Morri sem perceber.
Penso em abrir os olhos para confirmar, mas tenho dúvida. Visões antecedem o despertar, e confundo o frio intenso com o calor das últimos horas, terei que decidir desde a roupa que ora me abandona até se usarei meus óculos. Será que ainda enxergo ou somente sonho estas imagens que aguardo? Quero tocar de leve, e sentir, há um corpo aqui ao lado ou apenas um revirado? Invade um aroma sutil e agradável, agora até o eter quer reter na mistura sentido e matéria. Vou permanecer, mais um tempo, imóvel, afinal percebo-me inerte, rijo, embora leve. Meus pés se depositam sobre algo, os lábios que de sede salgo, a saliva do que me parece gosto alheio, é puro e pulsa coração e veia, mas se estou morto lateja apenas um desejado devaneio.
Morri sem perceber, e posso não estar só nesta passagem, será que devo liberar a vista? Flutuo numa conquistada realidade, liberto, caso fique confirmado o medo é falso e maltratado. Hesito, prefiro é acreditar nisso mas posso precisar morrer para permanecer vivo.
01 abril 2008
23 março 2008
20 março 2008
Tempo
Quem me conhece, e sabe destes dias, deve estar esperando algo maravilhoso por aqui, mas, eu ja disse a quem me acompanha, este espaço é atemporal, e nem sempre corresponde aos sentidos e, tampouco, acompanha os momentos, sejam bons ou ruins. Aqui posso me surpreender se o homem chegou ou não a lua, porque prefiro imagens vindas das poesias, das letras de músicas, de satélites imaginários e brilhos cor de prata, e nem importa os grandes avanços da tecnologia, porque posso ainda ficar ansioso por não receber uma mera carta, porque meus desenhos sairam tremidos, ou se meus textos não são correspondidos. Que sintonia, se aqui pode ser ontem ou algo nunca vivido? A criança espera que o dia não passe e que a noite seja breve, se vivo um novo dia, e é bom, ótimo, mas ainda assim vou me recolher aos quartos quando escurece e olhar para as janelas que protegem dos pensamentos mal compreendidos. Mas, se querem que eu diga, estou feliz, mais leve e iluminado, embora, na mesma dimensão de minha sensibilidade, por isso não mudo, mesmo que nunca fique calado.
10 março 2008
Ultímos passos..
Não é ainda o momento, é só o passo, mais um, ou menos.
Luto é rever a perda como irreversil, o inverso do parto como diz Chico Buarque, mas não deixa de ser uma gestação para nova vida, o meu esta no fim, como as horas que mantém a escuridão da noite e vulgariza seus mistérios depois que surge a luz do dia.
Queria que o tempo revertesse algumas perdas como se nunca tivessem existido, mas ai não teria jamais do que sentir saudade, mesmo a má nostalgia é um recorte da vida e no mínimo um aprendizado, até a dor é prazerosa depois que passa, nada é em vão, mas não é ainda o momento para despejar uma crônica que nasce pronta e cujo título me persegue por tantos anos.
Os passos foram dados, cada dia mais um, ou menos.
Luto é rever a perda como irreversil, o inverso do parto como diz Chico Buarque, mas não deixa de ser uma gestação para nova vida, o meu esta no fim, como as horas que mantém a escuridão da noite e vulgariza seus mistérios depois que surge a luz do dia.
Queria que o tempo revertesse algumas perdas como se nunca tivessem existido, mas ai não teria jamais do que sentir saudade, mesmo a má nostalgia é um recorte da vida e no mínimo um aprendizado, até a dor é prazerosa depois que passa, nada é em vão, mas não é ainda o momento para despejar uma crônica que nasce pronta e cujo título me persegue por tantos anos.
Os passos foram dados, cada dia mais um, ou menos.
