Onde deixei o juízo para sair assim neste frio intenso?
Ouço apenas o som do vento, num dia cinza, a perspectiva vence o medo
quero só, me encontrar sozinho.
Visto camadas de panos e pelegos, meias grossas sobre os pelos,
os olhos escapam da lã e tocas,
sou um bicho encurvado sobre o queixo, mas não reclamo,
quem resfria por gosto não congela, embora não sinta mais minhas pernas.
Aqueço o peito com as imagens,
há algo ali que me fascina,
mais do que o fogo que logo acaba, e se extermina,
preservo no clima minha paisagem,
estou sempre é de passagem,
Para onde vou? Hoje a antártida,
mas serve aqui, no sul extremo,
no gelo ou ou em qualquer outra fria parte
02 agosto 2007
Trépido
30 julho 2007
Convidado
AS RUAS
José Carlos Soares
As ruas eu as vejo,
retas, povoadas, novas,
arcaicas, com pedras nuas e calçadas mortas.
Mortas e pisoteadas.
Aquelas tristes e esquecidas,
dos velhos bordéis na beira do cais.
Casas com paredes mofadas.
Mulheres encostadas
em portas podres.
Velhas meretrizes, janelas sem
vidraças num cinzento entardecer.
As ruas, eu as vejo,
quietas, contemplando a vida,
adormecidas na manhã, com pedras
sonolentas, e calçadas vivas.
Estas, alegres e poéticas,
dos casarios sorridentes rodeando a praça.
Nervosas, borbulhando sons.
Cansadas e distraídas, ao anoitecer.
As ruas, eu as vejo,
agitadas, portas qual bocas
gritando sons, num burburinho
inquietante.
Cães e meninos no
mesmo chão. Calor.
Enfeitam–se de néons e cantos
escuros.
Passam na minha inércia,
inconstantes, vivas.
Dançamos em espiral,
interagimos, pois,
amantes somos....
28 julho 2007
Frio
Frio, originally uploaded by Camafunga.
Se me perguntarem se esta foto foi originalmente alterada, afirmo que não, pelo contrário, as cores vivas, o brilho inadequado do sol, as nuvens que não interessavam, talvez um edifício inconveniente ao fundo, fios elétricos que dividiam o céu desnecessários, ramas menores de pouca sombra e alguns outros elementos não estavam na minha visão, nem no sentimento do primeiro olhar, ainda bem que as vezes é possível ajustar estas coisas. Salve a computação gráfica!
26 julho 2007
Tédio
Esta estátua de um famoso médico pelotense, humanista ao seu tempo, dedicado e querido agora assiste, há pelo menos 10 anos, esta obra inacabada e abandonada.
Caminhada
Não havia quase ninguém, não sei se pelo horário, pelo abandono ou ambos. Fica perto, pelo menos na memória, minha primeira namorada, os passeios pela calçadas dos galpões abandonados. Lembro de uma fuligem que não existe mais, de alguns vizinhos sentados na frente das casas, alguns moleques jogando bola. Eu dirigia, meu carro e minha vida, talvez me percebesse mais independente do que realmente fosse ou do que atualmente me sinta, mas era um tempo de maior acesso, menos guardas, grades e telas. O pouco que tinha transferiram a atividade e agora tem mais prédios com janelas emparedadas do que com velhas dependuradas.
21 julho 2007
Solidariedade
Passando, uma bela manhã de sol, onde todos, como eu, aproveitariam para uma boa caminhada.
20 julho 2007
18 julho 2007
Solitude
15 julho 2007
Arte de Rua
Algo mudou dentro de mim, para melhor, não vejo só tristeza nas paredes rabiscadas de prédios semi-abandonados em pleno domingo, pelo contrário, consigo ler estes apelos e traduzir melhor estas mensagens e até achar bonito
11 julho 2007
Versão
Procuro ver de mais de uma forma cada situação. Geralmente prevalece a que ameniza, pois não quero adicionar desafeto ou falta de caráter aos já tão contaminados convívios. Mas, quando percebo que não há segunda versão para maus enredos, prefiro me afastar, mesmo quando os personagens estão muito próximos e tão íntimos, que não facilitam em ser ignorados.
Deste sempre houve uma grande disputa, de uma via, já que na maioria das vezes só fiz querer somar ou, pelo bem, ser notado. Mesmo com todo reconhecimento, com a faca e o queijo na mão, afora a realidade do momento e os laços que nos envolvem, vale mais o egoísmo e as frágeis vitórias, geralmente associadas a um poder discutível, mais retido do que merecido. No fundo, tenho pena, porque, pelo menos matematicamente, e embora não queira perceber, seus dias estão contados. Que aproveite enquanto é tempo, e que eu sobreviva para poder mais aliviado não precisar reescrever tantas histórias, a bem da verdade, talvez seja isso que me faça produzir tanto.
10 julho 2007
Noutro mundo
03 julho 2007
Ressaca
Não fosse a cabeça e suas idéias absurdas e nauseabundas como uma crise de labirinto.
Acordei como se fosse ontem, ou anteontem, pior, como em qualquer mal dia do passado. Pensei em ficar na cama e cabular o trabalho, mas teria que ter ânimo para tomar decisões e não estava pronto para encaminhar nada. Caminho até o banheiro pensando no frio da água, mas um banho poderia ser a terapia de choque que me falta. Na rua, deve estar uns quatro graus, no quarto não passa de dez, por dentro um efeito estufa, o cérebro queima o peito congela.
