21 dezembro 2011

Kombi

Esta será a segunda  referencia a Kombi que faço neste espaço. Acontece que tenho trauma deste veículo, se é que pode ser assim chamado. Passei anos trabalhando na zona rural  viajando em estrada movimentada e de risco dentro desta lata com motor e rodas. Foram muitas as ocasiões em que quase fui para o além... de Kombi. Seria um desperdício, pois  tive oportunidades mais gloriosas de fazer esta passagem, e venci. Também houve a vez em que o motor pegou fogo (foto) no meio da estrada de terra enchendo a cabine de fumaça, ou das tantas outras em que enganados pela tecnologia do marcador de bomba ficamos sem combustível no meio do nada. Lembro de quando caminhamos quilômetros sob o sol e poeira em busca de ajuda, nós, os colegas, e uma vaca companheira.



Ontem era meu dia de folga, e como de costume sempre algo de inesperado  acontece, desta não foi uma conta nova, a malha fina da Receita Federal nem uma ameaça judicial, mas uma Kombi que jogou-se sobre um poste há poucas quadras daqui apagando a luz por horas. E foram horas, mais de quatro, de calor escaldante sem poder usar a internet, sem um ventilador, sem uma volta na rua que valesse a pena pois todos estabelecimentos estavam  sem refrigeração e as escuras. Alguns até fecharam em plena véspera de Natal, e a "Praça de Luz" virou um breu desencantado e perigoso. Por isso não apareci no facebook, não combinei nada com os amigos, não tomei banho, e hoje acordei irritado. A luz deve ter voltado depois de eu ja ter apagado.

A perda não foi total porque  Kombi se desamassa puxando, mas meus dias de folga continuam tumultuados.


20 dezembro 2011

Abbey Road Pelotense


Café da manhã

Clique na imagem para ver o álbum.
Foram setenta dias compartilhando canecas, o que rendeu mais canecas.. até só receber como presente canecas. Com medo de ter como lembrança de Natal só canecas, dei uma pausa nas imagens...

19 dezembro 2011

João Bittar


Apesar da identidade fotográfica -e talvez tenha sido este o caminho para tornar este  mais um amigo de rede  social - foram dois hábitos particulares que fizeram me relacionar com João Bittar quase diariamente pelo Facebook. Um, porque como eu, era um madrugador, e não sei se dormia tarde, ou acordava muito cedo, mas eram deles as primeiras e mais procuradas publicações do iniciar do dia. Suas apuradas seleções musicais com Gene Krupa, Armstrong,  Art Tatum, John Anderson, Miles, entre tantos outros temperavam meus cafés da manhã, e por muitas vezes possibilitaram que trocássemos informações e preciosidades, como jóias guardadas por tanto na ânsia de ter um interlocutor que encontrassem nelas semelhante valor. João era um deles, deu vazão a minha solitária mania de gostar do que não é tão óbvio, tanto que por vezes  bastava um "curti" para perceber que estava sendo entendido.
Sentirei falta deste amigo.

18 dezembro 2011

Domingo



Final de tarde, meio que inesperada, a possibilidade de conhecer a caixa d'água da Praça Cipriano Barcelos por dentro e ainda observar o prédio da Santa Casa do mirante reformados.

Na primeira foto o hall de entrada do Ferreira Diniz - igual há aproximadamente quarenta anos.


Sobre ontem a noite...


Inauguração da panela de yakisoba comprada semana passada no Engenho São Paulo. Aprovada, receita, companhia e tempero.

16 dezembro 2011

Quarto


Querido diário, tomei uma atitude.

Noites de insônia até a primeira providência: trocar o colchão! Também, depois de quatro casamentos, e histórias sobre  "vudus" de ex incorporados... comprei um novo e taquei fogo no antigo.

Depois, foi virar os móveis. Comprei um livro de "feng shui" no sebo do mercado, e por horas de atenção sobre o sentido do vento, orientei a cama para o noroeste -um pouco mais a esquerda -  bem  longe das janelas. A estrutura de madeira, que é neutra, evita acúmulo de energias e sobre ela pendem agora:  um filtro de sonhos -  para os pesadelos mais pesados; e um cristal multifacetado (já que não havia espaço para um biombo) para manter os fluidos leves antes de fugirem pela porta do banheiro.

Adoro gatos, mas pela lógica de melhor companhia troquei a raça. Difícil foi encontrar o tal do Korat Tailandês que dizem atrair mais sorte, e sinceramente, não pude deixar de perceber o olhar de tristeza do meu velho persa pelo vidro  da Kombi, pendurado entre o criado-mudo e a penteadeira, todos doados para a tia Ana Maria, que tem uma casa grande mas que vive sozinha.

Apesar de pequeno, um tapete oriental com arabescos ao lado do cama para descarregar a primeira e última pisada do dia.

Para a iluminação, uma cortina de luz com a temperatura adequada para o equilíbrio e bem estar, fraca, mas que em alguns dias devo me acostumar, ou seguirei  a tropeçar no gato ou derramar leite no soalho. Telas trazem irradiação então aboli televisão e monitores.