08 março 2008
06 março 2008
Metropole Relativa
Agora percebo até onde seria possível, muito antes de ser o que vim a ser, descobri como terapia o desbravar de uma cidade maior e de sua nova e estranha cultura. Os meios justificavam os caminhos e cada fim-de-semana era como uma terapia completa, e foi assim que me encontrei estando perdido num mundo que parecia tão grande e tão mais completo, um mundo cheio de possibilidades e enfrentamentos, onde só fugi das regras e cresci vencendo as impossibilidades, os preconceitos, as normas e a moral que pareciam ir se perdendo na estrada. Foram anos de ruas e esquinas, todas com nomes difíceis e que trocam de repente quando nos acostumamos, metrópole ao mesmo tempo suburbana em sua vida alternativa e louca, coisas que só poderiam ser apreciadas se desacompanhado, meio bandeirante em estado alheio, atrás das minas dos sentidos, dos desejos e da juventude em idade. Porém a mesma estrada jogava as conquistas na volta por tanto tempo perdidas até entender, pelo amadurecimento, que a riqueza estava dentro do personagem e não no cenário, até descobrir que o potencial era da comunicação e sensibilidade que permitia compreender os sinais que poderiam estar ali ou em qualquer parte do mundo. Então, aos poucos, fui construindo aquela metropole dentro de minha realidade cotidiana, transgredi em minha casa, dei a curva em minha vida, vivi a própria cidade imaginada e esqueci, por não ter necessidade, de voltar a visita-la.
Retorno agora num momento de reavaliação e comprovo, não existe outro, consigo carregar aquele mundo e seu potencial onde, ou com quem, quer que esteja. Muito bom saber disso, meu caminho sera ao mesmo tempo mais longo e mais próximo, pois optei por fugir de estradas e falsos atalhos a me construir internamente e hoje percebo não sou o mesmo, nem minha relação com estas imagens. Porém, aproveito e digo, que ninguém tem o direito, nem a menor capacidade, por ser interior, por necessitar de cultura apurada, vivência, percepçao e sensibilidade, de furtar esta conquista. Mesmo que tentem, já é minha.
Retorno agora num momento de reavaliação e comprovo, não existe outro, consigo carregar aquele mundo e seu potencial onde, ou com quem, quer que esteja. Muito bom saber disso, meu caminho sera ao mesmo tempo mais longo e mais próximo, pois optei por fugir de estradas e falsos atalhos a me construir internamente e hoje percebo não sou o mesmo, nem minha relação com estas imagens. Porém, aproveito e digo, que ninguém tem o direito, nem a menor capacidade, por ser interior, por necessitar de cultura apurada, vivência, percepçao e sensibilidade, de furtar esta conquista. Mesmo que tentem, já é minha.
17 fevereiro 2008
Sem fotos
Gostaria em primeiro lugar de agradecer a todos que me visitaram como enfermo no dia de ontem, pena que minha imobilidade não tenha permitido fotografar a festa que foi a casa. Meu pós-operatório foi bem mais agradável do que a cirurgia em si, com direto a carinhos especiais de todos os lados já que anestesia foi econômica, como se tivessem arrancado um siso apenas com pomada de xilocaína. Estiveram aqui o Roberto, o Célio, a Celeste, a Ana Paula, a Vera, pai, mãe, filhos e espírito santo, Felipe, Charles, fora os telefonemas do Joel, da Cristina, da Rô e companhia.
Tem um hematoma enorme na minha virilha mas meu filho disse que minha vida sexual sera recuperada sem aquele adorno sobre o púbis, palavra de adolescente.
Segue a novela e e-mails piratas e orkutes falsos, só posso agradecer estar fora de tudo isso, é a minha mensagem no msn atualmente. Fico com dó da vítima embora concorde com as palavras de um amigo...
Tem um hematoma enorme na minha virilha mas meu filho disse que minha vida sexual sera recuperada sem aquele adorno sobre o púbis, palavra de adolescente.
Segue a novela e e-mails piratas e orkutes falsos, só posso agradecer estar fora de tudo isso, é a minha mensagem no msn atualmente. Fico com dó da vítima embora concorde com as palavras de um amigo...
13 fevereiro 2008
Por todas as mídias.
Antes seriam livros jogados por gavetas e prateleiras, ou bolachões, igualmente empoeirados a lembrar tempos congelados, mas, nesta tecnologia de sons puros e objetos binários, sobram mesmo são discos metalizados e textos condensados em arquivos limpos e organizados. Não carregam ácaros, nem outras sujeiras, mas mantém, pelo menos, a clareza e o brilho da memória. E eu vivi estes dois tempos, da lembrança física de encontrar uma foto perdida entre as páginas, um recado, uma dedicatória ou um grifo de caneta bic, e outro, este, que só agora descompacto desde bits a velhos sentidos, e percebo, que mesmo sem saber, era moderno, bem antes de ser simples.