Sei que tinha mais coisa que devia ser determinada, mas isso foi ontem, ou anteontem, pior, foi em qualquer outro mal dia do passado.
Já dormi de roupa e de sapatos, graças que isso foi a tempos, hoje me cubro de panos quentes e acolchoados, mesmo assim, por vezes meu corpo treme. Não passo mais as noites ao léu ou acordado, mas atiço em meus sonhos os mesmos pesadelos. Preciso de uma xícara de chá, prefiro leite, vou enfrentar meu banho, meu corpo ainda é dormente, mas a cabeça trabalha, e trabalha insistentemente, vira os pensamentos que não descansam...a girar... que maravilha, a girar...
01 julho 2007
30 junho 2007
Imagem do Passado
29 junho 2007
25 junho 2007
Grafite
São tantas casas emparedadas no caminho, tanta sujeira misturada e entulho, que uma arte de rua, antes desagradável, pode tornar-se um alívio.
23 junho 2007
Madrugada
Só, a luz difusa nas esquinas,a mesma que invade bons e maus momentos.
Pensamentos
Não me queixo, apenas queria que tivesse sido mais tranqüilo,
ora vejo, ou não vejo
desconheço vultos.
Voltas e mais voltas
não me perco.
Luz
difusa
disfarça a solitude mas passo ali
ainda ali, sem companhia.
Esquina
dobro o tempo até desistir da tua procura,
confundo as horas
é quase dia...
17 junho 2007
Dias de chuva
O olhar engana, o que parece mar pode ser poça, água parada, rua alagada.
O olhar exagera, a sombra sugere a altura a que mente espera.
O olhar confunde, ao fundo existirá, sempre, outro e outro mundo.
O olhar limita, imita o que deseja o sentimento, este era o olhar, era o momento.
O olhar mente, a mente reflete num mar sem ondas, a poça...
O olhar que força.
Ele me entende, se precisar, estende e quebra o pensamento em imaginária orla, ora...
O olhar me acalma e até que sequem as ruas fixarei no olhar minha molhada alma.
14 junho 2007
Reflexo
(Clique na Imagem para ver no Filck)
Transito tanto entre os dois lados que nem sei o que é real ou é imagem.
13 junho 2007
Coisa de Maluco
11 junho 2007
Alzheimer
Segunda-feira é sempre segunda feira, e é precedida de domingo, nublado como a foto que tirei ontem, repetitivo como o tempo que não dá trégua e descasca pele e reboco.
Hoje é segunda, junho, qualquer dia, não quero olhar muito esta imagem, algo nela me domina. O título veio ao acaso, mas esqueci porque seria, também não lembro a que venho, se isso é foto ou é desenho, ou apenas uma imagem, imaginação e devaneio.
09 junho 2007
Paragem
Os sinais parecem conflitantes mas apenas querem ser complementares, depende da forma que são avaliados e interpretados. Não sabia nem porque esta imagem tinha me chamado atenção, mas, mesmo sendo de carne e osso, não carro, parei e olhei, até registrei, "paragem".
08 junho 2007
Janta de Família
03 junho 2007
Feminina Fé
Feminina Fé, originally uploaded by Camafunga.
Nas minhas fotos procuro não interferir em nada, e é interessante como o acaso nos coloca de frente com imagens cheias de símbolos, basta permitir ao olhar a mensagem.
Barro Duro
Pelotas - RS
Em uma árvore qualquer.
01 junho 2007
Ponto de Vista
Prefiro, de fato, não insistir na verdade, muito saber pode nos exilar dos convívios, a sociabilidade é graduada pela média portanto as vezes é melhor não contrariar pequenas bobagens.
Ele jura, e até ameaça com documentos, que fui eu um dos responsáveis por uma das suas melhores lembranças. Desde o primeiro relato a história tem ganho dados e personagens, de tanto ouvir decorei-a como verdade e se não me cuido sou capaz de corrigir algum desliza em versão atualizada. Mas não era eu, nem nunca falei com nenhuma daquelas pessoas, muito menos enfrentei maior desafio por ter defendido um despreparado amigo, desconfio que nem era nascido naquela época e que jamais teria licença para estar tão preparado.
Mas é assim, agora não discuto, sou herói de um ato imaginado, mas antes isso que nunca ser desta forma lembrado.
31 maio 2007
Limites
Queria poder correr de um lado ao outro mas sinto que permanece um impedimento. Vejo a ida como volta, e o inverso que pode ser melhor caminho, não sei se estou preso entre as possibilidades ou fora delas sem a chance de atravessa-las. Tenho receio em entender todas as respostas, mas, mesmo assim, fico a analisar melhor hipótese. Quero sentir a liberdade, desprezar múltiplas escolhas, mas a cobrança é pesada, mais forte do que as grades.
27 maio 2007
Pombas
Primeira que coloco em papel, deve ser porque me identifiquei muito com o casal acima.
Laranjal
Pelotas - RS
26 maio 2007
24 maio 2007
Afirmativa
Gosto dela e nem custei a perceber seus sinais, pelo contrário, estranhamente, antecipei-me sem maiores sustos, uma, porque senti que acreditaria, outra, porque talvez até me entendesse.