Enfim, paz, silêncio e calma.

E dois lexotans, porque ...








15 dezembro 2011

Por-do-sol


14 dezembro 2011

Dias mais tranquilos

Com 1000 visitas em seis dias este espaço mantem-se mais visto do que os anteriores. Hoje definitivamente mandei a morsa para o mar, sem arrependimento, e para comemorar republico: 




Desde cedo vinha com dor de cabeça, mas aquele devia ser um dia mais tranquilo.
O carteiro esqueceu meu endereço, ou estou mais organizado do que antes. A única missiva foi o aviso de que havia uma encomenda na posta restante. A esta altura nem lembro mais onde fica a sede do correio, mas não lembro também nem o que almocei  a pouco, e isto me incomoda, assim como não conseguir evocar o nome de alguns amigos não tão distantes, mas necessários em horas importantes. Volto a cefaléia, ou será que não falei nela?
"Começou como uma fisgada no lado direito depois passeou sobre os olhos até o outro, alojando-se por fim fixamente na mandíbula, atrapalhando raciocínio e  senso."
Por isso esqueci e tornei a atender todos os telefonemas como intransferíveis.
Meu cachorro tem cara de leitão, e não entende porque não brinco com ele, retribui meu raro afago com careta e só não lhe  boto a língua  porque, mesmo só, sentiria-me  ridículo.
As ligações são de banco oferecendo cartão sem limite, quando deveria ser sem crédito; uma moça, perguntando se eu não tinha emprego para lhe oferecer - oferecida - diz que podia ser desde babá a faxineira, talvez meu filho, adolescente, até gostasse, mas estou de cara com seu rendimento e tantas saidas sem volta pelas madrugadas, que dispensei a coitada. Entre outros, ela...
Ela, sempre ela, a insistir preocupada, não sem antes reclamar do porquê em demorar para atender o telefone. Queria saber se havíamos ficado bem na outra noite. Quis ser grosseiro, mas, como sem óculos  não identifico  chamadas, atendi na simpatia. Era para inventar  uma desculpa para a rápida despedida, ou ter citado alguém para alimentar  o imaginário doentio e ciumento -mas sou péssimo para nomes nesta hora. Bem, que cada um passe por seu momento, no de hoje sou um telefonista  portador de enxaqueca, e me rendo.
O vinho - foi ele a unir as duas passagens. De baixa qualidade, e doce, não foi suficiente para aquecer o ambiente, nem  as velas -  nanicas - que apagaram-se  nos preâmbulos.
Ela, sempre ela, falando sem parar  de seus problemas cotidianos, constante até que minhas veias passassem a pulsar mais do que pelo efeito do álcool ou pelo cheiro da benzina que, enganado, usei para tirar o resto de parafina.
O telefone toca, novamente, o tinido repercute no cérebro que não quer mais discutir a relação, nem os fatos ou o sistema.
O que foi mesmo que encomedei pelo correio? Tomara fosse uma nova cabeça. Não... foram velas - místicas e milagrosas.
 Na posta, a aposta tardia, de distantes dias mais tranquilos.

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Parente da Lisa - Boston Terrier

Para a Donna não deixar de ser homenageada:
via the internet pug database

13 dezembro 2011

O Muro


Primeira terça de folga sem os assombros das últimas semanas. Correndo tudo bem, sexta-feira ja tenho a sentença que comprova a parcela da pensão para a malha fina. Depois de tandos anos e todas as reviravoltas, só a Receita Federal para não respeitar nossas conquistas, mas que seja, a esta altura, já intimado, prefiro pagar o que for autuado a ter que ficar correndo atras de documentos.

Hoje deu tempo para café, conversa com circunstantes, um momento de terapia, e muito contato com os filhos. O almoço foi "almodovariano" com ex-esposa, filhos, amigos, primos, atuais e desconhecidos.

A foto do muro de engradados é uma homenagem ao Roberto, Daniel e Matheus.

12 dezembro 2011

Inadequado

Simples
A semana recomeça sem ter sido interrompida. Trabalhar no sábado, para mim, é uma experiência de relatividade, a percepção de espaço-tempo me coloca em outra dimensão.
Por isso quase visto umas bermudas, inadequadas para uma segunda-feira, mas que, não por acaso, estão ali na cadeira porque comprei-as no domingo, final de tarde, com o comércio aberto, e cheio, devido as festas natalinas.

Se disser que odeio, não é para tanto, mas, não me sinto muito a vontade nesta época. Começa pelos primeiros dias de calor - insuportáveis-  depois, as correiras:  filas de bancos; povo demais nas ruas; gente de menos para ajudar no trabalho.
O pensamento de muitos esta na possibilidade de fuga -isso para quem tem férias, ou para quem pensa que pode. No trabalho a briga pelas escalas, afinal todos tem crianças em escola, ou  querem pegar uma praia, ou simplesmente ferrar o colega só estava "preso" no ano passado...  Aos separados a pergunta: "este ano no Natal,  com quem ficam mesmo os filhos?". Os homens preferem a virada, os amigos também.  Estes tentam forçadamente um encontro - depois da ceia da família; depois de meio embriagado; depois que o trânsito estiver calamitoso... - estresse e dor de cabeça.