Encontrei, talvez, os amigos certos, e as melhores companhias, encontrei o fio perdido, a linha que une a cultura ao sentimento escondido, e volto a me emocionar além da dor, também com a mente. Sou papel e tecnologia, mas não deixo de ser quem sempre fui, eu mesmo frente a tudo que me foi dado e adquirido, séculos de outros pensamentos, anos de uma criação sem desvio. No entanto, este eu virou, um tempo, personagem a esconder como as notas e imagens, poesia e sensibilidade.
Viva o mp3, mas salve o LP, resgate a escrita e o que se lê, traços ou vetores, sejam quais forem os fatores, em qualquer ordem sou o produto destes momentos bem mais do que aquilo que determinei como tempo.
Encontrei, talvez, os amigos certos, e as melhores companhias, encontrei o fio perdido, a linha que une a cultura ao sentimento escondido, e volto a me emocionar além da dor, também com a mente. Sou papel e tecnologia, mas não deixo de ser quem sempre fui, eu mesmo frente a tudo que me foi dado e adquirido, séculos de outros pensamentos, anos de uma criação sem desvio. No entanto, este eu virou, um tempo, personagem a esconder como as notas e imagens, poesia e sensibilidade.
Viva o mp3, mas salve o LP, resgate a escrita e o que se lê, traços ou vetores, sejam quais forem os fatores, em qualquer ordem sou o produto destes momentos bem mais do que aquilo que determinei como tempo.
05 fevereiro 2008
De Drummond a Anjos
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora...
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora...
Poucos percebem, alguns ignoram, será necessário um Sarau profano e definitivo para que acordem, ou quem sabe isso nem seja relevante. Tanto que tinha para ser dito ficou por muito diluído entre páginas e diários, aqui mesmo, muitos "e agora..." contra poucos até quando. Mas há mais o que me prenda, mais que a Augusto dos Anjos seus Eus e outras intimidades, há uma outra e possível realidade a que dá força e reinventa a realidade.
18 janeiro 2008
Letras fugidias
As letras aparecem e desaparecem da tela como se tivesse testando o teclado. As idéias vem projetadas em frases disfarçadas, sempre camufladas para que cínicamente sejam descobertas sem que seja explicitadas. O comentário era de que meu português era estranho, estranho é minha fala e meu pensamento, estranho é ainda ter que ficar sussurrando o que há muito já devia ter sido um grito. Então, preso em alguma parte, minha, mas que nem reconheço, me calo a espera de novo ouvinte, leitor, terapeuta ou técnico em criptografia. As letras somem e reaparecem em outra ordem, eu só mantenho o que sinto e tento inventar caminhos diferentes para a expressão de um único e profundo sentimento. Tento. Vem a mente as idéias puras transformadas em imagens abstratas que nem sempre mantém a dureza da realidade. É, as letras somem, as imagens se confundem, assim fica certas vezes minha escrita, na linha entre o retido e o declarado. Melhor junta-las a tirar da voz do que deve ser falado, ou desistir e de dar razão ao que não mais será resgatado.
04 janeiro 2008
Ando
Ando cansado. Não cansado pelo físico que ora melhor do que nunca me fortalece, nem pelo espírito que me acode e no momento necessário vem a mim e restabelece. Ando cansado pela vida, pelo que busco ou que tenho por convívio, pela falta de respostas aos mais simples, comuns e delicados dos princípios. Ando cansado, mas ando, e neste caminho me abalo, passo por trajetos nunca novos, quase sempre, conhecidos, são cenários mal cuidados, percebo que as vezes ando em círculos, ou são todos tão iguais que não divulgo, mas de qualquer forma vou e sigo. Tenho mais gás do que pensava, há reserva em combustível, meu solado é de borracha, chuto pedras no caminho, tem mais gente que acompanha, alguns buscam a mesma sorte, outros passam sem esforço, mas preferem seus enganos. Estou cansado mas não paro, nem que seja até outra vida, nem que me encontre em outro plano.