Ouço bossa-nova, agora sem o mesmo entusiasmo, as vezes acho enfadonho, não o ritmo, mas as palavras, ando numa fase menos elaborada, mais direta, vivendo apenas de intervalos breves.
Por isso, quando me perguntou se tinha alguém era para aquela hora, olhei o relógio para tentar disfarçar melhor argumento, pois ser sincero pode levar tempo, então, aceitei encerrar a frase numa afirmativa: sim e fim de intento.
Antes fosse assim, um sim tão fácil, encarno um genêro que não mais me representa, Jazz é mais complexo porque não segue normas, não prescinde de frases, e a pauta, é só parte do caminho, no entanto sou visto como garoto bossa-nova, mesmo que tenha passado tanto tempo, não vislumbro longos futuros porque não preciso, pena que um sim não basta, pena...
23 maio 2007
20 maio 2007
Possibilidades
Possibilidades, originally uploaded by Camafunga.
A imagem fala por si, mas as vezes é bom perceber que as mensagens estão por ai, em qualquer local, no inesperado acerto do acaso com a coincidência.
19 maio 2007
14 maio 2007
Objeto
Comprei uma mochila, a principio nada demais, uma mochila, é a segunda, a outra foi para a viagem, também cabia o notebook, mas era quase formal...quase.
Comprei uma mochila, tem lugar para colocar fones, tanto espaço que nem tenho tanto o que distribuir, embora moderna e caiba o note tem penduricalho para cantil, binóculo e GPS. Alguém duvida que a use para o trabalho, eu também não acreditaria se fosse me dito ainda outro dia.
Comprei uma mochila, é tão bonita, melhor do que a que há muito queria, maior que a que sonhei para fugir da rotina, da cobrança que tão cedo me impedia.
06 maio 2007
Arte
Acho que já fui músico, mas não fui renascentista,
escrevi versos sem rima divulgados nas esquinas.
Acho que já fui quase um vituose, mas nem sei de que instrumento,
publiquei aos quatro ventos o que prendia em pensamentos.
Já vivi uma odisséia, enfrentei muitos tormentos,
desenhei a bico de pena a tristeza, marquei bem estes momentos,
resisti fazendo arte me escondendo em trocadilhos,
registrei como retratos, fui além, fotografia,
escolhi muitos retalhos para compor minha melodia.
Acho que fui músico, mas também fui literata,
faço um traço no caminho para achar melhor estrada,
faço um arco, desafio, minhas tintas... tão opacas.
Acho que, no fundo, não fui, é, nada disso,
não criei sequer um quadro, não gravei, não há um disco
as palavras se perderam nas imagens,
amarelaram sem ter dito.
Nem esquinas, nem caminhos
a mais simples cantoria,
Acho que não fui artista
para me iludir
como queria.
01 maio 2007
Ausência
Não pude deixar de observar o quanto as horas mudam de métrica, de um tempo os minutos leves escorregam em minúcias e consigo absorver cada detalhe, dá até para rever melhor aproveitamento, noutro as horas atropelam-se em eventos, que apurados, nem se completam. Aproveitei o meio-tempo para levar o meu feriado, sem cadência definida, fiz do momento decadente o auge do contemplativo para reter boas imagens como o da moça solitária atravessada sob a transparência do tecido a observar o nada, como eu, ao infinito.
30 abril 2007
Sem Título
Havia algo de muito interessante naquela composição, mas que não sabia se conseguiria passar para a foto, a menina confundida com o quadro apenas realçada pela luz do entardecer. Deu nisso!
26 abril 2007
Caixotes de vista
Ando numa fase mais fotográfica, ainda entusiasmo da maquina nova, mas assim de câmera dentro da pasta, vou treinando meus limitados olhos para o que for possível, na tentativa de subverter as falhas troco o embaçado da distância pelo meu foco, aquilo que julgo interressante ou belo.
21 abril 2007
20 abril 2007
Anverso do Amplexo
É somente uma referencia, quase uma imagem-símbolo para representar o que ainda é difícil de ser dito, o título, é o nome de uma crônica nunca publicada, talvez porque permaneça incompleta, mas que desde há muito escolhida como síntese para um primeiro livro. Por enquanto fica a foto do acaso e a esperança da concretização do efetivo abraço.
17 abril 2007
10 abril 2007
Invasão

Coloquei uma linha telefônica nova justamente para não ser encontrado. Não é só por ser esquizito, depois do seqüestro fantasma e alguns telefonemas estranhos era praticamente necessário, deixei a anterior com BINA para um atendimento selecionado. A cada toque do antigo corro para ver se reconheço o remetente, e num exercício enjoado e cansativo escolho se devo ou não dar meu alô. Então, para as horas de repouso e fins-de-semana, nesta nova e recém comprada, a semelhança da linha direta do Batman, deixo-a apenas para os muito intimos, com a ressalva de que jamais a distribuisse. Sem tempo para divulgar o segredo, até porque ainda não apaguei de vez o celular, outra intervenção maldita, ninguém, exceto eu a conhecia.
Agora, aqui, quieto a observar a imagem inspiradora acima, viajando nas lembranças de carnavais passados, talvez até por outras vidas, tentando escrever algo a altura em tal calmaria, recolhido sem culpa ao exercício do ócio recuperador de uma manhã forjada de folga, até que ouço tocar meu velho telefone, não vermelho, mas alouçado preto comprado em brique por valioso preço, e escolhido como imagem para tal finalidade, privacidade. Barulhento, desperta como um eco, digo, berro, do passado que estava por ali aproximado.