O calor...não há roupa com ar refrigerado, nem pele que não transpire mesmo embaixo d'água. Não sei se vou ter folga nem onde vou passar os feriados (?) mas hoje, acordei virado e por pouco não vou trabalhar de calças curtas.

11 dezembro 2011

Quadrado

Quadrado
O Quadrado é um espaço alternativo para os fins de semana nesta cidade que não tem muitas alternativas. Quando nada mais há a ser feito, partimos par o Quadrado.


O Quadrado é um ancoradouro de barcos localizado no bairro das Doquinhas, junto ao Porto de Pelotas.
Foi, e é, um local de pesca localizado quase no centro da cidade.


Por muito, até ainda um pouco, abandonado, servia de encontro para tribos variadas.


Local de descanso e namoro.


Mais fotos no Flickr/camafunga


"Ta dominado..."

Agora este espaço tem nome.
Pelo número de acessos e pelas facilidades do Google o diário passa a ter domínio próprio. www.diariodecanto.com

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Café da manhã
Mesmo sem ter dormido, depois de uma noite de trabalho, ainda com dor no corpo pela pasta encurvado, arrastado pelo trajeto aprecio o o início deste novo dia. Um pouco nublado, ora chuvisco, cheiro de terra molhada. Deixei minha carga na portaria e segui apenas com  o telefone e um cartão de banco. Lixos de resto de noitadas, os boêmios retornando, reflexo de mim nas pequenas poças, e, mesmo sem ter dormido, com o corpo todo moído, aproveito com com certo espanto, por estar feliz mesmo sendo  domingo.

O café foi o final do caminho, e me custou, além dele, uma rifa, mas valeu a pena...

A lua

Todos eles estão errados...

10 dezembro 2011

Comida

Nem Quadrado nem Laranjal : Lanche no Aquário.

Cristina comenta que nossas fotos de encontros são sempre em volta com comida. O comensal e a comilança são inerentes das relações sociais e as fortalece. Sobre isso encontrei uma ótima referência:

O simpósio, o banquete e o festim crismam-se como instituições sociais. E vinculam-se a todos os gêneros literários. O calor e as emoções do convívio abrangem inúmeros registros: da conversa amena à sátira mordaz, dos propos de table  à oratória, dos almoços de negócios aos jantares diplomáticos e às ceias fúnebres. Embora dissimulada, a pretexto de mais nobres objetivos, a sensibilidade gustativa se faz aí representar: é em torno da mesa, sob a inspiração de um cardápio, no horário costumeiro das refeições, que os comensais se reunem. E o gosto fatalmente se insinua. A consequencia dessa ambiguidade? A metáfora do saber e do sabor: a língua que sabe é a língua que saboreia, que degusta.
QUEIROZ, Maria José de. A literatura e o gozo impuro da comida Rio de Janeiro: Topbooks, 1994. p. 20.
Fonte: Refeição e convívio 

Passeio


Hoje é sábado e embora tenha que trabalhar a noite estou pensando em juntar a gurizada pra dar uma volta.
O dia já fez suas caretas, ora parece que vai cair água, ora o sol chama para a sombra. O pessoal de casa esta espalhado, até o filho foi contratado para um trabalho temporário (só esta tarde).

Aproveito para pensar em um itinerário típico destes dias:



Coluna Social

Dois eventos movimentaram a noite desta sexta-feira, primeiro a festa de fim-de-ano do Hospital Miguel Piltcher e depois o churrasco na casa de Daniel e Ettiene.
Agora o fato visto pelo olhar de nosso cronista social de plantão.

Camafunga, Nat Redu, Etti Mattos -anfitriã da noite - e Caetano em open house  gaúcho.

Colegas em movimentado evento de final de ano do HMP.

Galinha
A agitada comemoração de final de ano do HMP contou com a  nata da saúde da cidade.
Entre médicos e colaboradores a presença de representantes de outros importantes setores de nossa sociedade. O ecônomo do Clube de Subtenentes e Sargentos encantou a todos pela temperatura dos refrigerantes. No cardápio, além do buffet de saladas tropicais a delícia das  galinhas do Luciano. No evento a merecida homenagem a funcionária Rosinha (centro da foto) pelos seus 75 anos de serviços, sem ter quebrado um ovo nem ter posto atestado.

Vaca e Ovelha
Em encontro petit comite estiveram reunidos para despedida de solteiro no maravilhoso apartamento de Etti e Dani: Camafunga Soares, Nat Redu entre outros. O churrasco (com um tom de barbecue)  elaborado pelo dono da casa, foi de rês e ovelha acentuadas no sabor pelo uso de poivre de Cayenne - original da França onde moraram por alguns meses. Mas como ninguém é cordeiro a língua correu solta.