31 dezembro 2007
Mensagem
Quem acompanha esta atemporal trajetória do Camafunga percebe nas nuancias da escrita as mudanças nos dias de quem publica. Mas é um ir e vir nas datas como um relógio de ponteiros loucos e sem direção ou ritmo, ora criança amadurecida, ora um adulto mal preparado e assustado, que precisar momentos fica mais do que desnecessário, é inutil e sem sentido. No entanto, chegado o último dia deste inusitado ano, regozijo com quem me fez mais jovem, agradeço as conquistas divididas com os verdadeiros amigos, lamento as perdas sacrificadas para tudo isso, e comemoro a possibilidade de morrer para logo ali voltar a vida.
Feliz 2008!
Feliz 2008!
20 dezembro 2007
Valores
Vivo a reciclar valores, sempre, não me prendo a griffes e marcas, embora minhas calças novas, só por acaso, tenha nome e sobrenome.Tiro fotos perfeitas e mensagens multimídia em meu novo celular, que também é telefone, gosto de mostrar a falta que sinto, da presença mais constante dos amigos, meu micro então é o máximo, por ele posso receber convites extravagantes como comemorar o sol em seu ponto alto, de postar sempre minhas novidades, receber críticas e agradecer aos pequenos elogios, de mostrar minhas imagens, são flagrantes ou montagens, são momentos da passagem.
Continuo a reciclar valores, agradeço ao novo brilho destes olhos, a visão que aos poucos se concerta, aos passos certos destas pernas, aos braços que permitem abraços mais fortes, o afeto por remédio.
Os raros e dolorosos encontros eram um reforço a indiferença, um esforço a entender onde ficaram a similaridades, onde estava eu este tempo todo. Cada recado não compreendido soa como uma profecia não interpretada, agora o passado ainda fala, mas depois por certo não sobrara mais nada.
Continuo a reciclar valores, agradeço ao novo brilho destes olhos, a visão que aos poucos se concerta, aos passos certos destas pernas, aos braços que permitem abraços mais fortes, o afeto por remédio.
Os raros e dolorosos encontros eram um reforço a indiferença, um esforço a entender onde ficaram a similaridades, onde estava eu este tempo todo. Cada recado não compreendido soa como uma profecia não interpretada, agora o passado ainda fala, mas depois por certo não sobrara mais nada.
19 dezembro 2007
Diálogo
Quase uma hora da manhã, a digestão está difícil. Como destas idiossincrasias mal passadas e depois arroto um misto de anseio e má vontade. Mantenho o hálito acre de desejos não correspondidos e sinto a lingua áspera pelo que não pode ser completamente dito. Queima o esôfago pelo excesso de palavras doces, e ainda arde a cabeça agora cheia de idéias não conjuminadas, álcool e enxaqueca, pulsa o coração em lugar errado, nada alivia pelo que não é encontrado, preciso de um sal de frases, urgente, como um copo de materno leite. Náusea sobe por sentir culpado, me resumo em espasmos de repente texto, gases, o fim, na busca de interesses.
16 dezembro 2007
Paris
Hoje me permito um devaneio maior, uma imagem que não é minha, num pais que nem havia sonhado, mas que tem a ver com ter ouvido a alguns dias um pedido para não ser esquecido. Viajo em pensamento pela ausência da voz desafinada embora de pronuncia e idéias corretas. Um promessa maluca tão louca mas não inviável.
10 dezembro 2007
Busca
Procuro algo que me defina. De sobressalto, mais uma vez, sinto o coração forte e disparado, estou no meio de um caminho que não reconheço, sou um rio acima do curso invadido permanentemente por mar louco e bravo, minha imagem não cabe em cartão nem em fotografia, preciso de todos os cantos e espaços, por menos, não sou compreendido, por mais, tento, mas não me permito ser interpretado. Conheço pessoas por quem me encanto e choro, preencho esperanças em expectativas alheias e, então, me desconsolo. Sigo, embora não avalie em quanto.
Procuro algo que me redefina sempre, uma paisagem limpa, agua mais tranqüila. Paz para que meu peito entre em compasso certo, e eu por perto para que mais tempo viva, vivo a busca do tudo e claro, preciso de um caminho simples onde hoje só conheço atalho.
25 novembro 2007
Em frente...
Pelo silêncio e sensibilidade logo pensei que não fosse real. Pela beleza e superação de preconceitos reafirmei que poderia ser mesmo um sonho. Pela impossibilidade, despedida pelo provável, acreditei apenas na mensagem.