Qual o que, atendo por instinto, esquecendo que ninguém poderia me achar por este meio, e inocente digo um "pois não" entre educado e sincero.
"Sim? Com quem deseja falar?", pergunta boba para quem estava só com os pensamentos, mais ainda por me desejar anônimo. "O senhor Marcelo se encontra?", lembra uma daquelas inexpressivas vozes típicas de operadoras de telemarketing. De imediato recorro ao fato. Afinal como teria sido descoberto? De que adiantara trocar endereço se continuaria sendo incomodado? Perguntou em nome de intrometida empresa se conhecia seus desagradáveis serviços. Não cheguei a saber se era Plano de Saúde ou Funerária, furioso, bati a gancho sem completar sequer uma segunda frase. Para que nova conta, não há sequer a possibilidade de estar camuflado? Volto a figura de onde procurava inspiração e lembro, onde hoje estamos sempre sendo observados, antes uma fantasia só como do menino já bastava. E dá vontade de cortar de vez os laços, seja em linhas ou recados para ficar por lá, para sempre, no passado.
08 abril 2007
Passeando 02
Tive a impressão que já tinha passado por aqui mas não tenho certeza, fico confuso quando saio de casa por muito tempo, meu caminho é sempre tão marcado que nem penso enquanto viajo. Carrego minha bagagem e vou no automático Aqui não, presto atenção em tanta coisa que a realidade me absorve, e, além das ruas e vias, sobra pouco espaço para as dúvidas e incertezas.A letra da música que toca no rádio me diz tanto, mas sobre qual das verdades? Tenho certeza que ja estive na naquela praça, são todas parecidas, foi alí que me despedi dela, mas pode ter sido o outro encontro. Agora chove e a paisagem fica ainda mais confusa, não sei se dobro ou sigo reto, sei que logo ali tem uma parada, não vale a pena, o destino é tão distante e sei que vou repetir muitas destas voltas.
06 abril 2007
31 março 2007
Passeando
Tive tempo de caminhar. Não sei o que é pior, misturar a decadência das ruas com a perda das identidades ou ver um progresso arrastado ir derrubando as memórias. Tenho tempo para refletir, observo que envelhecem ao meu entorno, mas o que será que andei fazendo? Os poucos que me acompanharam, como os filhos, ia acostumando em suas mudanças, e na rapidez dos automóveis entre uma sala e outra pouco percebi sobre a dinâmica alternada das horas, nem do efeito de um sol mais constante sobre a pele. Me preservei foi pela penumbra de escritórios e talvez pela escassez de janelas, agora tenho tempo e penso enquanto avalio, "é melhor evitar ver foto antiga", cadê minha casa de revistas? O melhor cinema virou supermercado. Meus amigos não morreram mas alguns estão uns trapos. Com estas pernas posso ir longe, sem a atenção de painéis, escolho o tráfego, minha mão não é a direita, ou esquerda, é qualquer uma no espaço, nem preciso dar sinal, meu limite é só o cansaço. Aí paro, me reviso, vejo as casas mal cuidadas, vejo isso como aviso, viver acima de mais nada.
30 março 2007
24 março 2007
23 março 2007
Desenhando Passado
Tem épocas que me volta, outras perco o traço e a vontade, o acaso ou outra situação qualquer faz com com que me reencontre, aí surge o entusiasmo e como uma criança saio a consumir canetas, lápis de desenho, menos borrachas, engraçado, parece que apagar é o que não quero. E, quando penso que esta tudo perdido, surgem como imagens, falam por milhões de mensagens, mesmo que me faça de surdo, sobra a visão para tirar vantagem. Este ao lado, por exemplo, é um dos milhares de desenhos soltos em meus diários, nas agendas de compromisso que vez por outra contam também histórias, que nada tem a ver com as contas atrasadas, ou os compromissos inadiáveis, que nem precisavam de fato estar anotados. Me delicio em ve-las e descubro muito mais do que nas notas, uma história a ser desenvolvida, um resgate arqueológico de meus passos e sentimentos soltos, leve, em forma de riscos e bobagens. Acho que chegou a hora de le-los e é isso que estou fazendo, seja para dar um riso, ou para aprofundar em novos entendimentos.18 março 2007
12 março 2007
Memória 12.78
Ana Maria é um nome que eu não queria! As tardes são mais agradáveis, principalmente quando o céu fica nublado, são curtas estas férias, e eu nunca havia andado de barco. A casa, alugada, é um pouco mais que meia-água, mas tem um tanque protegido que esconde a roupa lavada. Há vantagem estar na orla, levando em conta que aqui é praia, tenho apenas quinze anos, nada novo me abala. Só esta tal Ana Maria, me persegue esta danada, não é amiga, nem parenta, uma presença inadequada.
O sol parte deixa o frio, a lagoa esta serena, há um bote me esperando, esperar não vale a pena. Cheiro a peixe, bate o vento, nem parece ser dezembro, traz o grito do convite um amigo de momento. Vejo a água, meia-praia, roupa suja lavo em casa, minha mãe ensina os modos, a menina é que é visita. Há um bote me esperando para levar a minha vida, posso ver além do tanque, não serei mais esperado. Tenho apenas quinze anos, quanto terá esta guria? A fazer-lhe companhia só fiquei por educado. Minha mãe ainda me paga, perdi da água a navegada, não foi dessa, custei tanto, quando deu não senti nada.
