02 dezembro 2011

Perdi


Perdi a linha, perdi o risco
Perdi o senso do bom-termo
Perdi a hora e a condição

Queria  perdir um tempo

Quem sabe a paz...
 das tuas mãos?

Camafunga

27 novembro 2011

Passado


Ontem foi o lançamento em Arroio Grande -  na Praça Zeca Maciel-   do livro "Na palma da  mão" de João Félix Soares Neto.
A memória garantia que naquela praça há longínquos anos - do hábito de passar  parte das férias de verão com o nossos avós-  a primeira foto havia sido tirada. Tanto tempo, e guiados pela lembrança, resolvemos repetir a cena. Problemas de volume, espaço, área e peso, marcaram a dificuldade técnica deste simples ato, e rapidamente, antes que um "guarda Belo", do brinquedo nos retirasse (sob risco de quebra ou desabamento) posamos para  um momento de comparação e eternidade.
Agora, avaliando os detalhes, percebo o quanto esta memória é falha e, sem dificuldades, consigo identificar algumas semelhanças e erros:
  • Estamos invertidos, talvez pela  mania de achar que na infância, por ser mais velho, eu  estaria sempre à frente.
  • Continuamos nos vestindo como gêmeos.
  • Quando criança a cabeça pareça maior em relação ao corpo.
  • Os óculos, em ambos, sugerem a genética da visão cansada.
  • O primeiro escorregador é mais seguro.
  • Fotografia em preto e branco é sempre mais nostálgica.

01 novembro 2011

Momento de Luz


O brilhar da primeira pedra, cristais espalhados pela casa.

Na maratona mística ceguei-me com as luzes da cromoterapia e quase tropecei em um par de pirâmides mal posicionadas. 

Algo pende da porta do banheiro - depositário de más energias - e distribui o ódio como prisma, até onde deveria reinar a harmonia.

No tempo do" não parecer válido", o meu desprezo a alquimia. 

Ignorância não desperta angústia; medo, glória ou alegria. 

Acato o achado Divino  que vem da culpa e do proibido; fujo de ser mais claro evitando ser  objetivo; viro o que nem sou, ou prego, e  fica nisso o que acredito.

Tanta gente em minha volta, seja em carne, osso ou em espírito, que qualquer probabilidade de encontro reflete o apelo ao desconhecido.

Fujo de ágapes e confrarias; discussões em sindicatos; longas conclusões vazias; odeio  idéias surgidas sob o claustro -porta fechada é fobia.

Perguntas a que me refiro? Ter fé num paraíso?
A contração ao absoluto é  a ceder a um único destino.

Não - mais uma vez -  resumindo: 
Por favor, quero  ficar só...
Só no sonho, quieto
com meus cristais... iludido.

26 junho 2011

Frio 2


##, originally uploaded by Camafunga.

11 janeiro 2010

Companheiros


Companheiros, originally uploaded by Camafunga.

14 setembro 2009

Segunda

Então, ou caminho sem rumo, ou fecho as janelas e esqueço que é dia. Síndrome de segunda-feira e nada como um iniciar de semana atrás do outro para perceber que a vida é um ciclo, melhor, um círculo, que se repete e não se fecha.

Acho graça das pessoas que vestem a primeira coisa que vem pela frente, mas, de onde sairam aqueles sapatos de cor lilás? Nada parecia combinar naquela composição de rua, e prendo o olhar em detalhes como as meias claras salientando o mau gosto dos passantes e dos calçados. Quando estou assim, tenho atração ao feio. Da menina pendurada, mais do que o carinho da mãe que corre atrasada, da roupa que sufoca de tão apertada, me chama o ranho, seco e pendurado, como cascas de falta de higiene dizendo: sou mal cuidada. Até os cães me aborrecem, passam a noite ao relento e no fundo, bem no fundo, acho que merecem. O mesmo pensar dos pedintes, dos jornaleiros que estão desde cedo acordados, dos que não despertaram por ressaca, os soltos e desamparados.

Hoje é segunda-feira, não há poesia fora do inusitado.

O sol não combina. Como, sob o calor, vestir um casaco. Mas vagueio mais um pouco, a busca do que não sera encontrado.

08 agosto 2009

Jardim de Inverno

Quando não havia maiores perigos...

Deixei a porta aberta.