Cachorro
Lisa, a Boston Terrier e Donna, a black Pug premiada,  foram vistas em passeio diário com seu "personal dog" durante a tarde de ontem. Ambas preparam-se com condicionamento físico para procedimentos plásticos com renomado cirurgião veterinário; a primeira uma correção no abdomem (hérnia) a segunda uma rinoplastia para melhorar o aspecto, a respiração e diminuir o ronco.

09 dezembro 2011

Um dia especial


Por mais importante que pareça, perda de sono ou ansiedade que carreguem, o tempo destrói os encantos mudando de vez  gostos e realidade.

Maria Cristina acordou cedo depois de uma noite nem dormida; passara sonhando com o momento de usar o "coutil branco" que prometia deixa-la  com cinturinha de marimbondo. A mãe, vindo do Rio, trouxe um lindo chapéu de feltro, debruado em tufos de tafetá presos por um discreto broche de penas pretas. Hoje ela fará 15 anos - única das filhas a chegar a tanto: Maria Eugênia morrera pela espanhola e Maria Eudóxia por uma febre intermitente. Eram muitos os presentes a esperar nos pés da cama:  vestido de veludo bege, colete de piqué claro e botas com botões de pelica, tantos que na emoção  nem percebera... o calor que prometia. A festa começará cedo, quem sabe ali um pretendente - a mãe queria um moço simples, o pai o  filho do intendente. Passara bem no curso  de asseio,  das flores  os mais belos arranjos. Júlia Lopes lhe ensinara os caldos, que deixava para o irmão quando voltava dos Correios. Chove tanto em Porto Alegre que talvez alguns se atrasem, outros provável não cheguem, muitos, nesta enchente, nem venham.
Psicografado por Guaraúna.

Parentes

No verso dos retratos...

Família

Amandio Nunes
A foto faz parte do acervo que recebi ontem de presente do meu tio com mais de 100 fotos antigas de família. Entre elas, preciosidades de caras, poses e cenários de estúdio, até onde a prata conseguiu manter-se e  fixar-se. São Soares, Nunes, Ferreiras e Carricondes em imagens que vão de 1882 até 1924.

Esta retrata o "Velho"Amandio, avô do meu avô, combatente da Guerra do Paraguai, homem polêmico e rígido, fez história em Arroio Grande, seu filho, que tem o mesmo nome de meu pai - João Félix Soares - foi intendente por anos nesta cidade, mas aí é outra história.

08 dezembro 2011

Mangá


Viagem próxima


As imagens acima fiz na última viagem a Buenos Aires no início deste ano.
Tudo pronto para a próxima: roteiro, passagens e passeios. O destino não revelo ainda, mas se tudo correr como esperado teremos novas e interessantes imagens.

Plantão


Três horas da manha e nada de conseguir dormir:  "a noite passada até morreu gente" -  disse a Ettiene, em uma mensagem feita como esta na madrugada. O Jô anda sem graça,  e começa  cada dia mais tarde. Em  casa não ouço mosquito, aqui eles "mordem".  Meu pescoço tem alergia a aparelho de barba, ontem cheguei sangrando à Receita, hoje, festejam os insetos. Pode ser que daqui a pouco acalme; tenho fome, mas faltam horas para abrir a padaria, agora só tenho um resto de Schweppes - Citrus, mas beber não me animo, tenho medo acordar outra  azia. Adoro pão prensado com presunto, mas o dali venho associando a cansaço. Parei com a mania de fazer fotos de xícaras, algumas que ganhei pelo hábito, sequer no album estrelaram - sobrou, entre elas, a que late e outra, com o Gardel estampado,  que imita um tango quando aquecida. Como som não aparece na imagem deixei-as para outros dias.
As janelas,  por economia, acompanham a luz desde o nascer do dia, em breve vai  brilhar este quarto - são altas  e não existem cortinas. O ar deixou o ambiente gelado, padeço como em câmera fria. São três horas da manha e nada de dormir, não consigo. Esqueci até a hora em que fico, nem se volto, se tenho ou não outro compromisso. Os medos, como pesadelos vivos me assolam, nesta hora não sou crítico. Não sei se sou de fato inocente ou será que pratiquei algum  delito? Só preciso acomodar o travesseiro, usar um spray para mosquitos. A luz, que ora me acalma, é tênue, a luz é o que sai deste micro.

07 dezembro 2011

Fim-de-tarde


Praça Pedro Osório

Depois de aproximadamente sete anos de publicação do Diário da MOrsa e do Blog do Camafunga mudamos o endereço e formato.
Buscando uma relação mais direta com as redes sociais - e direcionado para para este tipo de público- o conteúdo, antes publicado no primeiro, passa a ser atualizado aqui: no Diario de Canto.
"De canto" não é alusão a música ou algo que a valha, se isso fosse talvez iniciássemos desafinando, mas sim, por uma conotação mais privada e para conhecidos.
De resto, para os que já nos acompanhavam, fiquem a vontade para curtir, comentar ou divulgar o que possa aparecer de interesse.

Imagem

Mauro no Ponto Chique.