10 março 2007
06 março 2007
02 março 2007
A caminho...
Que barrigão! Brinquei um pouco sugerindo alto que o parto seria para agora, parte dos passageiros murmurou entre preocupação e ansiedade, até uma estudante, cara de enfermagem, perguntar sobre o intervalo das contrações falsas, e decepcionada, entristecer com a verdade com a qual desfiz a euforia de um parto em coletivo.
Adoro as músicas deste grupo, o vento no rosto é mais saudável do que ar condicionado e logo a dona da pança estava recuperada de sua pressão baixa, os cabelos esvoaçantes tornavam mais interessante a composição e até pude lhe observar bela, antes, talvez fosse proibido, assim como ter algum som no ônibus, antes, quando meu apurado gosto repudiava fato e repertório. Estava tudo calmo e não importava que eu já tivesse tido os filhos que esta vida havia me dado por direito, assim como ter mulheres barrigudas aparente e permanentemente férteis. Bela viagem!
19 fevereiro 2007
Festa de São João
Esta foto, minha, recebeu um luxuoso auxílio técnico da talentosa e querida Cristina Carriconde, foi encontrada em meio a outras e é da era pré-digital, a original sem retoques está no Flick.Falando em Cristina achei o máximo a matéria que a chama de Rainha Momo, vale conferir sua visão em fotos sobre o carnaval.
01 fevereiro 2007
Cultura Geral
Antes dos comentários da viagem propriamente, publicados no Diário, as observações do taxista cientista, e bem informado, que me trouxe da rodoviária, pena que em um trajeto tão curto.
- A respeito dos excrementos eqüinos nas ruas- "na França ou na Inglaterra, não tenho bem certeza, existe nas carruagens, um dispositivo de borracha entre os foles de molas que serve para capturar os elementos cocozais dos animais, por isso não fica esta sujeira que tem por aqui."..."estas fezes prejudicam o asfalto porque são ácidas, ácido que vem do estômago dos cavalos, necessário para dilgerir a clorofina* do pasto, principalmente aqui que é uma cidade seca e o cocô acaba saindo mais concentrado"... "sem contar para a lataria do carro, o carter do meu FIAT furou de tanto respingar bosta, tirei foto para reclamar na prefeitura".
- Sobre o clima- "o senhor sabe que o calor por aqui anda violento, li num livro de ciências que o Rio Grande do Sul é o que mais sofre com o buraco da capota solar, aqui principalmente. Um matemático calculou que o ângulo dos raios no tal buraco dá bem na nossa região, até já falei para os filhos para se formarem e irem embora, isso se der tempo"..."a Lagoa dos Patos esta evaporando dia-a-dia, é só o senhor ficar olhando para o horizonte para ver a fumaça subindo"..."quando esta água volta, em chuva, vem trazendo ozônio da capota, eu sei, eu tive um aparelho destes em casa, mandei a esposa botar no lixo, pelo menos faço a minha parte"..."por isso que o cocô dos nossos cavalos é tão forte, além de tudo, a pouca água que eles bebem vem da chuva ácida."
26 janeiro 2007
Clima
Copo de Amaretto, um som de fundo, Harry Conick Jr.
A janela, um pouco menor do que devia, não expõe Manhattan em descortino, mas apenas uma parede suja, muito próxima e contínua. Meu loft esta mais para "basement", e não importa se com isso me afundo, este espaço é pequeno, mas sou o dono deste mundo. Afasto o puff de jeito, um chute, voam cartas, dois passos, os primeiros para a esquerda, para direita, sem compasso. Olho meio para o lado, esqueço dos olhos fechados, quebrada de quadril indiscreta, vertígem confunde meus astros. A parede escura intimida, mas mantenho elevadas ao vento, as mãos que afastam tristezas, também perdem-se em movimentos. Tanto som embaralha propósitos, "Kissing a Fool", essa é bem animada. Meu gosto mistura estílos, espalho mais uma almofada, néscio reviro Gershwin no túmulo, antes que outra vida o faça, esqueço qualquer contratempo, agito alegria escassa. Pijama surrado, sem robe, nem smoking, nem fumo ou cigarro, até a fumaça que cerra, é arrogante, é leve mas falsa. Mais uma embalada e já durmo! "When a fall in love", já é tarde, vizinhos chegarão em grupos, para saber do que se trata. Celine é pop e brega, olha o nível da bebida! As calças alargadas expoem nalgas, de fino, só sorver delicado. Blue Note, é uma bruma cerrada, mas meu gueto não passa da sala. Sax, tenor, que saco! Cade o cd emprestado? É Getz, Dexter e Gordon, me sinto obeso e nauseado, Coltrane, não me vejo mais jovem, opa, o puff, tropeço. Desajeito no estofado, cheiro velho a preconceito, vem do prédio, aqui na frente, ou será que é do lado? Bille, Ella me abandona, licor doce derramado, tonto de amor não me encontro, tonto de dor revirado. Vaughan, "vaudeville", sou um astro, isto é um teatro de espetáculos. Broadway, minha relação não esta em voga, Sara, ameniza sem cura. Aretta, acabou meu amaretto, perdi as calças, estou exausto. Me jogo em qualquer copo sujo, e é por aqui que me apago...
23 janeiro 2007
Resposta
19 janeiro 2007
Há muito tempo nas águas da Guanabara...