Hoje foi um dia especial, ao lado oposto a todos os sentimentos perdidos incluo chances e conquistas fortes, desejos nunca antes exercitados, simples como as horas que passam bem porque estão preenchidas, depois descanso melhor porque sei que a vida continua após o que possa ser um sonho.
Hoje foi um dia especial, ao lado oposto a todos os sentimentos perdidos incluo chances e conquistas fortes, desejos nunca antes exercitados, simples como as horas que passam bem porque estão preenchidas, depois descanso melhor porque sei que a vida continua após o que possa ser um sonho.
15 novembro 2007
Espelho Mágico
Escondidos ambos os lados, motivos diferentes, sentidos alterados
o ângulo engana e exagera a única identificação provável.
Minha luz é razoável
lucidez inevitável
Descobertos, incide a dúvida do que é reflexo ou que é imagem
sob a luz o mesmo ato, revela outras vontades
uma a angústia da perda
alíviada pelo enfrentamento e pela coragem
o outro busca nenhuma
vitória da insanidade.
Espelho de dupla face,
sempre à mão,
mas ainda sei onde me acho,
na solidão
resto de nossa identidade
o ângulo engana e exagera a única identificação provável.
Minha luz é razoável
lucidez inevitável
Descobertos, incide a dúvida do que é reflexo ou que é imagem
sob a luz o mesmo ato, revela outras vontades
uma a angústia da perda
alíviada pelo enfrentamento e pela coragem
o outro busca nenhuma
vitória da insanidade.
Espelho de dupla face,
sempre à mão,
mas ainda sei onde me acho,
na solidão
resto de nossa identidade
10 novembro 2007
Teatro
A cena improvisada sugere uma tragédia.
No primeiro ato o personagem reclama do esquecimento voluntário e expõe a mentira nas desculpas não justificadas. É noite, embora o brilho do piso faça pensar que tenha chovido reforçando mágoa e abandono.
Segundo, a cena da cozinha. A fome supera as tristezas que a esta hora se dissipam pela rica narrativa de uma história complexa, mas o protagonista esta só, o interlocutor não aparece, apenas seu prato, um copo de cerveja já pela metade e uma leve fumaça que invade o ambiente como se alguém ali fumasse. Ambos são perdoados, embora não se enxerguem nem se entendam neste encontro. A obra é um monólogo. Há apenas uma sombra, até que o palco todo se ilumine transfigurando de sala a quarto. Surge da luz uma cama, imensa e impecável de arrumada. O personagem deita de botas, as calças ainda estão molhadas. Silêncio põe fim ao texto. A peça esta acabada.
No primeiro ato o personagem reclama do esquecimento voluntário e expõe a mentira nas desculpas não justificadas. É noite, embora o brilho do piso faça pensar que tenha chovido reforçando mágoa e abandono.
Segundo, a cena da cozinha. A fome supera as tristezas que a esta hora se dissipam pela rica narrativa de uma história complexa, mas o protagonista esta só, o interlocutor não aparece, apenas seu prato, um copo de cerveja já pela metade e uma leve fumaça que invade o ambiente como se alguém ali fumasse. Ambos são perdoados, embora não se enxerguem nem se entendam neste encontro. A obra é um monólogo. Há apenas uma sombra, até que o palco todo se ilumine transfigurando de sala a quarto. Surge da luz uma cama, imensa e impecável de arrumada. O personagem deita de botas, as calças ainda estão molhadas. Silêncio põe fim ao texto. A peça esta acabada.
07 novembro 2007
Reflexão
Tenho evitado ser claro, mas também não me visto do breu que a situação exige, fico nas meias palavras forçando futuras conquistas, ou nas vitórias verdadeiras arrastadas em linhas que estão presentes, mas que não se assumem. Há um tom que é um misto, do cinza a um leve azul, colorido, da luz que oferece matiz mas que nega a cor o seu brilho. Assim tem sido meus textos, também meu diálogo, e meu rito, porque perdi interesses, mas a comunicação permanece e é meu grito. Alô! Que me ouçam, estou vivo, repito como aviso: quero reencontrar minha vida seguindo o mesmo e um novo caminho. Se faço isso na tela, no texto ou num plano de vídeo não vou além do que posso, mas vou até onde é possível. Não fico no tempo de ontem, não choro todo o tempo perdido, mas lamento que poderia ser claro, que havia outra luz e um sol, até então mais bonitos.
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