Adoro o muro vazado que permite que o vento assovie enquanto consigo ver quem passa e se aproxima. A grama neste jardim tem cheiro de tempero e a terra escura a textura de um carinho. O espaço é pequeno mas cabe boa parte do meu imenso mundo, cavo um buraco para esconder o meu futuro. Umas moedas, uma foto com minha família, um recorte de jornal e um frasco de remédio. Forro com a relva recortada em bloco esperando que as raizes envolvam e preservem para muito este tempo.

Que entre, apenas quem me interessa.

O sorriso de minha mãe é terno e verdadeiro, mais sincero que a memória distraida, o cuidado dos meus fizeram que eu chegasse até aqui, com todas as qualidades e angustias que moldaram minha vida. Tenho irmãos e agradeço por isso. Um, pelo menos, dividirá este pensamento. Não voltei ao jardim nem descobri meus preservados. As moedas foram poucas e não vingaram em frondosa arvore da fortuna, o remédio no entanto é desnecessário, e as noticias são efêmeras como a importância de datas. O muro deixa que passe a noção de tempo e sibila a nostalgia pemitindo que veja quem me precede.

Quando não havia maiores perigos, deixei a porta aberta, para que entrasse, apenas quem me interessa.

28 janeiro 2009

Inconciente

Prefiro não comentar meus pequenos enganos, nem os maiores, mas eles estão ai, por todos os lados.

Nem todos que me escutam são interlocutores do que chamo: pensamentos soltos, mas sofro pela crítica de um comportamento livre, como se fosse dissociado do que eles mesmos, de mim, esperam. Fazer o que? Aceitar que penso mais rápido do que atuo ou devo partir para o enfrentamento do que não me aceitam? Quem sabe, apenas não dar atenção, deixar que o tempo cumpra seu destino, porque vai ser assim, gasta-lo para questões maiores como... Sobrevivência.

Ainda sobre enganos. Cometi vários. Desde o nascimento, quando esperavam um choro breve, mas não me joguei de cabeça, e entalei na vagina parideira até que me tirassem a fórceps para ver o que me esperava. Depois, fui o único com olhos sensíveis a luminosidade intensa, e passei a enxergar franzido. Acho, também, que por isso, ficar entocado observando a tudo pelas frestas e janelas, era mais confortável, assim, conheci as coisas e as pessoas, sempre pelos pedaços, desviei meu desejo aos entrecortados, incompletos e mal iluminados. Fiz de riscos meus primeiros amigos, dos mais íntimos até os amores. Levei tempo para conseguir juntar pedaços como traços de hachuras, a definir mais claro o que seria luz, meio tom ou sombras.

Houve época de gritar, mesmo sem para onde. Quem por paredes grossas de ensinamento rígido escutaria além do som das palavras mais audazes que retornavam como velhos e fracos sentidos. O diálogo no rochedo é monótono e repetitivo. Mas soltei a voz no vazio da volta, inútil volta.

Entre o erro e o diálogo, escolho o silêncio da escrita, esta, que, a menos que não seja lida, chega certo apenas a quem importa, sem eco ou traços incompletos que o inconsciente trata de reunir e dar sentido.

14 janeiro 2009

Psicoanalise

Uma das sugestões foi de desmontar um elevador, não entendi, mas junto havia a possibilidade de fotografar, fazer um boa comida, voltar a academia. Qualquer coisa para ocupar a cabeça e afastar os pensamentos repetitivos, repetitivos, repetitivos. Agora tenho dois comprimidinhos que me acompanham, um branco e outro roseado. O primeiro agita, o segundo acalma, e assim pretendo ter a paciencia necessária para suportar a espera. Pelo menos, o dia não me parece cinza, nem escuto réquiem em meu mp4, mas ta custando a ter um sol que dure mais do que poucos minutos. Daí este guarda-chuva estranho.

Sentei de pernas abertas, da forma que seria imprópria pelos costumes que fui moldado. Não sei se seria melhor estar ou não de olhos congestos, poderia passar idéia de tranquilidade, e afinal estava esperando para ser consolado, mas se notasse tamanho sofrimento poderia magoar a quem consola em tantos anos de entendimento. 

Fui em dois, meio esquisofrênico, e não sei se meu lado melhor foi o que se manifestou o foi o que ficou de companheiro. Consegui resumir os fatos, estava com problemas que iam desde o sono atrasado até o plexo corióide. Cansado de sonhar queria poder dormir, cheio de tentar queria finalmente agir. 

E agi. Antes procurei a mãe amada na figura da esposa perdida, nas recompensas da memória alterada pelas mais recentes instabilidades, virei santo, excluido o celibato, virei um pai, modelo, pobre, mas  dedicado.
Revirei os estandartes sem achar a  beatice, exonerando os diabos com seus pactos e artífices.