12 janeiro 2007
Vida Mansa
Vinha eu caminhando sob um calor terrível, suado com pasta pesada pendurada, atrasado para o trabalho, quando, passando por praça central desta rica cidade, deparo com a seguinte cena. Peço desculpas pela qualidade da imagem tirada com o celular, mas não pude me furtar de faze-la, porque além do caráter jornalístico marca a indignação e o inusitado. Protegido por uma generosa e agradável sombra está este indivíduo a sono solto, como em casa... até aí nada que qualquer cidadão não mereça, seria o desfrutar de em um espaço público, até porque muitos cidadãos desta urbe assim o fazem, muitos, mesmo sendo 16 horas de um dia que deveria ser útil, e, os que fazem, a maioria em idade fértil, digo produtiva, é nestas hora, também porque por aqui prevalece o desemprego e a preguiça, mas isso é outra história, afinal o rapaz ao lado já é morador contumaz deste terreiro, quiça, a esta altura não seja até dono da sombra. Passo por ali seguidamente e, a menos que a invisibilidade da miséria me engane, não o reconhecia.
Mas, como dizia, vinha eu suado e atrasado, correndo, passando por uma praça central desta pobre cidade quando me deparo com esta cena: uma pilha de entulhos e lixo, onde, como diria um amigo, havia "de um tudo", desde placas de sinalização a restos de comida, embalagens vazias, monitores de computador, caixas e mais caixas de mudança como se a espera para serem arrumadas, sem pressa é claro, porque nem tudo ali era recente pelo que se notara, inclusive a delicadeza de alguns vasos de plantas que, por mais algum tempo, estariam de vez enraizadas. Não sei, não tenho bem certeza, mas acho que já havia visto esta cena, confundo, pois passo ali freqüentemente, mas, novamente, a invisibilidade da miséria e da falta de perspectiva de ação dos serviços públicos ajudaram a enganar o ritmo desta instalação, antes fosse uma instalação e não uma mudança, pelo menos teria aplauso pela mensagem e significado... profundos.
Agora a imagem se completa, e pena que era apenas um celular e não uma máquina, pois no momento não pude fazer nada a não ser ficar contemplando a cena completa. Ali já corri com meu filho um dia, tenho fotos antigas de minha infância com a família, mas isso faz tempo, muito tempo. O que importa, hoje, é que o contingente cria uma obra-conceito e une a miséria e o descaso em uma manifestação espontânea de arte, e sem saber, o homem que dormia sob a sombra junto a seus restos e pertences finalmente consegue ser visto, pelo menos por alguns como eu que não pude desta ignora-lo.
05 janeiro 2007
Acordar
É preciso saber a medida entre enfrentamento e comodismo. Há dias que, meio Quixote, acordo com disposição e determinação de desafiar fantasmas e fantasias, resquícios da noite e da a confusão entre o que é ou não da vida, e mesmo que se acompanhe de uma ressaca antecipada de sono e dúvida, restabelece em possibilidade de desafio e de conquista. Imaginário? Indícios para avaliar, pistas que fogem ao domínio do inconsciente, trilhas e atalhos para serem experimentados. Não acalmam nem esclarecem o que as horas e os compromissos absorvem e exigem. Bom pudesse levar estas imagens da suposição à energia pelo menos por mais algum tempo e transformá-las em prática e realidade, exceto, é claro, quando a afronta se transfigura em demasia e é sufocada por melancolia ou pelo medo. São maioria, outros não.
Hoje acordei cansado e o que carrego é sentimento físico. Persigo a necessária acolhida, mesmo que solitária, mas prefiro o aparentemente simples poder de desprezar, sem culpa, os entendimentos, as justificativas e as razões. Danem-se porquês e que venham horas de paz sem determinar motivos. O mesmo marasmo torporoso de antes, mas não há o que buscar do que vem ou não da noite, só aceitar e esquecer dos mapas e roteiros. As idéias são como quebra-cabeças incompletos e se não se ajustam podem deixar a vida em pausa. Pausa, é o que quero hoje para que o dia venha como raparo, como mais um dia, como uma passagem... apenas, apenas e apenas. Não acalmam nem esquecem o que as horas e os compromissos absorvem e exigem. Enfim amanhã, já no primeiro momento, serei novamente cobrado pelo espírito da luta, e não saberei desmembrar o que pode ser onírico, real ou necessário, só mesmo o cansaço é palpável como hoje e físico, o resto, vem da alma, é instável, como o despertar que não consegue ser medido, nem no enfrentamento nem no comodismo. E segue o dia...
28 dezembro 2006
Folga
Esta foto tirei há algum tempo, no mesmo período de agora. Na expectativa de excelentes dias, como outrora, desejo a todos um Feliz 2007!