Nos dois últimos dias, disponibilidade -ele de férias e eu trabalhando só a noite- oportunizaram  passar as tardes com meu irmão. Entre engenhos, médicos e advogados, panelas, cafés e judiciário, conversamos talvez mais do que nos últimos três ou quatro meses, e embora o curto tempo para repouso- e raro - valeram as horas de tanto papo.

06 dezembro 2011

Amelianas


Do tempo em que era usuário mais presente do Flickr criei um álbum referência a imagens com a atmosfera do filme Amelie Poulain de Jean-Pierre Jeunet.  Confira:




05 dezembro 2011

Atemporal



Bastou entrar para identificar: "Madeiras do  Oriente"- o perfume que usava minha avó durante sempre;  daí nada mais seria   necessário para que uma viagem nostálgica tivesse prosseguimento. No entanto, de um canto do pequeno quarto, levando distante a  voz da senhora que me chamara, e  em favor do apelo das imagens,  gritavam-me objetos esquecidos pelo tempo. Onde, além daquele cheiro, encontraria um antigo ventilador em aço,  em  tão bom estado, capaz de espalhar ares e aromas para envolver-me em velhas  memórias, ou, por quanto me aguardava num bule  aquecido, café, que  antes fingia não gostar, mas  que agora aprecio? Desprezo da mesa apenas os pequenos comprimidos coloridos que insinuam alguma doença - talvez o verdadeiro motivo para estar ali tão próximo - mas  preferi me deter em  lembranças saudáveis: nas tardes de trocas de afeição e companhia, nos momentos de  entendimento mútuo e dos conflitos segredados entre eu e outros deles.
Como na literatura, entendo que nasci um velho que precisou aprender, que apesar de complexa e  finita,  a vida é uma chance fugaz de aprendizado e rejuvenescimento. É na saudade de algo nem vivido, no olhar e na história de quem já passou por tanto,  que busco  sentir-me esperançoso. Depois, coberto de compreensão e em qualquer tempo, antes que esta situação se inverta,  faço o que ainda pode ser feito: escutar como um menino.

04 dezembro 2011

Adjetivando




Mas que nada.
Depois de alguns dias para lá de reflexivos, agradeço a força de não sucumbir ao cortar dos pulsos ou ter que recorrer a pesados antidepressivos. Agora, no "Jazz Medley" - pela exótica e maravilhosa "Webradio Jazz de Varginha" - escuto Sarah Vaughan acolchoada por rico coral ao estilo "pano-de-fundo Broadwayano". Tomo coragem, abro a mão e tiro o lacre da Marula fruit and cream  (Amarula), comprada por uma pechincha aqui  em Rio Branco, só lamento não ser chegado ao tabaco para tornar mais melancólica a construída cena. Como diria o meu filósofo preferido - Cid Renê (ou teria sido o JC Cavalheiro?): "o que não tem como ser resolvido, estragado fica...",   então, até que surja a solução ou um braço amigo, sigo sozinho, curtindo leve algo como  as cenas descoloridas de um filme antigo.

03 dezembro 2011

Fim - de - Semana

Café Aquário a tarde.
Praça Pedro Osório
Janta em casa
As companhias se renovam ou acrescem.
Gente nova, gente antiga, a revesar nas horas do fim-de-semana.
Bem vindos Paulo e Pedro, Letícia e seus penduricalhos.

A janta da Vera custou a compra de uma panela de paella no Engenho São Paulo; a Vera custou a compra de uma mesa do Brique que nem foi pago; as fotos custaram o encontro de outros amigos para o dia seguinte; o encontro  custou uma sessão de cinema com pipoca; a sessão custou a percepção da Donna ofegante que custou uma ida ao veterinário, uma indisposição familiar e a falta da mesma para a primeira aula de adestramento. O adestramento custou uma fofoca sobre o profissional e o veterinário, mas aí já é outra história e seguir não custa nada.

02 dezembro 2011

Perdi


Perdi a linha, perdi o risco
Perdi o senso do bom-termo
Perdi a hora e a condição

Queria  perdir um tempo

Quem sabe a paz...
 das tuas mãos?

Camafunga

27 novembro 2011

Passado


Ontem foi o lançamento em Arroio Grande -  na Praça Zeca Maciel-   do livro "Na palma da  mão" de João Félix Soares Neto.
A memória garantia que naquela praça há longínquos anos - do hábito de passar  parte das férias de verão com o nossos avós-  a primeira foto havia sido tirada. Tanto tempo, e guiados pela lembrança, resolvemos repetir a cena. Problemas de volume, espaço, área e peso, marcaram a dificuldade técnica deste simples ato, e rapidamente, antes que um "guarda Belo", do brinquedo nos retirasse (sob risco de quebra ou desabamento) posamos para  um momento de comparação e eternidade.
Agora, avaliando os detalhes, percebo o quanto esta memória é falha e, sem dificuldades, consigo identificar algumas semelhanças e erros:
  • Estamos invertidos, talvez pela  mania de achar que na infância, por ser mais velho, eu  estaria sempre à frente.
  • Continuamos nos vestindo como gêmeos.
  • Quando criança a cabeça pareça maior em relação ao corpo.
  • Os óculos, em ambos, sugerem a genética da visão cansada.
  • O primeiro escorregador é mais seguro.
  • Fotografia em preto e branco é sempre mais nostálgica.