Há um tempo, quando propuseram alta, ouvi um coro de dúvidas e indignidades, era como uma mãe a abandonar o filho, um espelho a proibir imagem. Gostei da piada fora de hora, da fala perdida e da risada. Gostei de ter sido comparado a um mito e mesmo de pernas inadequadas manter-me em equilíbrio.

Complexo como a ilusão da morte, sigo buscando o caminho e a saída. Falo, e me repito, repito, repito e me repito, até um dia poder, por mim, ser entendido.

27 dezembro 2008

Tchau

Ao sair, já tarde, comentou... voltaria.

Afeito a carregar brinquedos, cada vez mais sofisticados, empurrou o que podia no fundo dos bolsos e com os fios sobrando por fora das calças correu para o destino que o esperava. Contava com os poucos trocos que foram acumulados, quase nada perto de tudo que havia custado ter chegado vivo até ali, mas o suficiente para sobrepor os inconclusivos compromissos.

Sabia que alguém poderia ter ficado triste, talvez até chorassem, ou não, quem sabe o amor fosse tanto que fizesse compreender de forma menos egoísta, dos outros, as necessidades suas. Mas não seria assim, do contrário, o anúncio da volta talvez tivesse sido verdadeiro. E não sentia, de forma alguma, um aviso cínico ou dissimulado, alivio foi o modo determinante, aliviado, e despretensioso, para abrir-lhe o caminho.

Ao sair, já tarde, determinou... não havia volta.

26 dezembro 2008

Arte

Antes que seguisse,  esticou-lhe os braços e entregou-lhe uma caneta. Espaço. Com ela, mesmo que não  percebesse, rabiscou em cada dia o pano de fundo, os caminhos e as possibilidades várias de um trajeto. 


Traços simples, riscos toscos, linhas imcompletas, mesmo que tentasse, e fora dele, somente a alguma distância seria possível atribuir-se um sentido.

Mas algo mais é impreterível, o entendimento do realizado.  Tento dar-lhe um lenitivo, quem sabe um  número pela esperança e assim também firma-lo como idade? Mas artista não mensura, nem atitude, nem comportamento, então ofereço algo entre o nascimento e a morte. 

Angustia a falta de prazo. Infinita é a tinta e a vontade.

Para o passo, que incita, iniciativa é a intenção da vida,  o desafio entre o desejo e o tempo. Para a obra e celebração de término, para o júbilo, aprazimento e gáudio, a compreenção madura de que o que importa não é a obra, mas sua essência.

12 novembro 2008

Leitura


Leitura, originally uploaded by Camafunga.

18 outubro 2008

Fresta

Quantos tempo sem abrir as janelas?
O suficiente para esquecer da vista, por isso, me surpreendi com o que vi. Não faz sol nem chuva nesta casa, mas, lá fora, o clima muda de tal modo que fica difícil definir estações e clima.
Meus pais saíram cedo o que confunde a noção de horas, eles trocam de atividade e emprego como eu de humor, tanto, que não sei qual deles me sustenta ou se me falta. 

Sempre quis um animal doméstico, agora teria a quem dedicar afago, mas sobram papéis com notas e roupas, jogados pela casa. Bagunça dedicada. Em meio, leves só os tecidos que mantém-se perfumados para sustemtar nostalgias, seletivo, recordo um período mais antigo onde o que era novo é o que  hoje me traz enfado.

Abro de canto até que a luz incomode e irrite, desvio o rosto com desconfiança do que resta desta via. Custo, mas consigo acostumar-me ao claro apelo de sair a busca, até as roupas aproveitam roubando novas cores para se  mostrarem vivas, eu, renitente, permaneço sem camisa. 
Nú em esperanças penso se retornam, ou terei que enfrentar o tudo sozinho? 

Os textos são de contas e cobranças, alertas para que não caiam no esquecimento, projetos não cumpridos associados a  tarefas de longo prazo. 

Opto por fechar, de leve, como se apagasse um curto filme, tão curto como o tempo e esta escrita,  que me restam para colocar  a casa em ordem.

18 setembro 2008

Relação


XX-X, originally uploaded by Camafunga.

13 setembro 2008

Âncora


Âncora, originally uploaded by Camafunga.

Reflito nas cores que o sol descobre, modulo como as ondas que embalam a vontade de calmaria, fixo minhas idéias até que alguém também embarque.