24 dezembro 2006
Ao contrário das angústias publicadas no Diário da MOrsa, não compartiho do mal estar natalino tanto quanto o relatado, claro que o tempo muda os sentidos e significados porque fantasias e afetos partem, desde o acreditar no Bom Velinho, isso faz tanto, a saudade de alguns que se foram de verdade. É que é fim de ano, rescaldo de doze meses, incomoda, impõe a festa, mas as responsabilidades de apagar incêndios não pulam datas, embora fosse melhor que pudessem dar um refresco, e, fora da fantasia, queria poder lidar melhor com as esperanças exageradas, as que não se concretizam, só queimam e desgastam. Enfim, tento controlar o limiar destas vontades, pois nem tudo é possível ou viável. Mas há outros que chegam, conquistas, mesmo que menos prometidas, surgem como surpresas aguardadas. Meu filho namora muito, deve ser parte do afeto que por demais é transbordado, ou ele é mesmo é safado, o outro gosta de fazer cena e hoje, entusiasmado, vai transformar sua barriguinha da implicância travestindo-se em Papai Noel real e remoçado. Tem alguém na sobreloja, meu irmão também tão próximo, há amigos que me acham, mesmo com os telefones trocados. Foi o ano da arqueologia, das fitas de imagens perdidas. E me encontro nelas como encontro os desafios, que vieram as pencas, atropelados, mas também ensinam sobre superação e conquista sobre o improvável, se os olhos atrapalham surgem outros sentidos associados. Subo a escada calmamente, o meu ponto esta centrado, e então escrevo muito, comunico as mazelas, debocho do maltratado. Tenho amigos no Orkut, atuais e do passado, fui falado em outras línguas, minhas idéias viajaram, se não fui bem entendido, por engano, fui aclamado. Minha mãe ainda se queixa, o meu pai incomodado, meras dores de cabeça, ou um móvel mal arrumado.Vou esperar os meus meninos que estão meio atrasados, e antes que seja tarde desejar a todos boas festas e mais um ano recheado. O extintor esta a postos e eu agora mais aliviado!
18 dezembro 2006
Sinais vindos da MOrsa
Sem perigo, continuo não gostando, no entanto assisti. E não posso dizer que tenha sido tão sofrível, valeu um telefonema para a mãe anunciando o fato, mas, antes do que pela música, ou por alguns convidados que pudessem compensar o Rei, havia a aclamada cura do TOC até então marca registrada do RC. Nisso valeu toda pena, porque consegui, talvez pelo convívio de algum amigo que desse mal também padece, perceber, não sutis, mas consideráveis progressos, desde a indumentária, embora ainda azul, menos aguada, até o prazer de se permitir cantar algumas pérolas da Jovem Guarda, até então proscritas como Negro Gato. Minha mãe, em sua superficial avaliação, deve ter ficado orgulhosa, imaginando que finalmente apresento sinais de senilidade, digo, maturidade, esquece ela que em criança, abraçado em régua métrica, daquelas amarelas, comuns pelos setenta, imitava os trejeitos, maneirismos e expressões sob uma platéia de senhoras dentro da falecida Casas Pernambucanas. Não vou comprar o disco, nem da-lo de presente, mas confesso que não foi tão ruim assim.Por falar nisso, consegui finalmente, encontrar algo que realmente marcou, a minha infância e de muitos jovens da mesma faixa. É o Comercial dos Cobertores Parayba, aquele coma as crianças convidando para dormir, no nosso caso, um despertador diário as avessas e que funcionava sempre. aqui
10 dezembro 2006
Louca no provedor
07 dezembro 2006
O Fim
A luz entrando franca, pela falta das cortinas, que apesar de pagas, não estavam instaladas, incomodava mais do que o calor que não firmara. E é terça, mas bem que podia ser sábado, ou quarta, onde estaria, ai então, bem atrasado, algo além do mal estar, menos mal que imaginário, mas que também não suficiente para todo mal ser explicado.
Há muito associei depressão a pesadelos, despertar sem ter vontade, antes de sons ou de alarmes, um radar que se anuncia, instantes antes do relógio, apenas pelo incômodo e aguçar do desespero, aquele mesmo, imaginário, sempre sem sentido, que atiça mas não acomoda. Hoje tento me adiantar ao tempo, mas parece que este não se importa, meu relógio é novo, e não tem corda, afinal vamos ver quem vem primeiro? E debocha o poderoso por poder me ter inteiro, até confundir simples sentido. Hoje é terça e não é feriado, não há nada em contrapeso, há um dia pela frente, sempre igual, eu que me esqueço.
03 dezembro 2006
Apenas um fundo...
Depois de muito tempo, no caminho inverso a criação, achei um texto ao título que há muito estava preparado. O conteúdo, em poesia, veio pronto, acabado, provavelmente elaborado e armazenado a um canto na espera desde aquela época. O que faltava? Apenas dar sentido ao conteúdo, vive-lo, o que foi possível somente agora. Caminho longo, difícil, mas bonito e muito rico, sintetizado em um gesto e algumas imagens. Mas, ficou tão completo e pessoal que resolvi envolve-lo para presente, e, ao invés de publica-lo, como prova maior de afeto, amor e reconhecimento, entregar diretamente a quem merece.
Obrigado por tudo!
27 novembro 2006
Lição de liberdade
Há um problema, nada a ver com a chance de escorregar em pedra lisa e ser atropelado, tão diferente e distante que não favorece a identidade. Será? Tudo parece tão difícil e preciso chegar a algo. Fixo os olhos em um só sentido e permaneço imobilizado. Há um problema e nenhuma resposta, apenas a imagem de monstros não caracterizados, algo de vida própria e desatinados. Lembro aqueles que não respeitavam minhas pernas e suspiro pela minha senhora e suas mãos que já não existem em forma. Lembro da lição do tempo e a clareza de que as mensagens se interagem. Calma, basta olhar para ambos os lados.
21 novembro 2006
MOrsa vence...