01 novembro 2011

Momento de Luz


O brilhar da primeira pedra, cristais espalhados pela casa.

Na maratona mística ceguei-me com as luzes da cromoterapia e quase tropecei em um par de pirâmides mal posicionadas. 

Algo pende da porta do banheiro - depositário de más energias - e distribui o ódio como prisma, até onde deveria reinar a harmonia.

No tempo do" não parecer válido", o meu desprezo a alquimia. 

Ignorância não desperta angústia; medo, glória ou alegria. 

Acato o achado Divino  que vem da culpa e do proibido; fujo de ser mais claro evitando ser  objetivo; viro o que nem sou, ou prego, e  fica nisso o que acredito.

Tanta gente em minha volta, seja em carne, osso ou em espírito, que qualquer probabilidade de encontro reflete o apelo ao desconhecido.

Fujo de ágapes e confrarias; discussões em sindicatos; longas conclusões vazias; odeio  idéias surgidas sob o claustro -porta fechada é fobia.

Perguntas a que me refiro? Ter fé num paraíso?
A contração ao absoluto é  a ceder a um único destino.

Não - mais uma vez -  resumindo: 
Por favor, quero  ficar só...
Só no sonho, quieto
com meus cristais... iludido.

26 junho 2011

Frio 2


##, originally uploaded by Camafunga.

11 janeiro 2010

Companheiros


Companheiros, originally uploaded by Camafunga.

14 setembro 2009

Segunda

Então, ou caminho sem rumo, ou fecho as janelas e esqueço que é dia. Síndrome de segunda-feira e nada como um iniciar de semana atrás do outro para perceber que a vida é um ciclo, melhor, um círculo, que se repete e não se fecha.

Acho graça das pessoas que vestem a primeira coisa que vem pela frente, mas, de onde sairam aqueles sapatos de cor lilás? Nada parecia combinar naquela composição de rua, e prendo o olhar em detalhes como as meias claras salientando o mau gosto dos passantes e dos calçados. Quando estou assim, tenho atração ao feio. Da menina pendurada, mais do que o carinho da mãe que corre atrasada, da roupa que sufoca de tão apertada, me chama o ranho, seco e pendurado, como cascas de falta de higiene dizendo: sou mal cuidada. Até os cães me aborrecem, passam a noite ao relento e no fundo, bem no fundo, acho que merecem. O mesmo pensar dos pedintes, dos jornaleiros que estão desde cedo acordados, dos que não despertaram por ressaca, os soltos e desamparados.

Hoje é segunda-feira, não há poesia fora do inusitado.

O sol não combina. Como, sob o calor, vestir um casaco. Mas vagueio mais um pouco, a busca do que não sera encontrado.

08 agosto 2009

Jardim de Inverno

Quando não havia maiores perigos...

Deixei a porta aberta.

Adoro o muro vazado que permite que o vento assovie enquanto consigo ver quem passa e se aproxima. A grama neste jardim tem cheiro de tempero e a terra escura a textura de um carinho. O espaço é pequeno mas cabe boa parte do meu imenso mundo, cavo um buraco para esconder o meu futuro. Umas moedas, uma foto com minha família, um recorte de jornal e um frasco de remédio. Forro com a relva recortada em bloco esperando que as raizes envolvam e preservem para muito este tempo.

Que entre, apenas quem me interessa.

O sorriso de minha mãe é terno e verdadeiro, mais sincero que a memória distraida, o cuidado dos meus fizeram que eu chegasse até aqui, com todas as qualidades e angustias que moldaram minha vida. Tenho irmãos e agradeço por isso. Um, pelo menos, dividirá este pensamento. Não voltei ao jardim nem descobri meus preservados. As moedas foram poucas e não vingaram em frondosa arvore da fortuna, o remédio no entanto é desnecessário, e as noticias são efêmeras como a importância de datas. O muro deixa que passe a noção de tempo e sibila a nostalgia pemitindo que veja quem me precede.

Quando não havia maiores perigos, deixei a porta aberta, para que entrasse, apenas quem me interessa.

28 janeiro 2009

Inconciente

Prefiro não comentar meus pequenos enganos, nem os maiores, mas eles estão ai, por todos os lados.

Nem todos que me escutam são interlocutores do que chamo: pensamentos soltos, mas sofro pela crítica de um comportamento livre, como se fosse dissociado do que eles mesmos, de mim, esperam. Fazer o que? Aceitar que penso mais rápido do que atuo ou devo partir para o enfrentamento do que não me aceitam? Quem sabe, apenas não dar atenção, deixar que o tempo cumpra seu destino, porque vai ser assim, gasta-lo para questões maiores como... Sobrevivência.