18 agosto 2008

Segunda -feira

Afasto as meias do teclado para ver se acho as letras. Tem mais de um copo aqui do lado, café e refrigerante, restos de um domingo de chuva assim como os farelos de bolachinha que jurei nunca mais comer junto ao computador. Olho de esquina para a cama desfeita há dois dias e desvio para a TV que não cobra, mas, não me diz nada. Sinto falta de algum dos felinos que ja tive e que fariam festa em tanta roupa espalhada. Se o círculo esta assim, quem dirá minha cabeça que insiste em se expressar.

Arredo os medos dos hormônios para ver se organizo meus pensamentos. Há vários sentidos tomando forma, pedaços de um dia mal aproveitado, borras de incongruências e bolhas de intenções não realizadas, que acreditei ter deixado de elevar junto a vida prática. Reflito por flagrante no leito desfeito e a vejo junto aos gatos como um delírio de instante. Se minha alma não se veste, por que me atrapalham os panos? Volto ao entorno e me reencontro.

Acolho um som que vem da rua, sirenes afastam o passado, enfim, hoje é segunda, mais do que eu, um dia prático. Por que dispensei a faxineira? Não vou seguir de carro! Gritos para que eu levante e arrume o corpo, considerar também os membros, enrijecer o tronco. Músculos mal aproveitados, olhos projetados por um sono sequelado. Bate o coração como bomba a espalhar apenas resultados. Contas, horas e trabalho, horas, roupas e retalhos. Invejo aqueles que se ajustam. Outra vez panos e gatos.

Não sei qual melhor argumento, o caos interno ou o intento? Lembro tanto de meus bichos que dispenso todos ritos. Mesmo assim vou-me embora, sem retorno mas com demora. Preferia o domingo mesmo com toda madorna.

16 agosto 2008

Arte

Em meio a tantos se aproxima. Passa entre, e chega até a parede branca, muito branca. Observa a tela de cimento e cal e lamenta não trazer seus instrumentos. Alheio ao povo que esbarra e segue, vaza o que o cândido vazio impulsa. Lateja uma vontade imensa, mas, sem grafite, grafita na idéia o que gravita além do que é possível ser percebido. Invade sentimentos vários, corre a mão no imaginário, traços e cores em especial agito. Aves encontram seus ares e seres mergulham em pura liberdade, treme em euforia solitária, perfeição de formas e juízo, nem abstrato nem definido, apenas sentido. Evitam, sem desculpas, passantes e corridos, entre as personas se afasta, falta público para egoísta arte, fica apenas a parede branca e a lamentável perca de uma oportunidade.

01 agosto 2008

Pelotas


Pelotas, originally uploaded by Camafunga.

Há mais de uma forma de enganar-se. Não sei se prefiro a rama ou o calcário, não defino quem chegou primeiro nem quem vai morrer a frente. 
Há mais de uma forma de assitir o mesmo evento, as ideias voam em perdidos entendimentos, ora gosta, ora repulsa. Aceito que devo me curvar as horas, mas não sei se sou de pedra ou sentimento. 

31 julho 2008

Passeio


Crianças, upload feito originalmente por Camafunga.

Corro contra o tempo. Muitas vezes o recurso esta a mão. Me dá na veneta acreditar que existam portas internas que levem à aquietação e ao acolhimento, e basta o uso de chaves certas para chegar ao aprofundar-se.

Adoro caminhar, adoro música, e no encontro destes feitiços viajo além do que vejo. Ruas, antes tristes de minha infância, viram belas referências, espelhos mágicos como de Lewis Carrol. Vou ao socorro, para ver se me acho, e transformo cada imagem em um sentimento que me compreenda. Manso, retomo de outra forma o que me incomoda, troco as cores por outras mais vivas e regresso esperançoso, como a criança de minhas ruas, como se o tempo não tivesse tanta importância.

09 julho 2008

Idéia

Perdi um post e com ele um pensamento. Tudo porque fui dar razão a quem me criticou. Devia ter sido mais seguro e ter deixado a declaração que havia ali, um recado importante com endereço e remetente, uma verdade disfarçada por metáforas. Meus conceitos são translados, como meus dias e meus afagos, nada é como se apresenta e é isso que traz apuro. Quando lamento, vibro, se acredito, choro. Não há um caminho único para o fim que desconheço, nem uma evidência que me torne inteiramente claro. Aqui, como de resto, não passo de uma metonímia, portanto continuarei escrevendo. Serei melancólico, mesmo estando vivo, e quem sabe com graça redija de outra forma uma tristeza. Perdi um post mas não perdi a idéia, esta volta nova em outro texto.