ainda menos preciso, ou, ao contrário, talvez imprima a verdade que fica sempre escondida entre minhas letras. Será?
É um risco. Por isso prefiro parar no próximo ponto, antes que se esgote o sentido para os próximos textos.
