Ainda sobre enganos. Cometi vários. Desde o nascimento, quando esperavam um choro breve, mas não me joguei de cabeça, e entalei na vagina parideira até que me tirassem a fórceps para ver o que me esperava. Depois, fui o único com olhos sensíveis a luminosidade intensa, e passei a enxergar franzido. Acho, também, que por isso, ficar entocado observando a tudo pelas frestas e janelas, era mais confortável, assim, conheci as coisas e as pessoas, sempre pelos pedaços, desviei meu desejo aos entrecortados, incompletos e mal iluminados. Fiz de riscos meus primeiros amigos, dos mais íntimos até os amores. Levei tempo para conseguir juntar pedaços como traços de hachuras, a definir mais claro o que seria luz, meio tom ou sombras.

Houve época de gritar, mesmo sem para onde. Quem por paredes grossas de ensinamento rígido escutaria além do som das palavras mais audazes que retornavam como velhos e fracos sentidos. O diálogo no rochedo é monótono e repetitivo. Mas soltei a voz no vazio da volta, inútil volta.

Entre o erro e o diálogo, escolho o silêncio da escrita, esta, que, a menos que não seja lida, chega certo apenas a quem importa, sem eco ou traços incompletos que o inconsciente trata de reunir e dar sentido.

14 janeiro 2009

Psicoanalise

Uma das sugestões foi de desmontar um elevador, não entendi, mas junto havia a possibilidade de fotografar, fazer um boa comida, voltar a academia. Qualquer coisa para ocupar a cabeça e afastar os pensamentos repetitivos, repetitivos, repetitivos. Agora tenho dois comprimidinhos que me acompanham, um branco e outro roseado. O primeiro agita, o segundo acalma, e assim pretendo ter a paciencia necessária para suportar a espera. Pelo menos, o dia não me parece cinza, nem escuto réquiem em meu mp4, mas ta custando a ter um sol que dure mais do que poucos minutos. Daí este guarda-chuva estranho.

Sentei de pernas abertas, da forma que seria imprópria pelos costumes que fui moldado. Não sei se seria melhor estar ou não de olhos congestos, poderia passar idéia de tranquilidade, e afinal estava esperando para ser consolado, mas se notasse tamanho sofrimento poderia magoar a quem consola em tantos anos de entendimento. 

Fui em dois, meio esquisofrênico, e não sei se meu lado melhor foi o que se manifestou o foi o que ficou de companheiro. Consegui resumir os fatos, estava com problemas que iam desde o sono atrasado até o plexo corióide. Cansado de sonhar queria poder dormir, cheio de tentar queria finalmente agir. 

E agi. Antes procurei a mãe amada na figura da esposa perdida, nas recompensas da memória alterada pelas mais recentes instabilidades, virei santo, excluido o celibato, virei um pai, modelo, pobre, mas  dedicado.
Revirei os estandartes sem achar a  beatice, exonerando os diabos com seus pactos e artífices.

Há um tempo, quando propuseram alta, ouvi um coro de dúvidas e indignidades, era como uma mãe a abandonar o filho, um espelho a proibir imagem. Gostei da piada fora de hora, da fala perdida e da risada. Gostei de ter sido comparado a um mito e mesmo de pernas inadequadas manter-me em equilíbrio.

Complexo como a ilusão da morte, sigo buscando o caminho e a saída. Falo, e me repito, repito, repito e me repito, até um dia poder, por mim, ser entendido.

27 dezembro 2008

Tchau

Ao sair, já tarde, comentou... voltaria.

Afeito a carregar brinquedos, cada vez mais sofisticados, empurrou o que podia no fundo dos bolsos e com os fios sobrando por fora das calças correu para o destino que o esperava. Contava com os poucos trocos que foram acumulados, quase nada perto de tudo que havia custado ter chegado vivo até ali, mas o suficiente para sobrepor os inconclusivos compromissos.

Sabia que alguém poderia ter ficado triste, talvez até chorassem, ou não, quem sabe o amor fosse tanto que fizesse compreender de forma menos egoísta, dos outros, as necessidades suas. Mas não seria assim, do contrário, o anúncio da volta talvez tivesse sido verdadeiro. E não sentia, de forma alguma, um aviso cínico ou dissimulado, alivio foi o modo determinante, aliviado, e despretensioso, para abrir-lhe o caminho.

Ao sair, já tarde, determinou... não havia volta.

26 dezembro 2008

Arte

Antes que seguisse,  esticou-lhe os braços e entregou-lhe uma caneta. Espaço. Com ela, mesmo que não  percebesse, rabiscou em cada dia o pano de fundo, os caminhos e as possibilidades várias de um trajeto. 


Traços simples, riscos toscos, linhas imcompletas, mesmo que tentasse, e fora dele, somente a alguma distância seria possível atribuir-se um sentido.

Mas algo mais é impreterível, o entendimento do realizado.  Tento dar-lhe um lenitivo, quem sabe um  número pela esperança e assim também firma-lo como idade? Mas artista não mensura, nem atitude, nem comportamento, então ofereço algo entre o nascimento e a morte. 

Angustia a falta de prazo. Infinita é a tinta e a vontade.