Seguindo a lógica da falsa privacidade me dou o direito de pelo menos selecionar o que vem para esta primeira página, o resto fica a vontade de quem clicar no link ao lado.
Desjejum
"Meu café é frio e fraco, o leite é mais que o complemento, o teu é quente e preto, acolhes massa, doces, pão e fermento.
Desperto pronto ao movimento, as idéias criaram fila durante a noite, e querem sair em propostas e entendimentos, as tuas em torpor aguardam as horas e evitam quaisquer questionamentos."
Ah as idéias em carreirinha, tenho que solta-las em doses lentas, mas sinto mesmo, não tenho tempo. Há pouco agora para escrever algo, pelo menos sei o que seria, por aqui meu leite esfria, mas volto em outra hora, quem sabe ainda em outro dia.
17 novembro 2006
Windows
13 novembro 2006
Chiste
Se fosse, eu, a bebida, talvez assim me classificasse, mas, a origem do meu mordaz é mais sonora e vem de mordaça, como fuga, uma explosão, um meio. A forma como as palavras fluem, mais do que isso, fogem entre frases não previstas ou menos pensadas ou elaboradas. Claro que vai ai um tanto de malícia acumulada, mas é pelo silêncio forçado, pelo reforço ético imposto, pelo rancor disfarçado que aprendi fazer a dissimulação pela graça, que surge, pela escapadela das malditas, ou bem ditas frases, ou ideias, ou imagens. A sátira sobrepõe ao medo, o inconsciente não é covarde. Mas, também não é verdade, que sarcasmos nem sempre cheguem ao recacho, a muitos já fiz ofendidos, mas, penso, como o vinho, escondo maior defeito e sobra apenas o aguado de um agravo. Um humor disfarçado, que pode ser cortante, mas poupa parte da verdade.
Se fosse vinho brindaria ao fato, já fui mais ácido a me corroer por dentro, prefiro o humor, mordaz, adeus mordaça.
09 novembro 2006
Tempo, tempo, tempo, tempo.. e alguns, penso.
02 novembro 2006
Hoje é dia de festa
01 novembro 2006
Esquetes e enquetes
Depois de passar pela fase de edição esta publicada minha primeira colaboração no OVERMUNDO, o espaço é interessante para descoberta de atividades culturais espalhadas pelo país. Por falar nisso há referencia a Interação realizada aqui em Pelotas e que gerou tanta polêmica.
31 outubro 2006
Fim-de-Semana
Churrasco, eleição, feira do livro, plantão... o dia promete!
Esta notação vai ser feita aos poucos, a medida que as horas corram, e corro o risco de me decepcionar, ou não, em cada uma destas situações, por isso vou posta-las em seus devidos horários.
26 outubro 2006
Azedume
Devo estar meio neurótico, talvez a idade me faça desse jeito, ou, quem sabe, tenha apenas amadurecido e acordado, mesmo que tarde, para as inutilidades desta vida.
Acabo de chegar de uma delas. Convocado, senão sequer teria ido, minha parcela funcionário público, totalmente desacompanhada de minha alma erudita, compareceu a um agrupamento para planejamento e metas na Secretaria Municipal de Saúde, virge!
25 outubro 2006
Terceirizada
24 outubro 2006
Atualizações
Irmã Selma- esquete tirado do terça insana, impagável (até por que foi tirado do You Tube mesmo)
21 outubro 2006
Pesadelo
Adentro com desconfiança, a mesma de quando percebi, pela primeira vez, as paredes verdes que cercavam a escada. Não sei que idade teria, desta, ou das outras vezes, nem de quantas tive repetidos sonhos. Eram de estar ali, e me vestir descalço, enquanto, atrapalhado, descia em busca ansiosa a um cimentado pátio. Fixou-me mais que ida, a falta dos sapatos, imagem incompleta de quem os perdia a escada. Noutras, os queria em combinadas cores, mas o desconforto havia de pés abandonados.
Não quis voltar ao prédio, mantenho-o em imagem como em remota era, há um receio que o veja e ainda assim estranhe. Se sou pequeno hoje, antes o mundo era o gigante. Penso que possa me perder em sonhos, por corredores longos, a desafiar o medo. Preciso de portas que não correspondam a salas, procuro espaços que não me sejam óbvios. Por isso, mantenho o coração batendo, rápido e crescido, e olho acima um muito alto teto, adentro, pé-direito que lâmpada alguma ilumina inteiro.
Esqueci, entretanto, o elemento humano. Lá desciam crianças feito um rebanho. Escada longa e escura não nos leva a nada, a um pátio apenas, área acinzentada. De tão medonhos e estranhos,quase que pequenos ratos, empurram a frente e passam sem reparar nas faltas, afinal, é minha, a de não vestir direito, de sentir-me lento para sobrepor o intento. De poucos guardaria o nome, tampouco rostos ou sentidos intensos. Lembro apenas da escada entre paredes verdes, da pressa, do recreio e do receio entre meus pés largados.
05 outubro 2006
História de Amor
Antunez não a Mara
A Mara amarra cruzes
Simpatia não desata
A Mara vestiu-se em luzes
Pela fé que conquistara
A Mara, na marra, Antunez
Mas amor não se amarra
A Mara amarga cruzes
Fantasia aqui se apaga
A Mara morre luzes
Morre amor
Amarga
Amara
Marcelo Soares / janeiro 2003