Para o passo, que incita, iniciativa é a intenção da vida,  o desafio entre o desejo e o tempo. Para a obra e celebração de término, para o júbilo, aprazimento e gáudio, a compreenção madura de que o que importa não é a obra, mas sua essência.

12 novembro 2008

Leitura


Leitura, originally uploaded by Camafunga.

18 outubro 2008

Fresta

Quantos tempo sem abrir as janelas?
O suficiente para esquecer da vista, por isso, me surpreendi com o que vi. Não faz sol nem chuva nesta casa, mas, lá fora, o clima muda de tal modo que fica difícil definir estações e clima.
Meus pais saíram cedo o que confunde a noção de horas, eles trocam de atividade e emprego como eu de humor, tanto, que não sei qual deles me sustenta ou se me falta. 

Sempre quis um animal doméstico, agora teria a quem dedicar afago, mas sobram papéis com notas e roupas, jogados pela casa. Bagunça dedicada. Em meio, leves só os tecidos que mantém-se perfumados para sustemtar nostalgias, seletivo, recordo um período mais antigo onde o que era novo é o que  hoje me traz enfado.

Abro de canto até que a luz incomode e irrite, desvio o rosto com desconfiança do que resta desta via. Custo, mas consigo acostumar-me ao claro apelo de sair a busca, até as roupas aproveitam roubando novas cores para se  mostrarem vivas, eu, renitente, permaneço sem camisa. 
Nú em esperanças penso se retornam, ou terei que enfrentar o tudo sozinho? 

Os textos são de contas e cobranças, alertas para que não caiam no esquecimento, projetos não cumpridos associados a  tarefas de longo prazo. 

Opto por fechar, de leve, como se apagasse um curto filme, tão curto como o tempo e esta escrita,  que me restam para colocar  a casa em ordem.

18 setembro 2008

Relação


XX-X, originally uploaded by Camafunga.

13 setembro 2008

Âncora


Âncora, originally uploaded by Camafunga.

Reflito nas cores que o sol descobre, modulo como as ondas que embalam a vontade de calmaria, fixo minhas idéias até que alguém também embarque.

18 agosto 2008

Segunda -feira

Afasto as meias do teclado para ver se acho as letras. Tem mais de um copo aqui do lado, café e refrigerante, restos de um domingo de chuva assim como os farelos de bolachinha que jurei nunca mais comer junto ao computador. Olho de esquina para a cama desfeita há dois dias e desvio para a TV que não cobra, mas, não me diz nada. Sinto falta de algum dos felinos que ja tive e que fariam festa em tanta roupa espalhada. Se o círculo esta assim, quem dirá minha cabeça que insiste em se expressar.

Arredo os medos dos hormônios para ver se organizo meus pensamentos. Há vários sentidos tomando forma, pedaços de um dia mal aproveitado, borras de incongruências e bolhas de intenções não realizadas, que acreditei ter deixado de elevar junto a vida prática. Reflito por flagrante no leito desfeito e a vejo junto aos gatos como um delírio de instante. Se minha alma não se veste, por que me atrapalham os panos? Volto ao entorno e me reencontro.

Acolho um som que vem da rua, sirenes afastam o passado, enfim, hoje é segunda, mais do que eu, um dia prático. Por que dispensei a faxineira? Não vou seguir de carro! Gritos para que eu levante e arrume o corpo, considerar também os membros, enrijecer o tronco. Músculos mal aproveitados, olhos projetados por um sono sequelado. Bate o coração como bomba a espalhar apenas resultados. Contas, horas e trabalho, horas, roupas e retalhos. Invejo aqueles que se ajustam. Outra vez panos e gatos.

Não sei qual melhor argumento, o caos interno ou o intento? Lembro tanto de meus bichos que dispenso todos ritos. Mesmo assim vou-me embora, sem retorno mas com demora. Preferia o domingo mesmo com toda madorna.

16 agosto 2008

Arte

Em meio a tantos se aproxima. Passa entre, e chega até a parede branca, muito branca. Observa a tela de cimento e cal e lamenta não trazer seus instrumentos. Alheio ao povo que esbarra e segue, vaza o que o cândido vazio impulsa. Lateja uma vontade imensa, mas, sem grafite, grafita na idéia o que gravita além do que é possível ser percebido. Invade sentimentos vários, corre a mão no imaginário, traços e cores em especial agito. Aves encontram seus ares e seres mergulham em pura liberdade, treme em euforia solitária, perfeição de formas e juízo, nem abstrato nem definido, apenas sentido. Evitam, sem desculpas, passantes e corridos, entre as personas se afasta, falta público para egoísta arte, fica apenas a parede branca e a lamentável perca de uma oportunidade.

01 agosto 2008

Pelotas


Pelotas, originally uploaded by Camafunga.

Há mais de uma forma de enganar-se. Não sei se prefiro a rama ou o calcário, não defino quem chegou primeiro nem quem vai morrer a frente. 
Há mais de uma forma de assitir o mesmo evento, as ideias voam em perdidos entendimentos, ora gosta, ora repulsa. Aceito que devo me curvar as horas, mas não sei se sou de pedra ou sentimento.